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Política

O que a oposição brasileira deveria fazer diante das tarifas de Trump

A responsabilidade de tentar resolver o problema é do governo brasileiro

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump | Foto: REUTERS/Nathan Howard/File
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Nathan Howard/File/Reuters

Depois que Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA) como forma de retaliação pelas ações censoras praticadas no país, os processos ilegais (principalmente contra Jair Bolsonaro) e políticas comerciais consideradas lesivas aos norte-americanos (como as decisões do STF que afetam companhias de mídias sociais, uma agenda cara ao governo Trump), o assunto rapidamente se tornou o mais importante na agenda política do Brasil. Estamos recebendo uma ofensiva tarifária robusta do país mais poderoso de nosso hemisfério.

Aos fatos: a oposição brasileira vinha atuando nos EUA para denunciar, junto a integrantes do governo norte-americano e parlamentares do Partido Republicano, as ações autoritárias do Judiciário brasileiro, que implantou em nosso país, com a conivência do Executivo e de setores da grande imprensa e a omissão da Câmara dos Deputados e do Senado, um regime autoritário. Não me estenderei em argumentos para demonstrar esse ponto, já que isso vem permeando quase tudo quanto tenho dito sobre o cenário atual do país e precisamos avançar na reflexão, não estacionar. Essa realidade, a meu ver, já está exaustivamente demonstrada.

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Enfrenta-se um regime autoritário aumentando o custo individual para a manutenção do sistema, o que significa atingir os interesses dos artífices do autoritarismo. Por isso, a oposição, além de denunciar internamente o que acontece — o que, infelizmente, segue sem persuadir nosso Legislativo a tomar uma atitude à altura de suas prerrogativas constitucionais —, vinha pedindo sanções individuais no exterior aos togados e demais responsáveis, mediante a aplicação, principalmente, do dispositivo da Lei Magnitsky.

Depois que Lula desafiou os EUA, coroando uma trajetória farta, nestes últimos dois anos e sete meses de governo, de perseguição aos holofotes como liderança antiocidental e anti-Israel, com a manifestação dos BRICS em pleno Rio de Janeiro defendendo o Irã e sua pregação contra a centralidade internacional do dólar, Trump decidiu sancionar o país inteiro. É uma decisão de política comercial que os EUA têm o direito de adotar. Não é o que a oposição estava pedindo. Ninguém pode lançar confetes ou fogos e organizar uma grande festa porque o Brasil está sendo “supertarifado”. Amo meu país, quero vê-lo rico, produtivo e saudável. No entanto, é intelectualmente desonesto não reconhecer que nossas autoridades “procuraram” muito por esse grave problema ao bradarem de maneira insistente e inconsequente para serem “encaixadas” numa briga que não nos compete e ao ameaçarem concretamente interesses norte-americanos.

O que a oposição brasileira — liberal, conservadora, libertária, bolsonarista, Partido Novo, antipetismo, quem for — deveria fazer? Na minha opinião, continuar dialogando com as forças políticas norte-americanas que possam vir a impor sanções individuais e denunciar o que acontece em nosso país para o exterior, de um lado, e, de outro, fazer o que recomenda o seu próprio nome de “oposição”, ou seja, opor-se — ao governo brasileiro, seja o governo oficial do PT de Lula, seja o governo prático do STF, que é o que hoje realmente comanda o país. A oposição brasileira não toma decisões por Donald Trump e não tem mandato para governar o Brasil. A responsabilidade de tentar resolver o problema é do governo brasileiro. A oposição deve mostrar isso à sociedade e cobrar ao governo que encaminhe uma solução. Compreendo o receio de que Lula “emplaque” a narrativa de que a oposição é culpada e de que devemos todos nos unir em nome da proteção da soberania nacional — uma narrativa ridícula e repugnante, já que estamos falando do mesmo sujeito que queria, para nos atermos a um exemplo, trazer um especialista chinês para ensinar o Brasil a censurar as redes sociais.

bolsonaro trump
Os presidentes Donald Trump (à esq) e Jair Bolsonaro (à dir), durante jantar em Mar-a-Lago, na Flórida – 7/3/2020 | Foto: Alan Santos/PR

No entanto, manifesto certo ceticismo diante dessa interpretação. Estamos a mais de um ano das eleições, que infelizmente, sem mudanças de temperatura e pressão, deverão transcorrer sob efeito de um poder não-eleito persistentemente ativista. Se a oposição for minimamente competente, acredito que a sociedade tenderá a pressionar suas autoridades para que resolvam um eventual problema prolongado imposto por essa tarifação. De qualquer maneira, independentemente das consequências políticas, trata-se de uma questão de deveres e responsabilidades. A responsabilidade é de Lula, Moraes, Barroso e companhia limitada. Eles que se resolvam com Trump. A oposição e todos os demais brasileiros só têm um dever: cobrar que façam isso.

5 comentários
  1. Dario Palhares
    Dario Palhares

    De jeito nenhum. Quero ver uma direita atuante que não espera governo e que sim, vai lá nos States negociar e chamar a razão administrativa. Parabéns para o toco do Trump sobre os 8 Togados! Mas a barreira tarifária foi uma atitude estúpida e sem foco definido, e isso a oposição de direita faz bem em ir lá mostrar. Tem que mostrar liderança, parem de ficar colocando tudo nas costas do governo. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

  2. Daniel BG
    Daniel BG

    Somente os idiotas, como são os que aplaudem ao ladrão, que caem nesse “boa noite cinderela” que você contou.

  3. Daniel BG
    Daniel BG

    Vou aproveitar a matéria que busca as responsabilidades.

    Escrever sobre o lado político brasileiro que procura a conservação da tradição, da propriedade e da herança, do livre empreendedorismo, da liberdade do pensamento SADIO não se começa culpando esse lado político.

    Esse lado político é notoriamente minoria.

    Uma indignação popular é tudo de ruim, exceto se for direcionada contra o “fato gerador”.

    Quem foram os que acabaram com a Lava Jato? Os que tiraram um culpado da cadeia e o colocaram, ao criminoso, na cadeira presidencial? Como não se pode contestar a lisura das urnas, carcaças, eletrônicas?
    Estamos cansados de saber.

    Só uma reflexão: quando a oposição brasileira – liberal, conservadora, libertária, bolsonarista, Partido Novo, antipetismo (o que for) chamar àqueles que querem uma mudança, não mintam para si próprios e se façam diferentes daqueles que saem para os encontros e que mostram SOLIDARIEDADE no combate a desinformação, à corrupção, a essa insegurança jurídica provocada e vocês sabem por quais personagens.

  4. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Além das “autoridades” brasileiras, nenhum brasileiro tem responsabilidades diante das irresponsabilidades dos atuais ocupantes dos poderes legislativo, executivo e judiciário.
    O tarifaço é uma opção que prejudica ambos os países, mas os efeitos nefastos são muitos maiores no Brasil com um PIB de 2,174 trilhões de dólares diante do PIB norte americano de 27,72 trilhões.
    A balança comercial é favorável ao Brasil com exportação de suco de laranja, café, auto peças que ficarão mais caras para os compradores. Na produção brasileira, a Embraer vai pagar mais pelas turbinas dos aviões, indústrias químicas terão seus custos elevados.
    O caminho universal para a solução, mas as “autoridades” brasileiras não querem negociar e diante deste quadro atuar sobre o CPF dos alvos é menos danoso ao país.

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