O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio de novas informações e documentos sobre a operação policial realizada no último dia 28 de outubro no Rio de Janeiro, nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.
+ Moraes cobra novas informações sobre operação no Rio
Receba nossas atualizações
A decisão foi proferida no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Moraes determinou uma série de obrigações ao governo do Rio de Janeiro, incluindo a preservação das imagens captadas por câmeras corporais, o envio de laudos necroscópicos com registros fotográficos e balísticos, e a identificação de todos os agentes envolvidos na chamada Operação Contenção.

“Devem ser preservadas, sem qualquer alteração ou edição, as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais durante toda a operação”, determinou o ministro. “O Estado do Rio de Janeiro deverá encaminhar a relação nominal dos agentes que portaram o equipamento, bem como cópias de todos os laudos necroscópicos, com os respectivos registros fotográficos e dados sobre projéteis.”
Relatórios do Ministério Público e acesso da Defensoria
Além das determinações ao governo fluminense, Moraes também ordenou que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) envie ao STF relatórios e laudos de sua perícia técnica independente, bem como cópia integral do procedimento investigatório instaurado após a operação.

“Determino que o Ministério Público encaminhe à Corte cópia de todos os laudos realizados por sua perícia técnica, relatórios conclusivos e eventuais medidas adotadas”, afirma Moraes no despacho.
A Defensoria Pública estadual deverá informar se está sendo garantido o acesso às provas e aos procedimentos necessários ao acompanhamento das famílias das vítimas. Moraes enfatizou que “a transparência e o acesso pleno à prova constituem condição essencial à fiscalização e à proteção dos direitos fundamentais”.
Suspensão de inquérito contra familiares de mortos
Na decisão, Moraes também suspendeu o inquérito policial instaurado pela 22ª Delegacia da Penha, que investigava familiares dos mortos nos complexos da Penha e do Alemão por terem removido corpos do local dos confrontos.
+ Moraes assume ADPF das Favelas e manda PGR se manifestar sobre operação no Rio

“A abertura de inquérito para investigar familiares de vítimas, em razão da remoção de corpos, afronta diretamente as determinações desta Corte na ADPF 635”, escreveu o ministro. “Em vez de investigar cidadãos em sofrimento, o Estado deve garantir o amparo, a proteção e o esclarecimento dos fatos.”
O ministro avaliou que a investigação contraria o espírito da decisão do Supremo, que impõe a observância de protocolos de preservação da cena do crime e respeito à dignidade das vítimas.
Cobrança ao Tribunal de Justiça e ao CNMP
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) deverá encaminhar ao STF a relação das pessoas presas com e sem mandado judicial, além dos resultados das audiências de custódia.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Já o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) foi oficiado para prestar informações sobre eventual reclamação que teria paralisado pedidos do Ministério Público Federal (MPF) sobre a operação.
“A atuação do Ministério Público Federal nesta ADPF decorre de atribuições fixadas pelo Supremo Tribunal Federal, e não se confunde com o controle externo da atividade policial estadual a ser exercido pelo MP-RJ”, pontuou Moraes.
Moraes cita perícias
O ministro também citou relatos apresentados durante a audiência com autoridades e entidades da sociedade civil, que apontaram supostas falhas estruturais nas perícias, precariedade dos serviços de criminalística, e dificuldades enfrentadas por familiares dos mortos para ter acesso aos laudos e à assistência jurídica.
“Os relatos indicam dificuldades para o acesso das famílias às perícias, ausência de estrutura adequada nos serviços de criminalística e impedimentos ao pleno exercício das funções das defensorias públicas”, escreveu. “Esses elementos reforçam a necessidade de rigorosa preservação das provas e de acompanhamento judicial constante.”
Impressionante que ainda não prendeu ninguém.
Grande ícone da jurisprudência quântica. O gênio da magia e do ilusionismo
Hora dos governadores que fizeram aquela reuniao de apoio ao governador Claudio voltarem la e assumirem junto com o gov Claudio essa bronca e dar de costas para o STF esse pedido incostitucional.