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Política

Juristas reagem à extensão de medidas contra Heloísa Bolsonaro: ‘Típico de Direito medieval’

Decisão é acusada de violar a Constituição e aplicar sanção a quem não responde por crime algum

Eduardo e Heloísa Bolsonaro
O próprio Eduardo também teve as contas travadas no início da semana | Foto: Reprodução/Redes sociais

O bloqueio das contas bancárias de Heloísa Bolsonaro, mulher do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), provocou críticas de juristas nas redes sociais.

Determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, a medida integra a investigação sobre a atuação do parlamentar nos Estados Unidos, onde ele buscou sanções internacionais contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O próprio Eduardo também teve as contas travadas no início da semana. Ele descobriu a restrição ao tentar realizar transferências por Pix, logo depois do fim da licença do mandato parlamentar.

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De acordo com o ex-procurador da República Deltan Dallagnol, a decisão do STF não encontra respaldo jurídico para incluir a mulher do deputado entre os alvos da sanção. Segundo ele, o fato de Heloísa ser sócia de Eduardo em empresas não autoriza o bloqueio das contas pessoais dela.

“Isso se chama responsabilidade limitada das empresas, um conceito que surgiu no século 19 na Europa justamente para separar o patrimônio de pessoas físicas e jurídicas, trazendo segurança para quem quer empreender”, disse Dallagnol.

Para ele, o bloqueio, se houvesse fundamento, deveria atingir apenas as cotas de Eduardo, na proporção da sua participação societária.

Fabricio Rebelo, jurista e pesquisador da área de segurança pública, também condenou a extensão da medida à mulher do parlamentar. Ele lembrou que a Constituição é clara ao proibir qualquer sanção que ultrapasse a pessoa do condenado.

“Estender medidas judiciais aos familiares do réu não é apenas típico de ditaduras, mas também do Direito medieval”, argumentou Rebelo.

Heloísa ainda não se manifestou sobre o caso

Nas redes sociais, aliados do governo tentam justificar a decisão de Moraes com base em ações adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que revogou vistos dos ministros do STF.

Dallagnol, portanto, rebateu a comparação: “A esquerda parece incapaz de entender que Moraes, como juiz e ministro do STF, tem que decidir com base na Constituição, não com base na Lei de Talião”.

+ Leia também: “Eduardo Bolsonaro diz que STF bloqueou contas de sua mulher”

A defesa de Eduardo ainda não se manifestou sobre a extensão do bloqueio. Heloísa Bolsonaro tomou conhecimento da medida ao tentar realizar operações bancárias nesta quarta-feira, 23.

3 comentários
  1. Gilson Herz
    Gilson Herz

    Pro cabeça de ovo só tem uma solução: cadeia ou morte.

  2. Anderson Hipólito Machado
    Anderson Hipólito Machado

    INIMAGINÁVEL!!
    Eu, na figura de advogado, me recuso a acreditar nessa situação.

    1. Antonio Saggese Netto
      Antonio Saggese Netto

      Pois é meu amigo. O caso, como diz Augusto Nunes, é caso de camisa de força.

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