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Política

PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 mi a empresa de aliada de traficante em MG

Os partidos afirmam que a documentação do táxi aéreo estava regular na época das contratações

Juliana Costa Nobre Magalhães em frente a um dos aviões
Juliana Costa Nobre Magalhães em frente a um dos aviões | Foto: Reprodução/ Instagram CNM Aviação

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O PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais pagaram R$ 1,1 milhão à CNM Aviação, empresa de táxi aéreo de Juliana Costa Nobre Magalhães, denunciada pelo MPF em 2023 por formação de quadrilha ligada à traficante Karina Campos, foragida. Os pagamentos ocorreram entre abril e setembro de 2022, com uma nota adicional em junho de 2023. Juliana é citada como "gerente-executiva" da organização criminosa e, segundo o MPF, administrou a CNM para beneficiar negócios ilícitos.

O PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais pagaram pelo menos R$ 1,1 milhão à CNM Aviação. A empresa de táxi aéreo pertence a Juliana Costa Nobre Magalhães. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Juliana em 2023 por formação de quadrilha.

A investigação apura um grupo ligado à traficante Karina Campos. Conhecida pela polícia como “rainha do pó”, Karina é uma das maiores traficantes do país. Atualmente, ela está foragida. As informações são do portal Metrópoles.

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Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registram os pagamentos dos partidos. O PSDB Nacional pagou R$ 551,7 mil, e o PSD de Minas Gerais destinou R$ 555,4 mil à empresa. Segundo o MPF, Juliana atuava como “gerente-executiva” da organização criminosa investigada pela Polícia Federal na Operação Flight Level, que apura o envio de cocaína para a Europa. Ela é irmã do traficante Leonardo Costa Nobre.

PSDB e PSD dizem desconhecer investigações

Os gastos do PSDB ocorreram em abril e maio de 2022. O ex-deputado Bruno Araújo presidia o partido na época. As despesas do PSD de Minas concentraram-se entre maio e setembro de 2022, além de uma nota de R$ 22,2 mil em junho de 2023.

A CNM Aviação abriu em 2021 no mesmo hangar da BHZ Táxi Aéreo, empresa ligada a Leonardo Costa Nobre. Em 2020, as autoridades apreenderam 175 kg de cocaína em Lisboa nesse hangar, então operado pela BHZ.

A empresa também recebeu verbas de campanhas eleitorais em 2022. A campanha de Alexandre Kalil (PSD) ao governo de Minas pagou R$ 54 mil. As campanhas do deputado federal Eros Biondini (PL) e da deputada estadual Chiara Biondini (PL) destinaram R$ 14,7 mil e R$ 14,1 mil, respectivamente. Em abril deste ano, a empresa passou a arrendar uma aeronave do deputado federal Fred Costa (PRD-MG), que afirmou desconhecer a investigação.

O PSDB afirmou que a empresa apresentou a documentação necessária e que tudo ocorreu dentro da lei. Além disso, o partido disse que não tem vínculo com a empresa.

“O PSDB contratou, em 2022, uma empresa de táxi aéreo com CNPJ ativo, regular e com autorização para operar, que apresentou toda a documentação exigida para a prestação do serviço, incluindo certificados, seguros e licenças dos órgãos competentes”, disse, em nota.

O PSD, por sua vez, declarou que desconhecia as investigações. “Nas eleições gerais de 2022, o partido, depois de análise rigorosa do CNPJ e demais dados, contratou a empresa para prestação de serviços de táxi aéreo, conforme previsto pela legislação”, afirmou em nota. “Não se verificou, à época, nenhuma irregularidade.”

Leia também: “PSDB reage ao avanço do PSD, e Aécio acusa Kassab de agir como ‘fundo de abutre'”

Atuação de Juliana Costa Nobre Magalhães

O MPF cita Juliana como “gerente-executiva” da organização de Karina Campos, que está foragida. A Justiça Federal em Minas Gerais comanda o processo. Juliana cumpre liberdade depois de prisão preventiva. O MPF afirma que ela assumiu os negócios ilícitos do irmão depois da prisão dele e de André Eleutério.

A denúncia do MPF detalha a atuação: “Juliana constituiu e administrou, em nome de André e de Leonardo, a empresa CNM Aviação e Táxi Aéreo no mesmo endereço da empresa BHZ, permitindo a ambos que continuassem auferindo vantagens econômicas por meio de bens e ativos que constituem produto ou proveito econômico do tráfico internacional de drogas e da lavagem de dinheiro praticados pela organização criminosa”, explica o órgão.

“Com plena consciência de que sua conduta favorecia os negócios ilícitos da organização criminosa gerenciada por André e por Leonardo, Juliana emprestou seu nome para a constituição de uma nova pessoa jurídica, a CNM Aviação, a fim de ‘reativar’ o hangar anteriormente utilizado pela empresa BHZ”, continua a denúncia.

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