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Política

O castigo de Lula no 1º de Maio

Presidente conseguiu reunir menos de 2 mil pessoas — seu inimigo mortal levou 185 mil à Paulista, ou 90 vezes mais

O presidente Lula, na Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo - 1º/5/2024 | Foto: Taba Benedicto/Estadão Conteúdo
O presidente Lula, na Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo - 1º/5/2024 | Foto: Taba Benedicto/Estadão Conteúdo

(J. R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 4 de maio de 2024)

O Brasil teve um déficit de R$ 250 bilhões nas contas públicas em 2023; nunca antes na história deste país os gastos do governo foram tão espetaculares. De acordo com o que dizem o presidente da República e a ciência econômica da extrema esquerda, a economia do Brasil teria de estar batendo recordes de investimento. O déficit público, segundo garantem em seu “projeto de país”, é essencial para gerar investimentos e, com isso, permitir o crescimento econômico, a criação de empregos e a felicidade geral da nação. “Gasto é vida”, diz Lula. No mundo das realidades, porém, ninguém sabe até hoje por onde andariam esses investimentos. O que se sabe é que o governo gastou R$ 250 bilhões a mais do que podia no ano passado. O que deveria ter acontecido em função disso não aconteceu.

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Não aconteceu, e nem vai acontecer, porque a única estratégia econômica em que Lula e seu governo acreditam, ou dizem acreditar, é tirar o máximo de dinheiro dos cidadãos, através dos impostos mais altos que o Brasil já teve, para promover o “crescimento econômico” e a distribuição de renda. São tarefas que, segundo eles, só “o Estado” é capaz de fazer. O problema, nessa conversa, é que o governo só consegue cumprir a primeira parte do contrato. Na hora de arrecadar, é uma potência mundial. Na hora de investir e distribuir renda, é um purgatório de Terceiro Mundo — só investe na sua própria máquina e só distribui renda para si mesmo. O Estado faz, na prática, o exato contrário do que a esquerda e Lula dizem: é hoje o maior concentrador de renda do Brasil. Basta olhar um pouco para Brasília. Não produz um parafuso de rosca, mas tem a maior renda per capita do país.

Lula reuniu menos de 2 mil pessoas em Itaquera

A “reforma tributária” que acaba de ser entregue à Câmara de Deputados é a última promessa de mais do mesmo. Vale a pena lembrar, à essa altura, a pergunta feita tempos atrás pelo ministro Fernando Haddad. “Se déficit público reduzisse a pobreza, porque o Brasil tem déficit público há 50 anos e continua tendo milhões de pobres?” Não recebeu resposta. Déficit também não ajuda a crescer. O governo e seu sistema de propaganda tentam convencer a população que os 2% de crescimento econômico que esperam em 2024 é um notável sucesso. Sucesso? Na vida real é uma prova de fracasso. Com os problemas que tem, e crescendo a 2%, o Brasil vai continuar pobre pelos próximos 500 anos.

O castigo está aí. Na sua triste tentativa de levar as massas à rua, no dia 1º de Maio, Lula conseguiu reunir menos de 2 mil pessoas — seu inimigo mortal levou 185 mil à Paulista, ou 90 vezes mais, segundo os cálculos dos mesmos calculadores. Um jogo da Portuguesa Santista tem mais público.

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