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Política

Julgamento de Bolsonaro repercute entre políticos: 'Perseguição'

Análise das acusações sobre um suposto golpe de Estado em 2022 ocorre nesta terça-feira, 2

Moraes reforça restrições e ordena vistoria em veículos na casa de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, que foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, enquanto aguarda julgamento por uma suposta conspiração para anular as eleições de 2022 — Brasília (DF), 14/8/2025 | Foto: Adriano Machado/Reuters

Nesta terça-feira, 2, parlamentares e apoiadores de Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Para eles, o processo é marcado por parcialidade, abuso de poder e perseguição política.

O deputado federal e ex-secretário da Cultura Mario Frias (PL-SP) afirmou que “o que está em julgamento não é apenas Bolsonaro, mas a liberdade, a fé e o direito de cada brasileiro escolher em quem acreditar”.

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Já o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) classificou o julgamento como “um dos momentos mais vergonhosos da história do país”.

Na mesma linha, o deputado estadual Gil Diniz (PL) disse que a nova fase do processo faz parte da “farsa do golpe” e desejou força ao ex-presidente e sua família. “Ao longo dos anos vimos inúmeras tentativas de destruir Bolsonaro, mas ele sempre se manteve firme”, escreveu.

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) chamou a ação de “espetáculo político-midiático de vingança” contra aquele que definiu como “o maior líder político da história do país”. Ele convocou apoiadores a irem às ruas no dia 7 de setembro para demonstrar união.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal e filho do ex-presidente, disse que a sessão representa uma “inquisição” conduzida por um “violador de direitos humanos”, culpando a acusação de forçar a narrativa contra seu pai.

O deputado Evair de Melo (PP-ES) também criticou o processo. Em nota, afirmou que “o que está em curso não é um julgamento legítimo, mas uma inquisição moderna, marcada por perseguição política, censura e abuso de poder”. Segundo ele, o STF “extrapola os limites institucionais”, conduzindo um “julgamento de exceção, com motivações ideológicas claras, que busca calar opositores e intimidar a sociedade”.

Senadores também se pronunciaram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se manifestou contra o julgamento. Para ele, o processo é “viciado, manipulado e conduzido por julgadores políticos anti-Bolsonaro”. Segundo afirmou, trata-se de um “justiçamento que fere de morte a democracia, que eles dizem defender”.

O senador Magno Malta (PL-ES) também manifestou apoio a Jair Bolsonaro. Ele afirmou que “o tempo de Deus com o Bolsonaro ainda não acabou” e declarou que sua confiança está em Deus, “quem o levantou”. Em seguida, citou o trecho bíblico de 2 Coríntios 4:8-9: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também demonstrou apoio ao ex-presidente. Na véspera do julgamento, ela esteve com Bolsonaro em um momento de oração e publicou mensagem nas redes sociais: “Força, Bolsonaro. Estamos com você”.

Julgamento de Bolsonaro no STF: saiba quanto tempo vai durar e os horários das sessões

Ex-presidente Jair Bolsonaro, durante julgamento no STF por suposta ‘tentativa de golpe’, em Brasília | Foto: Reuters/Diego Herculano

O STF reservou cinco dias para analisar o processo que envolve Jair Bolsonaro e outros sete acusados por suposta participação em tentativa de golpe de Estado. As primeiras sessões ocorrem nos dias 2 e 3, com início às 9h e às 14h em algumas datas e serão transmitidas pelo canal da TV Justiça no YouTube.

O cronograma prevê oito sessões distribuídas nos dias 2, 3, 9, 10 e 12, com horários que se alternam entre manhã e tarde. O relator, ministro Alexandre de Moraes, realizará a leitura do relatório, abordando elementos da acusação e argumentos das defesas durante a semana inicial do julgamento.

Durante as sessões, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os advogados dos réus apresentarão suas manifestações. Os representantes de Mauro Cid falam primeiro, por causa do acordo de delação premiada. No total, as falas da PGR e das defesas devem somar quase dez horas.

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A PGR, em julho, solicitou a condenação dos acusados por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve apresentar os principais pontos da acusação. Segundo a PGR, Bolsonaro foi o principal articulador e maior beneficiário dos supostos atos contra o Estado Democrático de Direito, agindo sistematicamente durante e depois do mandato para incentivar a insurreição.

Depois da acusação, cada defesa terá uma hora para expor seus argumentos. Os advogados costumam negar envolvimento nos crimes e pedem absolvição. A defesa de Mauro Cid solicitou sua inocência e, em caso de condenação, que a pena não ultrapasse dois anos. Os representantes de Bolsonaro alegam falta de provas que o coloquem no centro da acusação.

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