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Política

Não se trata mais de Bolsonaro, ou só de Bolsonaro

O que ficou óbvio é que Lula e o Supremo, com toda a força do Estado a seu favor, não têm a mais remota possibilidade de fazer nada de parecido

bolsonaro - avenida paulista - chegada
O ex-presidente Jair Bolsonaro é cercado por multidão ao chegar na Avenida Paulista para ato em favor da democracia — 25/2/2024 | Foto: Reprodução/Facebook/[email protected]

A manifestação de massa deste dia 25 de fevereiro na Avenida Paulista deixa fisicamente comprovado que a direita brasileira é hoje a força política que resiste com mais vigor à ofensiva geral do governo Lula e do STF contra a democracia — e a única que consegue levar uma multidão para a rua. Não houve perda de tempo, desta vez, com os habituais esforços da esquerda para suprimir imagens e sustentar que foi “pouca gente”. Na verdade, tanto faz quantos foram. O que ficou óbvio, e tão óbvio que nem se discute mais o assunto, é que Lula e o Supremo, com toda a força do Estado a seu favor, não têm a mais remota possibilidade de fazer nada de parecido. São o governo. Mas são um governo sem povo.

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Não se trata mais de Bolsonaro, ou só de Bolsonaro. O ex-presidente, por tudo o que os seus julgadores estão fazendo, já está condenado por eles; quanto menos provas tiverem para as acusações que fazem, mais condenado ele está. O que não parecem ter percebido, até agora, é que a aversão terminal que construíram entre os cidadãos vai muito além de Bolsonaro. É simples. Se ele não tivesse ido à Paulista, ou mesmo se não tivesse convocado a manifestação, a massa que não aceita a liquidação dos direitos individuais e das liberdades públicas no Brasil seria a mesma. Já proibiram o ex-presidente de disputar eleições até 2030. Agora querem a sua prisão. Mas a massa que foi para rua no domingo vai voltar outras vezes. Pode ser cada vez maior.

+ Veja imagens aéreas exclusivas de Oeste do ato pela democracia

A esquerda tem um entendimento perverso em relação a isso tudo. Não admite resolver democraticamente os seus problemas políticos. Aposta tudo na força, na polícia e em Alexandre de Moraes; acha que assim não precisa de apoio popular e de ganhar eleições para se manter no poder. Um dos exemplos mais grosseiros dessa sua opção foi o discurso feito por um dos deputados do PT que vive na mídia às vésperas da manifestação de São Paulo. Ele disse em seu manifesto que ir à Avenida Paulista era “comprar uma passagem para a Papuda”. Para não deixar dúvidas, ameaçou um colega que o interrompeu para informar que iria, sim, à manifestação: “O senhor vai ser preso”. É este o comportamento do PT diante da democracia: oposição não permitida pelo governo é caso de cadeia. Vão continuar querendo um Brasil assim, é claro: não dão o menor sinal de que aceitam o diálogo democrático. A questão é saber se conseguem.

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