Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de “ave do terror”, grupo extinto de grandes predadores que dominou o topo da cadeia alimentar nas Américas por milhões de anos. A descoberta foi publicada em 26 de março, em estudo liderado por Victor Hugo M. Machado e outros especialistas.
Um único osso encontrado na Bahia sugere que essas aves sobreviveram no Brasil até cerca de 25 mil anos atrás. O período é relativamente “recente” na escala geológica. O fragmento da pata serviu de base para a identificação de uma espécie até então desconhecida, pertencente ao grupo popularmente conhecido como “aves do terror”.
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O material analisado consiste em um tibiotarso incompleto, recuperado em uma caverna da Chapada Diamantina. Inicialmente, os pesquisadores da área interpretaram o fóssil como pertencente a um urubu, mas análises mais detalhadas revelaram características únicas que permitiram sua reclassificação.
O animal recebeu o nome científico Eschatornis aterradora. A descrição foi publicada no periódico Papers in Palaeontology. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de instituições argentinas assinam o trabalho.
Ave do terror
As chamadas “aves do terror”, da família Phorusrhacidae, formam um grupo de predadores que existiu entre o Eoceno e o Pleistoceno. O novo estudo descreve um gênero e espécie inéditos com base no material encontrado, ampliando o conhecimento sobre a presença desses animais no Nordeste brasileiro.
Segundo os pesquisadores, a nova espécie pertence à subfamília Psilopterinae, composta de aves de menor porte e possivelmente com baixa capacidade de voo. A morfologia preservada apresenta características diagnósticas inéditas, o que reforça sua identificação como uma espécie até então desconhecida pela ciência.
Além da classificação, o estudo analisou aspectos da paleoecologia do animal, como o tipo de habitat e a estimativa de massa corporal. Esses dados ajudam a compreender melhor como esses predadores viviam e se adaptavam ao ambiente.
A descoberta amplia as perspectivas sobre a diversidade e a evolução das últimas aves do terror, que desapareceram no final do Pleistoceno.
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