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Política

Governo quer criar 'PIX dos impostos' com os bancos; Bolsonaro critica

Trata-se do split payment, um sistema de arrecadação automática de tributos da reforma tributária

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão criando meios, como o PIX dos impostos, para facilitar o recebimento dos tributos | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão criando meios, como o PIX dos impostos, para facilitar o recebimento de tributos | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Em meio às críticas de internautas sobre as taxações do governo federal, o Ministério da Fazenda decidiu criar mais uma ferramenta para facilitar a arrecadação de tributos com os bancos. Trata-se do split payment, um sistema de recolhimento automático da reforma tributária — mais conhecido como o “PIX dos impostos”. 

Depois de tomar conhecimento sobre o tema, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou suas redes sociais, nesta quinta-feira, 25, para criticar a decisão do governo. De acordo com ele, isso vai atingir as movimentações financeiras dos mais humildes. “Calma que ainda vem mais”, alertou.

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Esse novo sistema visa recolher tributos no ato do pagamento. Ou seja, o valor recebido vai ser dividido na hora entre o vendedor, a Receita Federal e o Comitê Gestor de Estados e Municípios. 

A Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária, liderada por Bernard Appy, comandará as discussões. As reuniões programadas para discutir sobre o tema vão ter a presença de membros da  Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Confederação Nacional de Serviços. 

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A secretaria insiste em manter o cronograma de implementação, apesar de pedidos do setor privado para adiá-lo. 

“PIX dos impostos” está previsto para ser implementado em 2026

O “PIX dos impostos” está previsto para 2026, mas bancos e empresas de pagamento solicitam mais tempo para desenvolver a tecnologia.

Contudo, o Ministério da Fazenda não pretende estender o prazo. Membros da pasta argumentam que o setor financeiro terá todo o ano de 2026 para ajustes. 

Neste ano, será realizado um teste com alíquota federal de 1%, compensado pela redução do PIS/Cofins. Ainda não há estimativa de custo para a implementação.

A Febraban também indaga sobre o custo pelo serviço de arrecadação. O split payment é visto pelo governo como crucial para a reforma tributária ao interligar o sistema financeiro ao Fisco. De acordo com o Executivo, isso vai agilizar a cobrança dos novos tributos CBS e IBS.

Ao contrário de outros países que adotam o split payment, o modelo brasileiro será aplicado a todas as emissões de notas fiscais, independentemente do valor ou tipo de bem e serviço.

Leia também: “Em evento, Guedes critica política econômica de Lula: ‘Chutou o balde'”

A reforma tributária aposta que o “PIX dos impostos” reduzirá a sonegação e atrasos no pagamento de tributos. O setor empresarial elogia o sistema, mas teme o impacto no capital de giro das empresas. 

O Ministério da Fazenda, no entanto, considera esse argumento infundado, e sugere alternativas como boletos bancários com prazo de 30 dias ou parcelamento no cartão de crédito, com impostos incidindo em cada parcela.

Tramitação legislativa e apoio do setor bancário

A proposta original enviada à Câmara dos Deputados foi mantida pelo grupo de trabalho dedicado à regulamentação da reforma. O tema foi aprovado em 10 de julho pela Casa legislativa. 

A equipe econômica identificou apenas correções de redação, sem impacto prático no “PIX dos impostos”. O governo espera que o Senado preserve o texto, que será discutido na Comissão de Constituição e Justiça, sob relatoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Leia também: “‘Taxad’ no país dos impostos”, reportagem de Anderson Scardoelli, publicada na Edição 227 da Revista Oeste

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