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Política

Empréstimo de Lula é 'agiotagem oficial', diz Eduardo Cunha

Em artigo para o portal Poder360, ex-deputado federal criticou a modalidade, que usa o FGTS como garantia

Eduardo Cunha
O então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB), durante coletiva de imprensa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em um artigo para o portal Poder360, o ex-deputado federal Eduardo Cunha classificou o empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada, apelidada por integrantes do próprio governo petista como “empréstimo do Lula”, como “agiotagem oficial”.

A nova modalidade permite que o trabalhador solicite crédito aos bancos com uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia. Para Cunha, o empréstimo não passa de uma “narrativa enganosa” que coloca em risco a já fragilizada situação financeira de milhões de brasileiros.

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“Lula quis virar banqueiro de pobre, mas, na prática, está virando o agiota do pobre […] Esse empréstimo do Lula pode acabar se tornando um verdadeiro tiro no seu pé”, escreveu.

Os juros do empréstimo, de acordo com Cunha, podem ultrapassar os 80% ao ano mesmo com múltiplas garantias envolvidas

Na visão do ex-parlamentar, o governo estaria apostando em uma “equivocada crença” de que a expansão do crédito, via aumento do consumo das famílias, seja suficiente para impulsionar a economia.

Para Cunha, empréstimo de Lula é mais uma modalidade de estelionato eleitoral

Lula
Lula, durante assinatura de projeto do novo Imposto de Renda – 18.3.2025 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-deputado federal argumenta que, ao incentivar o endividamento da população — especialmente a mais vulnerável —, o governo compromete a capacidade de poupança e, por consequência, reduz o investimento, que ele considera o verdadeiro motor do crescimento econômico.

“Estamos diante de mais uma modalidade de estelionato eleitoral”, diz o ex-deputado, ao comparar a iniciativa à prática de “curtir com o dinheiro do trabalhador”, utilizando o saldo do FGTS como garantia para empréstimos com juros elevados.

Um dos pontos centrais da crítica de Cunha está no uso do FGTS como garantia para o novo consignado. Ele afirma que a remuneração do fundo — com rendimento médio de apenas 3% ao ano — é inferior à da poupança e muito aquém da taxa Selic, o que, segundo ele, torna o uso desse recurso “uma desvantagem clara para o trabalhador”.

“Não é o ‘empréstimo do Lula’, mas o empréstimo do seu próprio dinheiro, depositado compulsoriamente no governo e remunerado abaixo da caderneta de poupança”, afirma.

Críticas ao modelo petista de política econômica

Eduardo Cunha também direciona críticas mais amplas à estratégia econômica do governo Lula, acusando o PT de repetir o que chama de “modelo fracassado”, baseado no aumento do consumo via crédito e programas sociais contínuos.

Para ele, países desenvolvidos promovem crescimento com base na formação de poupança, aumento da produtividade e geração de empregos de alta renda — caminho oposto ao que atribui ao atual governo.

“O que a população quer ver são ações, e não mais discursos vazios ou programas de aparência duvidosa”, afirma, referindo-se à perda de popularidade de Lula e à desconfiança crescente com políticas de endividamento.

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