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Política

PF usou decisão sobre relógio de Lula, agora anulada pelo TCU, para indiciar Bolsonaro

Acórdão de 2016 que mandava devolver itens de luxo foi citado 26 vezes em relatório da Polícia Federal

Novo entendimento do tribunal será usado pela defesa de Bolsonaro para desmontar a tese de que houve crime | Foto: Anderson Riedel/PR
Novo entendimento do tribunal será usado pela defesa de Bolsonaro para desmontar a tese de que houve crime | Foto: Anderson Riedel/PR

O julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) que livrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de devolver o relógio de luxo recebido de presente desmontou a tese usada pela Polícia Federal (PF) para embasar o pedido de indiciamento de Jair Bolsonaro no caso das joias sauditas. As informações são do jornal O Globo.

O inquérito que apura se o ex-presidente se apropriou indevidamente de presentes dados por autoridades estrangeiras tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Segundo apurou a coluna de Malu Gaspar, no relatório de 476 páginas, a PF menciona 26 vezes o acórdão do TCU de 2016 que dizia que presentes de luxo deveriam ser incorporados ao patrimônio público — em todas, como referência legal para o tratamento dos itens recebidos por presidentes da República.

Essa tese — que presentes de luxo deveriam ser incorporados ao patrimônio público — foi proferida em 2016, quando o TCU analisou objetos de valor que ficaram com Lula depois de seus dois mandatos.

O entendimento, no entanto, foi desfeito na última quarta-feira, 7, quando o TCU autorizou Lula a ficar com um Cartier avaliado em pelo menos R$ 60 mil. A Corte decidiu que não há lei específica sobre presentes, e portanto a Corte de Contas não pode obrigar nenhum ex-presidente a devolver presentes, independentemente do valor.

O acórdão aprovado em 2016 estabelecia que apenas itens “personalíssimos”, de uso pessoal e baixo valor, poderiam ser incorporados ao patrimônio particular dos presidentes. Não é o caso das joias sauditas, avaliadas em R$ 6,8 milhões.

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Além do acórdão, a PF também cita, no relatório, uma lei de 1991 sobre preservação dos acervos privados dos chefes do Executivo e que veda a comercialização dos bens para o exterior sem a chancela da União.

O novo entendimento do tribunal será usado pela defesa de Bolsonaro para desmontar a tese de que houve crime — o que pode afetar a argumentação da PF.

PF diz que decisão não interfere na investigação de Bolsonaro

Bolsonaro deu declaração em visita ao Recife neste sábado, 10 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Bolsonaro disse neste sábado, 10, que vai leiloar joias e doar dinheiro à Santa Casa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois do julgamento, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a decisão do TCU não interfere na investigação de Bolsonaro, porque ela vai além de “questões meramente administrativas” e envolve “diversas condutas além do recebimento das joias, tais como a omissão de dados, informações, ocultação de movimentação de bens e advocacia administrativa”.

Leia também: “Bolsonaro anuncia que vai leiloar joias sauditas e doar dinheiro à Santa Casa de Juiz de Fora (MG)”

De acordo com ele, cabe à Justiça criminal definir se houve ou não crime, e isso não passa pelo TCU.

10 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Andrei Rodrigues é capacho do Flávio Dino.

  2. Christian
    Christian

    A PF virou a Casa da Mãe Joana. Quem acredita nesta instituição ?
    MAIS NINGUÉM.

    1. Leandro Rodrigues de Paula
      Leandro Rodrigues de Paula

      Só esperando as vaias a PF caso desfile no 7 de setembro (se o povo for).

  3. Jarlan Barroso Botelho
    Jarlan Barroso Botelho

    A Polícia Federal, comandada pelo militante Andrei Rodrigures, conseguiu destruir a excelente imagem que possuía, e não cansa de passar vergonha. A última, é essa ópera bufa chamada “Caso das jóias sauditas”. Antes, eles usavam como único meio de sustentar a tese absurda, o acórdão do TCU. Agora, que o acórdão foi modificado para livrar o Nine, eles afirmam que a mudança do acórdão nada altera o indiciamento. Mais um momento vergonha alheia protagonizada pelos militantes da PF.

  4. R Fortes
    R Fortes

    O que falta para a grande maioria de bem do contingente da PF se opor a uma minoria do mal cooptada por esse regime de exceção?
    Quando Maduro cair e 2026 com COMPROVANTE IMPRESSO DO VOTO no Brasil, haverá consequências contra os agentes dessa ditadura.

  5. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    O cara chega em uma corporação respeitada , admirada e aí se dispõe a trabalho totalmente sujo ignorando leis , servindo ao rei corrupto , como pode uma corporação “ que com certeza a maioria é admirada pelo povo mas que deveriam se rebelar diante de todos os absurdos que a minoria vem cometendo “ , ter um diretor nesse nível.

    1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
      Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

      Isso é o pior, as pessoas que se sujeitam a tal e não se rebelam.

  6. Paulo Roberto Hasse
    Paulo Roberto Hasse

    Resumindo: então mesmo com o parecer de 2016 que mandava devolver todos os presentes recebidos, o L mantinha em seu poder o tal relógio Cartier? É o relógio que agora o TCU diz que o L pode manter , o que já estava com ele ? E a PF não fez antes nenhuma investigação sobre isto ? Todos os demais presentes foram devolvidos pelo L ? Só para entender bem o assunto.

  7. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Outro comprado sem vergonha um gatuno que deve sofrer muito

  8. Cláudio Moreira Vicente
    Cláudio Moreira Vicente

    Faço uma pergunta, quem será preso na PF por forjar provas contra Jair Bolsonaro?

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