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Política

Hugo Carvajal e o narcossocialismo latino-americano

Desde os anos 1980, quando Fidel Castro abriu as rotas cubanas à cocaína colombiana, os comunistas da América Latina descobriram uma fonte de financiamento e um meio estratégico de subversão

Hugo Armando 'El Pollo' Carvajal, ex-general da Venezuela | Foto: Wikimedia Commons/Reprodução
Hugo Armando 'El Pollo' Carvajal, ex-general da Venezuela | Foto: Wikimedia Commons/Reprodução

Quando o general venezuelano Hugo Carvajal, antigo chefe da inteligência chavista, aceitou colaborar com a Justiça norte-americana, não foi apenas um delator que se levantou contra o crime. Foi a própria história que começou a confessar. Carvajal é o tipo de personagem que concentra, em sua biografia, a patologia moral de um movimento político: ex-guarda-costas de Hugo Chávez, operador dos serviços secretos bolivarianos e pivô do chamado “Cartel de los Soles”, ele representa a fusão entre a agenda revolucionária e o crime organizado, uma fusão que, longe de acidental, é a essência mesma do projeto comunista na América Latina.

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Desde os anos 1980, quando Fidel Castro abriu as rotas cubanas à cocaína colombiana, os comunistas latino-americanos descobriram no narcotráfico não apenas uma fonte de financiamento, mas um meio estratégico de subversão. Sob a tutela de Moscou e Havana, uma “epidemia rosa” — que misturava o branco da cocaína ao vermelho do comunismo — espalhou-se pelo continente, infiltrando partidos, sindicatos, milícias e universidades. Em nome da revolução redentora e da luta contra o “imperialismo estadunidense”, tudo se tornou permitido, inclusive transformar o vício em arma política e o narcotráfico em caixa eletrônico do movimento revolucionário.

Ao confessar a promiscuidade entre o regime chavista e os cartéis de drogas, Hugo “El Pollo” Carvajal apenas confirma aquilo os propagandistas de esquerda sempre tentaram esconder: que o socialismo não é uma alternativa (moral, social e econômica) ao capitalismo, mas a sua caricatura amoral. É o capitalismo clandestino, o capitalismo do submundo do crime e do mercado negro.

Leia também: Parceiros pilantras, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 275 da Revista Oeste

Em 1936, no livro A Crise da Democracia, o austromarxista Otto Bauer foi um dos primeiros a denunciar o surgimento de uma classe dominante e economicamente privilegiada na URSS, formada pela cúpula do partido comunista local. Também Milovan Djilas, em A Nova Classe, de 1957, descreveu a oligarquia economicamente privilegiada composta pelos membros do Politburo do Partido Comunista Iugoslavo.

No livro URSS: A Sociedade Corrupta — O Mundo Secreto do Capitalismo Soviético, de 1982, o advogado e dissidente soviético Konstantin Simis explicou o mecanismo, pintando um retrato definitivo da sociedade soviética de classes. Nessa sociedade, os altos quadros do governo, do partido e do funcionalismo público (em suma, a Nomenklatura) recorriam à corrupção e ao mercado negro para obter acesso a produtos importados, finos e exclusivos, enquanto o restante da população vivia na escassez das mercadorias locais.

O falecido ditador Hugo Chávez esteve no poder entre 1999 e 2013 | Foto: Harold Escalona/Shutterstock

Tudo isso se repetiu na América Latina do “socialismo do século XXI”, na expressão de Hugo Chávez. Aí, a retórica dos pobres contra ricos, da justiça social e do anti-imperialismo serviu de biombo para o enriquecimento de dirigentes, líderes partidários, generais do regime. Tudo via narcotráfico. A exportação de cocaína ganhou selo ideológico. Nas favelas controladas por Fernandinho Beira-Mar, liderança do Comando Vermelho, por exemplo, o símbolo das FARC estampava os papelotes de cocaína.

O que Carvajal revela, portanto, não é apenas o fracasso moral do projeto continental de poder concebido no Foro de São Paulo, mas o triunfo de uma lógica perversa: a da revolução como sistema de delinquência institucionalizada. O socialismo castro-lulo-chavista não degenerou em crime. Como provavelmente irá começar a demonstrar com provas um ex-integrante desse regime, ele já nasceu criminoso.

Leia também: A captura do Estado pelo petismo, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 292 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    Drogas pra eleger presidente de extrema esquerda ⚒️⚒️⚒️⚒️⚒️⚒️⚒️🌈🌈🌈🤡🤡💩💩💩💩🚨🚨🚨

  2. Christian
    Christian

    Só não enxerga quem não quer.
    Este enriquecimento é ocultado para o Povo e trocado por um prato de lavagem de porco…!

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Agora eu sei porque Lindemberg Farinha só fala chorando. É que estão acabando com a farinha

  4. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    A OESTE TEM DE EXPLORAR ESSE TEMA !
    É O NÚCLEO DE TODO MAL !

  5. Joao Batista Martins
    Joao Batista Martins

    O que atrapalha nos países subdesenvolvidos é o estômago no lugar do cérebro.

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