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Política

Ex-chanceler exalta articulação internacional de Flávio

Ernesto Araújo afirma que política externa e interna se misturaram: 'Eleição brasileira será travada diante do mundo'

Ernesto Araújo critica a diplomacia de Lula
Ernesto Araújo foi ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

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O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou em 27 de julho de 2026 que a próxima eleição presidencial no Brasil terá um impacto internacional significativo, destacando a interconexão entre política interna e externa. Ele associou Flávio Bolsonaro ao "mundo livre" e Lula a um "bloco totalitário", citando o apoio de Javier Milei a Flávio e as tensões entre Lula e os EUA, que impuseram tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou, nesta segunda-feira, 27, que a próxima eleição presidencial brasileira não ficará restrita ao cenário nacional. “Conforme venho apontando, a barreira entre política externa e política interna caiu”, escreveu o ex-ministro em publicação no X. “O processo político se internacionalizou.”

O ex-chanceler sustentou que o Brasil poderá se alinhar ao “mundo livre” ou ao que classificou como “bloco totalitário”, conforme o resultado da eleição. Em seguida, associou Flávio Bolsonaro ao primeiro grupo e Lula ao segundo.

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Como exemplos de que o processo político ganhou dimensão internacional, Araújo citou o discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL no último sábado, 25, e os recentes atritos entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Presidente Lula fala com repórteres depois de reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA (7/5/2026) | Foto: Reuters/Elizabeth Frantz

Na avaliação do ex-chanceler, a disputa eleitoral brasileira despertará grande interesse internacional em razão do peso geopolítico do país. “Queira-se ou não, a eleição brasileira será travada diante do mundo, dentro de uma disputa de poder mundial, e não atrás de um tapume.”

Ele também atribuiu à articulação internacional do senador um dos principais ativos de sua pré-candidatura. “O fato de que Flávio Bolsonaro tenha sabido articular-se com Trump, Milei e outras lideranças, de que tenha por assim dizer internacionalizado sua candidatura, colocando-se como candidato do mundo livre, é a principal força de seu nome nesta disputa eleitoral”, declarou.

javier milei
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante a oficialização da candidatura do parlamentar à Presidência – 25/7/2026 | Foto: Vanessa Araújo/Revista Oeste

Apoio de Milei a Flávio e tensão de Lula com os EUA

As declarações de Araújo ocorrem em um momento de intensificação das tensões entre Brasil e Estados Unidos.

O governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, direcionada a países investigados, segundo Washington, por não combaterem de forma efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A cobrança foi aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e se soma à tarifa de 25% já imposta ao Brasil.

Ao anunciar a medida, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a iniciativa busca corrigir “o que é, ao mesmo tempo, um abuso de direitos humanos e uma prática comercial que distorce o mercado”.

Já no sábado 25, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo, o presidente argentino, Javier Milei, manifestou apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Confio plenamente em meu amigo Flávio Bolsonaro”, declarou. “Creio que somente Flávio pode parar Lula e trazer mudança.”

O presidente argentino também afirmou que uma eventual reeleição de Lula levaria o Brasil a enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pela Argentina antes de seu governo. “Aqui, no Brasil, hoje vocês têm o ‘risco Lula'”, disse.

Milei ainda criticou o Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e pelo ex-ditador cubano Fidel Castro, a qual chamou de “rede transnacional do socialismo”.

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