O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 26, que o mundo está “cheio de nego maluco” e voltou a criticar declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intenção de assumir o controle de territórios estratégicos, como a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá.
Ao defender o fortalecimento da capacidade militar brasileira, Lula afirmou que o país precisa estar preparado diante do atual cenário internacional. As declarações foram feitas durante a cerimônia de batismo da Fragata “Cunha Moreira”, em Santa Catarina.
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“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa”, disse. “Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano (Trump), ele quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estadunidense. Vai tomar o Canal do Panamá, sabe, onde que nós estamos?”
Na sequência, o presidente disse que o cenário geopolítico mundial exige atenção dos países e voltou a defender investimentos na área militar.
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“Estamos vendo o mundo vivendo a maior concentração de conflitos da história depois da Segunda Guerra, e temos que lembrar que ninguém respeita quem não se respeita”, acrescentou.
A referência feita por Lula diz respeito a declarações feitas por Trump no início deste ano, quando o presidente norte-americano afirmou que não descartava adotar medidas mais duras para ampliar a influência dos Estados Unidos sobre áreas consideradas estratégicas, como a Groenlândia e o Canal do Panamá.
Tensões entre Brasil e EUA
As declarações ocorrem em um momento de aumento das tensões entre Brasília e Washington. Além da investigação comercial aberta pelo governo Trump, que poderá resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, os dois países também passaram a divergir em temas relacionados à segurança e ao combate ao crime organizado.
Nesta semana, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu a uma carta enviada pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e manteve a posição da Casa Branca sobre as sobretaxas aos produtos brasileiros, reafirmando que a audiência pública marcada para 6 de julho será o canal oficial para discutir o tema.

No documento, Rubio agradeceu a visita recente de Flávio a Washington e afirmou compartilhar da visão do senador sobre a importância da relação bilateral.
“Compartilho sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental”, escreveu o secretário.
Rubio também fez referência à proposta apresentada por Flávio de disponibilizar uma equipe de transição para interlocução com Washington caso seja eleito presidente da República.
“Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso venha a ser eleito”, ressaltou Rubio. “Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos.”
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