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Política

CPMI do INSS: relatório paralelo do governo tenta culpar gestão Bolsonaro

Documento alternativo aponta falhas nos sistemas de controle e omissões, além de sugerir o indiciamento de 170 pessoas

Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal; PEC
Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Com a entrega de um relatório alternativo à CPMI do INSS prevista para esta sexta-feira, 27, o governo pretende responsabilizar a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro por falhas nos sistemas de controle e omissões. Conforme o documento, que sugere o indiciamento de 170 pessoas, elas permitiram o avanço de fraudes em descontos associativos em aposentadorias.

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O texto sustenta que atos normativos criados no período de Bolsonaro removeram barreiras de fiscalização, de modo a favorecer a expansão dos golpes. Obtido pelo Estadão, o relatório afirma que “são destacados atos normativos do governo Bolsonaro que alteraram deliberadamente regras que removeram barreiras de controle e criaram o ambiente propício para expansão do esquema de fraudes”.

Disputa de versões na CPMI do INSS

Sessão da CPMI do INSS
Sessão da CPMI do INSS | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A estratégia dos governistas é conseguir que a aprovação do relatório ocorra como parecer final da comissão, em contraposição ao texto do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Ele lidera a oposição e deverá apresentar documento superior a 5 mil páginas com mais de 200 nomes sugeridos para indiciamento. Gaspar também declarou ao longo da semana que avalia incluir Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, entre os investigados.

No relatório alternativo, o grupo criminoso aparece em oito diferentes núcleos, todos sob investigação da Polícia Federal (PF) e liderados por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Entre eles, estão o núcleo da Conafer, chefiado por Carlos Roberto Ferreira Lopes, responsável pelos descontos associativos; o núcleo da CBPA, liderado por Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, que firmou acordos com o INSS sem ter associados; e o núcleo Maurício Camisotti, focado em articulação empresarial e financeira em São Paulo.

O relatório também detalha o núcleo “Golden Boys”, composto de Américo Monte Jr, Anderson Cordeiro, Felipe Macedo Gomes e Igor Delecrode, acusados de ostentar padrão de vida elevado à custa dos aposentados. Cita, ainda, o núcleo liderado por Cecília Rodrigues Mota em Fortaleza, o núcleo de Alexsandro Prado, o Lequinho, em Sergipe, e o núcleo de Domingos Sávio de Castro, que operava entre Minas Gerais e Brasília.

Leia também: “O choro sem lágrimas”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 314 da Revista Oeste

O próprio Careca do INSS, segundo o documento, articulava todas as ramificações do esquema, em contato com servidores e operadores externos.

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