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Política

Oposição quer impeachment de Moraes depois de decisão da Justiça italiana sobre Zambelli

Cabo Gilberto afirma que rejeição do pedido de extradição reforça tese de violações ao devido processo legal e à imparcialidade judicial

Moraes Câmara
A oposição protocola mais um pedido de impeachment de Moraes no Senado Federal | Foto: Divulgação/STF

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), protocolou nesta quarta-feira, 17, um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A representação foi protocolada no Senado e utiliza como principal fundamento a decisão da Justiça da Itália que rejeitou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli.

O documento apresentado pela oposição sustentou que a decisão da Justiça italiana teria apontado falhas relacionadas à imparcialidade do julgador, ao contraditório e à ampla defesa no processo que resultou na condenação da parlamentar brasileira.

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+ Itália cita Moraes e diz que Zambelli sofreu julgamento parcial no Brasil

A ex-deputada Carla Zambelli: transferência depois de agressões em presídio | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A ex-deputada Carla Zambelli | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Para os parlamentares conservadores, a recusa italiana de extraditar Zambelli ultrapassou uma simples divergência jurídica entre países e representa um questionamento internacional à condução do processo.

“A decisão da Corte italiana alcança diretamente a credibilidade do sistema de justiça brasileiro perante a comunidade internacional e lança dúvidas sobre a observância, pelo Estado brasileiro, dos compromissos assumidos nos tratados internacionais de proteção aos direitos humanos dos quais é signatário”, ressaltou o grupo de congressistas.

O pedido enquadra a conduta de Moraes nos itens 2, 4 e 5 do artigo 39 da Lei 1.079/1950, norma que regula os crimes de responsabilidade de ministros do STF. 

Imparcialidade

No mérito, a denúncia sustentou que a atuação de Moraes teria concentrado funções incompatíveis com o sistema acusatório previsto na Constituição, uma vez que a Corte italiana teria identificado problemas relacionados à acumulação de funções investigatórias, cautelares e jurisdicionais.

“O que se questionou foi a concentração de funções investigatórias, cautelares e jurisdicionais em torno da mesma autoridade judicial, circunstância considerada incompatível com os padrões internacionais contemporâneos de proteção ao devido processo legal”, apontou o ofício da oposição.

+ Advogado de Carla Zambelli diz que decisão italiana expõe atuação de Moraes

A representação afirma ainda que o ministro teria participado de diferentes etapas da persecução estatal envolvendo Zambelli, comprometendo, na visão dos parlamentares, a imparcialidade objetiva exigida de um magistrado.

“O juiz não investiga. O juiz não acusa”, afirmam os parlamentares. “O juiz não conduz estratégias persecutórias. O juiz julga.”

Oposição cita decisão italiana

cabo gilberto silva
O íder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto, já havia apresentado outros pedidos de impeachment contra Moraes | Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Durante a apresentação da denúncia, Cabo Gilberto afirmou que a decisão da Justiça italiana reforçou críticas que, segundo ele, vêm sendo feitas pela oposição desde o início da legislatura.

“A Justiça da Itália escancarou aquilo que estamos alegando e falando todos os dias aqui: que o ministro Alexandre de Moraes é parcial, é vítima, é violador de direitos humanos e do devido processo legal”, declarou. “Como líder da oposição, tenho a obrigação de lutar pelo restabelecimento do Estado de Direito e pela democracia de fato no Brasil.”

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC)
A deputada Júlia Zanatta também criticou a atuação de Moraes no processo de Zambelli no STF | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) declarou que a decisão da justiça italiana “mostrou que o Brasil virou uma zona jurídica”. “Não estou dizendo que a Corte utilizou exatamente essas palavras, mas foi isso que demonstrou ao mundo.”

“O Brasil precisa reequilibrar as forças entre os Poderes”, ressaltou a parlamentar. “Cada Poder é importante. Mas hoje existe um juiz, Alexandre de Moraes, que se apresenta como vítima, acusador e julgador, desempenhando todos os papéis ao mesmo tempo.”

O que os deputados solicitam

No documento encaminhado ao presidente Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), os parlamentares requerem:

  • recebimento da denúncia por crime de responsabilidade;
  • abertura de processo de apuração contra Alexandre de Moraes;
  • criação de comissão especial para analisar o caso;
  • notificação do ministro para apresentação de defesa; e
  • ao final, a perda do cargo e a inabilitação para exercício de função pública por oito anos.

A admissibilidade da denúncia depende de decisão do presidente do Senado, responsável por analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

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