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Política

Governo Lula espera aumento de tarifa dos EUA para até 37,5%

Decisão sobre cobrança adicional relacionada ao combate ao trabalho forçado está prevista para a próxima semana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/ PR

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguarda a divulgação, na próxima sexta-feira, 24, de uma investigação dos Estados Unidos que pode aumentar a tarifa sobre produtos brasileiros para 37,5%, com uma cobrança adicional de 12,5% devido a supostas falhas no combate ao trabalho forçado. O secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, afirmou que a investigação, que analisa a política de importações de 60 países, concluiu que o Brasil não possui mecanismos adequados para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguarda a divulgação, na próxima sexta-feira, 24, do resultado de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos que pode elevar para 37,5% a tarifa incidente sobre produtos brasileiros.

A expectativa do Palácio do Planalto é que Washington confirme uma cobrança adicional de 12,5% com base em supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado, porcentual que poderá ser somado aos 25% anunciados nesta quinta-feira, 16.

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A avaliação foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Segundo ele, o governo norte-americano deve concluir nos próximos dias a investigação relacionada à chamada Seção 301.

Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e integrantes do governo Lula durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 15 | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

“A investigação sobre o trabalho forçado termina na semana que vem, na sexta-feira que vem. Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão”, afirmou Elias Rosa durante entrevista coletiva. Ele disse que a tendência é que a medida alcance todos os países analisados.

“A expectativa é que virá para todos, porque essa tarifa da seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem”, explicou. “O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10% ou 12,5%.”

Relatório cita falhas no combate ao trabalho forçado

A investigação foi concluída no mês passado e analisou a política de importações da União Europeia e de outros 59 países, entre eles o Brasil. O relatório sustenta que essas nações não possuem mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

Montadora que emprestou os carros elétricos foi acusada de trabalho análogo à escravidão | Foto: PR/Divulgação
Montadora que emprestou carros elétricos ao governo Lula foi acusada de trabalho análogo à escravidão | Foto: PR/Divulgação

Segundo o documento, a ausência de controles eficazes é “irracional”, pois criaria condições de concorrência desiguais para empresas e trabalhadores norte-americanos. O texto também afirma que o Brasil, embora tenha assumido compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo, ainda não dispõe de uma proibição legal efetiva que impeça a importação desse tipo de mercadoria.

Ao justificar a iniciativa, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a situação é “inaceitável”.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, declarou. Segundo Greer, essa prática “força os trabalhadores norte-americanos a competirem em um campo desigual”. “Não toleraremos mais”, acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reúne-se com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e outras autoridades, à margem da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, Malásia (26/10/2025) | Foto: Reuters/Evelyn Hockstein

Governo Lula reage à tarifa de 25%

Na última quarta-feira, 15, o governo brasileiro criticou o novo pacote tarifário de 25% anunciado pelos Estados Unidos e atribuiu a decisão a divergências nas negociações conduzidas entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a posição de Washington decorre da recusa do Brasil em aceitar as condições impostas pelo presidente Donald Trump.

“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. […] Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, disse o chanceler.

Vieira informou que representantes brasileiros realizaram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades norte-americanas desde o primeiro pacote tarifário, anunciado no ano passado. Desse total, 11 encontros ocorreram diretamente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com Jamieson Greer. Também houve conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

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1 comentário
  1. David S
    David S

    Este asno está torcendo que aumente o máximo possível, para tentar tirar proveito eleitoreiro.
    Uma vez picareta, sempre picareta….

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