A produtora Go Up Entertainment gastou US$ 13,3 milhões para produzir a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, batizada de Dark Horse. A quantia equivale a pouco mais de R$ 75 milhões na cotação atual. O portal Metrópoles divulgou o dado nesta sexta-feira, 12, com base em um laudo técnico contratado pela própria empresa de cinema e anexado a um inquérito policial. Oeste teve acesso ao material.
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A Polícia Civil de São Paulo investiga se o Instituto Conhecer Brasil (ICB) desviou parte de um contrato de R$ 108 milhões assinado com a prefeitura paulistana para pagar a obra audiovisual. A dona da Go Up e representante do ICB, Karina Ferreira da Gama, sofreu mandados de busca e apreensão no último dia 1º de junho.
Perícia aponta uso de Pix e nega dinheiro público
O documento do Instituto de Perícia Investigativa (IPI) discrimina que as gravações consumiram R$ 54,2 milhões em solo norte-americano e R$ 20,9 milhões no Brasil. O longa-metragem tem lançamento previsto para este ano e traz astros de Hollywood no elenco, como o ator Jim Caviezel no papel do ex-mandatário brasileiro. O fundo Heavengate Development Fund LP injetou o dinheiro por meio de contas do Banco do Brasil, utilizando transferências via Pix na maior parte das transações em território nacional.
Os peritos particulares alegam que a auditoria financeira comprovou a origem 100% privada dos recursos aplicados na rodagem do filme. A defesa juntou contratos de investimentos, ordens de remessa internacional e extratos bancários para tentar afastar a tese dos investigadores de que houve uso de verbas da prefeitura na produção cultural.
Orçamento oficial ficou abaixo do montante atribuído a Vorcaro
A planilha de custos entregue à Justiça revela que o orçamento inicial aprovado pelos diretores era de US$ 16 milhões, cerca de R$ 89,7 milhões. A cifra declarada é R$ 44,8 milhões menor do que o montante atribuído a uma negociação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2025.
Mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil mostravam conversas de Vorcaro com intermediários para montar um fluxo financeiro em favor do projeto. O plano previa o pagamento de parcelas que somavam US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões. A planilha da perícia atual dividiu os gastos reais entre etapas de desenvolvimento de roteiro, pré-produção, filmagens em cidades brasileiras e pós-produção nos Estados Unidos.
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