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Política

Ex-advogado de Lula, Cristiano Zanin se declara impedido de julgar caso que envolve a Odebrecht

Processo envolve acusação contra senador Ciro Nogueira

Zanin PM STF
Ministro Cristino Zanin tem impedimento legal para participar do julgamento | Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin declarou-se impedido de participar do julgamento do recebimento de uma denúncia contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) fundamentado em provas da Odebrecht.

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Pelo fato de ter atuado como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ação na qual o STF invalidou as provas obtidas em acordo de leniência com a empreiteira envolvida na Lava Jato, Zanin fica impedido, pela legislação processual, de atuar no caso.

O caso do senador está em julgamento no plenário virtual do STF desde 8 de dezembro e segue até as 23h59 da segunda-feira 18.

Ao assumir a vaga no STF, em agosto, em substituição a Ricardo Lewandowski, Zanin desvinculou-se de todos os processos nos quais atuava como advogado. Sua mulher, Waleska Martins, sócia de Zanin no escritório de advocacia, passou a conduzir aquelas ações.  

A denúncia contra Ciro Nogueira no STF e as provas da Odebrecht

Senador Ciro Nogueira
Senador Ciro Nogueira | Foto: Pedro França/Agência Senado

O processo no STF do qual Zanin está impedido de participar é uma denúncia contra Ciro Nogueira em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusava o senador de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ele teria recebido R$ 7,3 milhões da Odebrecht em troca de “apoio do parlamentar nas causas de interesse do grupo, notadamente intermediação de audiências entre executivos da Odebrecht e agentes públicos de órgãos controlados politicamente pelo PP (como o Ministério das Cidades); perspectiva de favorecimentos em votações de pautas legislativas de interesse do grupo; e indicação e manutenção no cargo de dirigentes indicados politicamente pela agremiação para perpetuar o favorecimento aos interesses dos corruptores”, segundo a denúncia da PGR.

+ Decisão de Toffoli sobre a Odebrecht é um manifesto político

Porém, a própria Procuradoria-Geral da República recuou e, em outubro, em parecer enviado ao STF, pediu a rejeição da denúncia por ausência de justa causa. E um dos motivos foi justamente o fato de que as provas da Odebrecht foram integralmente anuladas pelo Supremo.

Lewandowski já havia anulado os sistemas informatizados da empreiteira que registravam as propinas e Toffoli, em setembro deste ano, anulou todas as provas, incluindo depoimento dos executivos da Odebrecht, réus confessos no esquema criminoso, obtidas no acordo de leniência.

Edson Fachin
Edson Fachin é o relator do caso de Ciro Nogueira | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

“Compreendo que a falta de interesse da acusação (PGR) em promover a persecução penal em juízo, por falta de justa causa, em razão de fatores supervenientes à apresentação da denúncia, deve ser acatada neste estágio processual destinado a aferir a possibilidade de instauração da ação penal”, afirmou Fachin, no voto pela rejeição da denúncia contra Nogueira.

+ Ministério Público de SP recorre de decisão de Toffoli que anulou provas da Odebrecht

Votaram com ele até agora os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Nunes Marques e Luís Roberto Barroso. Com mais um voto, já haverá maioria para rejeitar a denúncia. Faltam votar Gilmar Mendes, André Mendonça, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

3 comentários
  1. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    Ministros se servem, uns aos outros advogando em favor do nome da pessoa que está na capa do processo que contem um seu interessado. Um Judiciário sujo, onde tudo é previamente combinado.

  2. Mario Hugo Ladeira Filho
    Mario Hugo Ladeira Filho

    Todos, estão!
    Jogo de cena.
    O Brasil esta de volta e o Sistema e o mesmo.
    Estão todos lá, colocados pelo Sistema e para servi-lo.
    Obedece, quem tem juízo.
    Caso contrario, omerta, o beijo da morte.

  3. PCC
    PCC

    Esse aí fica querendo passar um ar de honestidade que não tem. Não engana ninguém.

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