publicidade
Política

Entidade pede prisão domiciliar humanitária para general Heleno

Movimento Advogados de Direita Brasil cobra que STF reconheça laudos médicos que apontam demência e risco de agravamento do quadro clínico do ex-ministro

general augusto heleno - g dias - cpmi do 8 de janeiro - gsi - stf
General Augusto Heleno durante depoimento à CPMI do 8 de Janeiro — 26/9/2023 | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O Movimento Advogados de Direita Brasil divulgou uma carta aberta em que reivindica a concessão imediata de prisão domiciliar humanitária ao general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira, de 78 anos. Atualmente, o ex-ministro de Bolsonaro está custodiado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). 

+ PGR dá parecer pela prisão domiciliar de Augusto Heleno

Receba nossas atualizações

O documento, dirigido “à sociedade civil, às instituições da República e aos organismos de proteção aos direitos humanos”, apresenta um conjunto de argumentos jurídicos e médicos que justificam a substituição da prisão convencional de Augusto Heleno pelo regime domiciliar.

“Laudos médicos já colacionados aos autos, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, informam que, em janeiro de 2025, firmou-se diagnóstico de demência mista, de etiologias Alzheimer e vascular, em estágio inicial, sobreposto a antecedentes de transtorno depressivo e de transtorno misto ansioso-depressivo”, informaram. “Trata-se de condição neurológica e psiquiátrica que demanda acompanhamento contínuo, rotina assistida, ambiente estável e suporte familiar, sob pena de agravamento do quadro, perda progressiva de autonomia e comprometimento global da saúde.”

O general Augusto Heleno, em foto no período de 2007 e 2009, em que era chefe do Comando Militar da Amazônia | Foto: Reprodução/X
O general Augusto Heleno, em foto no período de 2007 e 2009, em que era chefe do Comando Militar da Amazônia | Foto: Reprodução/X

A condição, afirmam os advogados, exige ambiente estável, rotina assistida e suporte familiar contínuo — fatores considerados incompatíveis com o encarceramento tradicional.

“Um idoso acometido por enfermidade degenerativa e vulnerabilidades clínicas não pode ser tratado como instrumento de demonstração de força”, afirmou o Movimento Advogados de Direita Brasil.

Histórico institucional de Augusto Heleno

General Augusto Heleno foi ministro-chefe do GSI no governo de Jair Bolsonaro | Foto: Carolina Antunes/PR

A carta destacou que o general dedicou mais de quatro décadas ao serviço público militar, ingressando no Exército em 1966 e alcançando o posto de general de quatro estrelas. Atuou até 2011 em funções de Estado e, posteriormente, assumiu cargos institucionais no governo federal, incluindo o de ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

+ Quem é o general Augusto Heleno; entenda

“Antes de qualquer debate jurídico ou político, há um homem (…) reconhecido por seus pares, que hoje enfrenta não apenas o peso da idade, mas uma condição clínica que exige cuidado, prudência e respeito à sua dignidade”, afirmou o documento. 

O Movimento Advogados de Direita Brasil argumentou que o caso preenche requisitos previstos na legislação brasileira para a concessão de prisão domiciliar em hipótese humanitária. São mencionados:

  • Constituição Federal: garante dignidade humana, integridade física e proteção especial ao idoso;
  • Lei de Execução Penal: autoriza custódia domiciliar quando o estado de saúde assim exigir;
  • Estatuto do Idoso: estabelece prioridade na preservação da vida e da saúde de pessoas idosas; e
  • Código de Processo Penal: prevê substituição da prisão preventiva por domiciliar quando o preso for idoso ou apresentar doença grave.

Para o grupo, manter Augusto Heleno em custódia tradicional significaria “negar o pacto civilizatório” que orienta a atuação do Estado. “A prisão domiciliar humanitária, quando cabível, não é concessão política; é cumprimento da Constituição.”

+ Generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira são levados ao Comando Militar do Planalto

O movimento ainda afirmou que o caso ultrapassa a esfera técnica e exige resposta moral e institucional, sugerindo que a manutenção da prisão representa risco concreto à saúde do general.

“Há um limite civilizatório que não pode ser ultrapassado — e esse limite está sendo alcançado”, ressaltou o movimento. “Que a História registre quem se calou diante do risco de uma tragédia anunciada.” 

O documento reforçou que o pedido não se trata de privilégio, mas de aplicação das normas de proteção ao idoso e ao vulnerável. Os advogados ainda pedem que instituições e autoridades a reconhecerem a necessidade de substituição imediata da prisão, sob o argumento de que a preservação da saúde do custodiado é dever constitucional.

“Nenhuma disputa ou narrativa autoriza relativizar a proteção do idoso doente”, salientaram. “A Constituição não admite exceções quando o que está em jogo é a vida, a saúde e a dignidade.”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.