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Política

'Lula só governa para quem o visitava na cadeia', diz Paulinho da Força

Aliado histórico do PT, o deputado comentou os motivos para a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, do qual foi relator

Paulinho da Força, em sessão na Câmara - 30/04/2026 | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Paulinho da Força, em sessão na Câmara - 30/04/2026 | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O relator do PL da Dosimetria, deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), aliado histórico do PT, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido depois da derrubada do veto ao projeto de lei na última quinta-feira, 30, pelo Congresso Nacional. Ele lamentou que o PT tenha a intenção de ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso.

Parte da entrevista de Paulinho da Força à BandNews – 1º/5/2026

Em entrevista à BandNews, Paulinho atribuiu a derrota do governo principalmente à “falta de diálogo” com deputados e senadores e disse que Lula governa apenas para quem o visitou na cadeia, em referência aos 580 dias que o petista passou preso em Curitiba, depois de ter sido condenado em três instâncias judiciais por corrupção.

“Há muito de política nisso [rejeição de Jorge Messias e derrubada do veto], há o crescimento do Flávio nas pesquisas, mas também há insistência do Lula, falta de e, principalmente, falta de escuta”, declarou Paulinho, aliado histórico do PT. “Eu tenho dito até — e é importante lembrar que eu apoiei o Lula, mas não vou apoiar mais — que o Lula está governando apenas para quem visitava ele na cadeia. Não é nem para o PT, mas para aqueles que visitavam ele na cadeia.”

Segundo ele, Lula insistiu no advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo depois de ter sido alertado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que o nome tinha forte rejeição na Casa. “Na medida em que o presidente Lula não conversa com o Congresso — ou, se conversa, não ouve —, quando o presidente do Senado diz: ‘Esse rapaz não passa, vamos trocar; se não é o [Rodrigo] Pacheco, ex-presidente do Senado, vamos colocar outro, alguém que possa ser aceito pela Casa’, já se tem uma oposição razoavelmente forte no Senado”, declarou, na entrevista.

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Por isso, disse Paulinho, Alcolumbre “lavou as mãos”. O presidente do Senado teria dito ao deputado, sobre Messias: “Eu não vou me desgastar pedindo voto para alguém em quem ninguém quer votar”.

Crítica à articulação do governo

Segundo Paulinho da Força, o resultado — rejeição de Messias — já era esperado. “Eu já sabia do resultado. É muito simples ter uma noção: você ouve alguém do governo, alguém do centro e alguém da oposição, e já entende o cenário”, explicou. “Só alguém muito despreparado não perceberia que ele perderia de goleada no Senado. Então, se o governo não tem ninguém com capacidade de perceber isso, a responsabilidade é do próprio governo — por ter líderes ruins no Senado ou na Câmara, que não conseguem avaliar o ambiente e conquistar votos.”

Alcolumbre e Paulinho da Força, durante sessão conjunta no Congresso - 30/04/2026 | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Alcolumbre e Paulinho da Força, durante sessão conjunta no Congresso – 30/04/2026 | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Perguntado sobre o fim do governo Lula, o ex-aliado disse que “o modelo de gestão do Lula cansou o povo brasileiro”. E descreveu o modelo: “Esse modelo de discurso vazio, de tentar enganar as pessoas e de confronto — de governar apenas para um lado da sociedade —, quando o país precisa de um presidente que governe para todos, que enfrente os problemas reais do Brasil, e não apenas os interesses de um grupo”.

Derrotas no Congresso

Na quarta-feira 28, o governo Lula sofreu uma derrota no Senado. Ao todo, 42 parlamentares votaram contra a indicação de Messias ao STF, e houve apenas 34 votos favoráveis. O governo precisava de 41 votos, pelo menos.

No dia seguinte, a derrota foi no Congresso. Em sessão conjunta, deputados de senadores derrubaram o veto de Lula ao PL da Dosimetria. Na Câmara, foram 318 votos a favor da derrubada do veto, 144 votos a favor dele e cinco abstenções. No Senado Federal, o resultado foi de 24 votos a favor e 49 contra.

Para o resultado contrário, Lula precisaria de ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado. O texto segue para promulgação.

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1 comentário
  1. MAURICIO VALLE
    MAURICIO VALLE

    …os ratos começam a abandonaro barco com vistas as eleicoes.

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