O governo brasileiro anunciou, nesta quinta-feira, 4, a intenção de adquirir até 20 novos caças Gripen, da fabricante sueca Saab. A decisão ocorre em meio à restrição orçamentária para as Forças Armadas.
O ministro da Defesa, José Mucio, formalizou o interesse na aquisição das aeronaves em carta enviada ao ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson. Ainda não há contrato assinado nem cronograma definido para a eventual aquisição, mas, se a negociação avançar, a frota brasileira passará das atuais 36 aeronaves contratadas para 56 unidades.
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Autoridades dos dois países apresentaram a ampliação da frota como parte de um projeto de longo prazo que vai além da compra de aeronaves. Em nota, a Saab afirmou que o Brasil está satisfeito com o desempenho do Gripen e que está preparada para iniciar tratativas caso as negociações avancem.
Recentemente, o Ministério da Defesa perdeu quase R$ 4,5 bilhões no contingenciamento anunciado pela equipe econômica.
Gripen, o preferido do Brasil
A aquisição dos Gripen é parte de um processo de modernização da aviação de combate brasileira iniciado ainda no fim dos anos 1990.
Depois de uma concorrência que se arrastou por mais de uma década, a Força Aérea Brasileira escolheu o Gripen em 2013. O contrato para 36 aeronaves foi assinado em 2014.
Na época, a FAB considerava necessária uma frota de cerca de 120 caças avançados para atender plenamente às necessidades operacionais do país. Restrições orçamentárias reduziram o programa original para 36 unidades.
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O interesse em ampliar a frota não é novo. Em 2022, o então comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, afirmou que a força desejava adquirir pelo menos mais 30 aeronaves.
Nos últimos anos, Brasil e Suécia passaram a negociar uma ampliação da parceria. Em paralelo, o governo sueco decidiu comprar aeronaves de transporte C-390 da Embraer, o que fortaleceu a cooperação entre as indústrias de defesa dos dois países.
Produção nacional ganha protagonismo
Um dos pontos centrais do acordo é a participação da indústria brasileira. Parte dos Gripen já é produzida em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde Saab e Embraer mantêm uma linha de montagem e integração de sistemas. É possível que os novos caças sejam fabricados no Brasil.
Caso o acordo se confirme, a expansão da produção exigirá aumento da capacidade industrial instalada. A Saab anunciou ainda a abertura de um novo centro de pesquisa e desenvolvimento em São José dos Campos, cidade onde nasceu a Embraer e que concentra parte importante da indústria aeroespacial brasileira.
Ao contrário de aquisições militares convencionais, o acordo firmado entre Brasil e Suécia incluiu treinamento de engenheiros brasileiros, desenvolvimento conjunto de sistemas e participação nacional em etapas relevantes da produção.
Custos e atrasos permanecem sob escrutínio
A expansão da frota ocorre enquanto o programa continua enfrentando questionamentos sobre cronograma e execução financeira.
Dados da própria Força Aérea mostram que, até março deste ano, aproximadamente 60% dos recursos previstos para o projeto já haviam sido desembolsados. No mesmo período, apenas 11 dos 36 aviões contratados haviam sido entregues para operação.
Segundo a FAB, parte dos custos adicionais está relacionada ao desenvolvimento das versões Gripen E e Gripen F, que incorporaram tecnologias inéditas e demandaram um amplo processo de transferência tecnológica.
O primeiro Gripen F, versão de dois lugares desenvolvida com participação de engenheiros brasileiros, foi apresentado nesta semana em Linköping, na Suécia. A FAB deverá receber oito aeronaves desse modelo.
Autoridades da Saab argumentam que a maturidade alcançada pelo programa tende a reduzir custos e acelerar a produção nos próximos anos.
A expectativa é que as entregas do contrato original sejam concluídas até 2027.
Leia também: “Apagão nas Forças Armadas”, reportagem de Fábio Bouéri publicada na Edição 279 da Revista Oeste





































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