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Política

Deputado quer moção de repúdio ao apoio de Lula a Michelle Bachelet na ONU

Presidente da Comissão de Relações Exteriores, Orleans e Bragança, critica o histórico da ex-presidente chilena: ‘Não possui firmeza, imparcialidade e coerência’

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) afirmou que a diplomacia brasileira ‘é uma piada’ | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O presidente da Credn, o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) | Foto: | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) da Câmara, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), apresentou uma moção de repúdio ao apoio de Lula à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Orleans e Bragança protocolou o requerimento no colegiado depois da publicação de Lula a favor da candidatura de Michelle Bachelet. No sábado 28, o petista publicou em seu perfil no X que o Brasil continuará apoiando o nome da ex-presidente do Chile. 

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“Ela tem todas as credenciais para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização, promovendo a paz, fortalecendo o multilateralismo e recolocando o tema do desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional”, escreveu.

Moção de repúdio ao apoio de Lula

Na justificativa do documento, o presidente da Credn afirmou que a indicação de Bachelet levanta dúvidas quanto à sua capacidade de exercer o cargo. Segundo ele, a atuação da ex-presidente à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos foi alvo de críticas por parte de especialistas e organizações internacionais. 

“Apontou-se insuficiência na resposta, demora na adoção de posicionamentos mais firmes e, em determinados casos, percepção de seletividade na aplicação dos princípios universais”, argumentou.

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Lula e Michelle Bachelet
Lula e a ex-presidente chilena Michelle Bachelet durante encontro no Rio de Janeiro — 24/07/2024 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Orleans e Bragança citou episódios envolvendo a trajetória política da chilena, que “atingiram em cheio o discurso de probidade e transparência”. O parlamentar exemplificou a fala com o caso Caval, que envolveu o filho da ex-presidente em uma operação financeira milionária. 

“O poder continuava vulnerável às mesmas práticas promíscuas entre interesses privados e influência política”, disse. “É evidente que a ex-presidente do Chile não possui firmeza, imparcialidade e coerência, competências exigidas para o exercício da mais alta função executiva no âmbito das Nações Unidas.”

O texto também direciona críticas à política externa do governo Lula, ao classificar o apoio à candidatura como ideológico: “Mais uma prova de que a nossa política externa tem sido conduzida por orientação ideológica e afinidades pessoais em detrimento de uma avaliação estritamente técnica”.

Quem é Michelle Bachelet

Michelle Bachelet, ONU
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile | Foto: Reprodução/Flickr

Michelle Bachelet é uma política chilena de esquerda e uma das principais lideranças femininas da América Latina. Médica de formação, ela nasceu em Santiago, em 1951, e iniciou sua trajetória política ainda jovem, ao integrar a Juventude Socialista.

Sua história pessoal é marcada pelo período da ditadura militar chilena. Filha de um general que se opôs ao regime de Augusto Pinochet, Bachelet teve o pai preso e morto sob custódia do regime. Ela própria foi detida e, posteriormente, se exilou no exterior, vivendo na Austrália e na Alemanha Oriental antes de retornar ao Chile.

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Na política, Bachelet ocupou cargos de destaque até se tornar a primeira mulher a presidir o Chile, eleita em 2006. Seu primeiro mandato foi marcado por crises internas, como grandes protestos estudantis e o terremoto de 2010. Anos depois, voltou ao poder, governando novamente entre 2014 e 2018.

Entre seus principais feitos estão reformas nas áreas de educação e tributação, além da criação de políticas voltadas a direitos humanos e igualdade de gênero. Após deixar a Presidência, assumiu cargos internacionais, incluindo o de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, entre 2018 e 2022.

Sua atuação nesse posto, no entanto, foi alvo de críticas, especialmente em relação à condução de temas sensíveis envolvendo países como China e Venezuela. Ainda assim, Bachelet mantém protagonismo internacional e conta com o apoio de países como Brasil, Chile e México para assumir o comando da ONU a partir de 2027.

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