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Política

Críticos da precarização do trabalho, oposição gasta cota com serviços da Uber

Deputados da oposição acusam a Medida Provisória (MP) 905 de precarizar relações trabalhistas. Mas alguns deles mesmos não levam a cabo a narrativa levantada pela esquerda

Deputada Lídice da Mata (PSB-BA) reembolsou R$ 1,5 mil em corridas com a Uber | Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Deputada Lídice da Mata (PSB-BA) reembolsou R$ 1,5 mil em corridas com a Uber
Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A oposição na Câmara faz questão de sempre externar sua luta contra a “uberização” e a consequente “precarização” das relações trabalhistas. E destacou isso durante toda a votação da Medida Provisória (MP) nº 905/19 e seus destaques, que estendeu a sessão da tarde da última terça-feira, 14, à madrugada de quarta. Mas a verdade é que opositores estimulam a prestação de serviços digitais por aplicativos.

A esquerda trata a “uberização” — uma referência à empresa Uber — como um fenômeno de exploração da mão de obra, não de modernização. Na votação da MP 905, deputados e deputadas fizeram questão de enaltecer sua rejeição à matéria, que flexibiliza as relações de trabalho de modo a estimular empresários a contratar jovens entre 18 e 29 anos. Torna, assim, menos custosa uma mão de obra que encontra mais dificuldade para se inserir no mercado e conseguir o primeiro emprego.

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O que Oeste identificou, contudo, é que 27 opositores — o equivalente a 23,1% dos 130 deputados de partidos da esquerda — reembolsaram um total de R$ 10.828,27 gastos em 578 viagens feitas entre janeiro e março pela Uber neste ano. A primeira nota emitida data de 2 de janeiro e a última de 19 de março.

O reembolso feito ao custo do popularmente conhecido cotão, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), não é ilegal. O valor total contabilizado pela reportagem também não é expressivo perto do volume de mordomias concedidas aos parlamentares. Só um deputado do Distrito Federal, por exemplo, pode gastar cerca de R$ 30,8 mil mensais. E os parlamentares com domicílio eleitoral na capital são os que têm o menor limite mensal.

Pódio

Também não chama atenção o fato de opositores gastarem seu dinheiro com os serviços da Uber e, depois, apresentarem nota à Câmara solicitando reembolso. É tentadora a possibilidade de chamar um transporte pelo celular a um custo normalmente inferior ao de um táxi e ser conduzido em veículo dirigido por um condutor que, muitas vezes, fará o possível para prestar um bom serviço.

O que chama atenção mesmo são parlamentares que associam “uberização” com “precarização” e tentam obstruir matérias de estímulo ao emprego utilizando esses serviços “exploratórios”. A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), por exemplo, reembolsou R$ 1,5 mil em corridas pela Uber. A deputada Natália Bonavides (PT-RN) obteve o reembolso de R$ 1,2 mil. Já o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) reouve R$ 955. O que todos eles têm em comum: votaram contra a MP 905.

Hipocrisia

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) chegou a comentar a hipocrisia revelada por deputados durante a votação da MP 905. “É muito fácil ser contra a medida provisória quando o confinamento de alguns se resume a ficar em casa recebendo dinheiro público, quando não precisam pagar a própria casa porque recebem auxílio-moradia. Quando gastam dinheiro de cota parlamentar para pedir delivery em aplicativo que vivem criticando, dizendo que é precarização das relações do trabalho, mas adoram usar esse aplicativo no confinamento para pedir comida em casa”, declarou.

O monitoramento de gastos com alimentação por aplicativos de delivery é mais complexo porque as notas entregues à Câmara normalmente são do próprio restaurante, não da plataforma digital utilizada para solicitar o pedido. Foi o que apurou Oeste. Por esse motivo, a reportagem encontrou dificuldade para fazer o levantamento aventado por Kataguiri. Mas o leitor pode conferir, abaixo, a lista dos dez parlamentares que mais demandaram serviços pela Uber em valores reembolsados.

1º. Lídice da Mata (PSB-BA) — R$ 1.549,46

2º) Natália Bonavides (PT-RN) — R$ 1.226,59

3º) Zeca Dirceu (PT-PR) — R$ 955,14

4º) Nilto Tatto (PT-SP) — R$ 928,09

5º) Alexandre Padilha (PT-SP) — 843,71

6º) Felipe Rigoni (PSB-ES) — R$ 780,01

7º) Frei Anastácio (PT-PB) — R$ 582,85

8º) Padre João (PT-MG) — R$ 488,79

9º) Jorge Solla (PT-BA) — R$ 437,66

10º) Maria do Rosário (PT-RS) — R$ 422,25

7 comentários
  1. Sandra Ribeiro
    Sandra Ribeiro

    A esquerda sempre foi e sempre será sinônimo de HIPOCRISIA. Lixos!

  2. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    Não façam dos seus cargos uma arma. As vítimas, podem ser vocês.

  3. Alvaro
    Alvaro

    Essa esquerda é asquerosa e rouba nosso dinheiro na cara dura, agora para sermos justos, deveria ser divulgado os gastos com Uber, de todos!

  4. Rafael
    Rafael

    Vocês têm que perguntar pra esses canalhas como explicam essa divergência de discurso e atitude! Queria ouvir um desses justificando.

  5. MARIA EMILIA MARTINS DE LIMA
    MARIA EMILIA MARTINS DE LIMA

    Da esquerda só esperamos isto mesmo: hipocrisia e demagogia.

  6. Luiz Americo Lisboa Junior
    Luiz Americo Lisboa Junior

    Lídice da Mata foi a pior prefeita da história de Salvador, na sua gestão a cidade virou um lixão e foi praticamente destruída. Perdeu a eleição para governadora tendo menos votos que uma candidata iniciante na política a ex-ministra Eliana Calmon que se candidatava ao Senado. Lídice foi uma das piores senadoras, senão a pior, da Bahia em nossa história, e só se elegeu deputada graças a uma parcela da população que ainda vota na esquerda. Todos os seus mandatos foram inúteis. Suas declarações e pronunciamentos são patéticos.

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