publicidade
Política

Quem é o 'povo' venezuelano defendido pelo descondenado?

A função do discurso sobre 'autodeterminação' é simples: impedir qualquer condenação moral aos regimes que seguem a cartilha do Foro de São Paulo

Lula e Hugo Chávez no Palcio de Miraflores, em Caracas, Venezuela (8/8/2010) | Foto: Shutterstock
Lula e Hugo Chávez no Palcio de Miraflores, em Caracas, Venezuela (8/8/2010) | Foto: Shutterstock

Um dia depois do encontro entre Celso Amorim… digo, Mauro Vieira e Marco Rubio, o descondenado-em-chefe voltou a falar sobre a crise na Venezuela. E, como de costume, o fez com aquela mistura de sentimentalismo barato e cinismo calculado que o consagrou como o maior manipulador de emoções políticas da história recente do país. “O povo venezuelano é dono do seu destino”, declarou, com ar professoral, o sujeito que chancelou a farsa eleitoral no país caribenho.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Proferida com solenidade de quem sabe que mente, a fala reedita um chavão comunista clássico. E obviamente, como todo chavão, este serve para esconder, e não para revelar, a realidade no país vizinho. Sob a aparência de um tributo à autodeterminação dos povos, o que se tem, na verdade, é a justificativa retórica de sempre: a defesa do direito dos ditadores de esquerda de oprimirem seus próprios povos sem serem criticados por isso.

Que destino é esse do qual o povo venezuelano seria dono, se o povo, na Venezuela, não é dono nem mesmo de um prato de comida, de um rolo de papel higiênico, de sua casa, do direito de falar e de pensar livremente? Na Venezuela, enquanto a população esfomeada come lixo e caminhões de ajuda humanitária são incendiados, a casta dirigente bolivariana esbanja riqueza. Na Venezuela, este tem sido o único destino possível do povo, inteiramente determinado pelos ditadores que falam em seu nome.

Maduro é recebido no Brasil
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi recebido no Brasil, por Lula, com honras de chefe de Estado | Foto: Ricardo Stuckert/PR

María Gabriela, a filha mais velha de Hugo Chávez, embaixadora da ONU em Nova York, esconde uma fortuna de US$ 4 bilhões em bancos americanos e europeus, de acordo com a revista Forbes. A filha caçula Rosinés, estudante da Sorbonne, em Paris, publicou certa vez no Instagram uma foto segurando um leque de notas de dólar. Daniella Cabello, filha de Diosdaldo Cabello, é uma socialite que só veste roupas de luxo, cujo valor de cada peça individual deve corresponder a dez anos de salário de um venezuelano médio. Nicolasito, filho do atual ditador, foi filmado em 2015 no casamento de um empresário, ocorrido no Hotel Gran Meliá, na capital Caracas — ele dançava enquanto notas de dólares eram jogadas sobre sua cabeça. Yoswal Flores, enteado de Maduro, só viaja em jatos privados e, desde que o padrasto chegou ao poder, adquiriu uma estranha paixão por carros de luxo e motocicletas de alta cilindrada. Seu irmão Walter Flores, por sua vez, chegou a torrar US$ 45 mil numas poucas noites passadas no Hotel Ritz, um dos mais caros de Paris…

+ Preso nos EUA, ex-general da Venezuela aceita acordo de delação

Esse é o “povo” da Venezuela defendido pelo camarada brasileiro. É esse que controla o outro “povo”, o da vida real, do qual o mandatário brasileiro não chega nem perto. Assim, por trás da frase feita — do tipo que arranca suspiros nos estúdios da GloboNews — está o velho projeto continental do Foro de São Paulo. Criado pelo descondenado e por Fidel Castro nos anos 1990, o Foro foi o laboratório ideológico que transformou a América Latina num imenso campo de testes para a revolução socialista disfarçada de democracia.

A função do discurso sobre “autodeterminação” é simples: impedir qualquer condenação moral aos regimes que seguem a cartilha do Foro, de Havana a Caracas, de Manágua a Brasília. O lulismo, afinal, é o Foro no poder. E governa seguindo a receita do Foro, com a bonomia, o cinismo e a fingida indignação antiamericana dos tiranetes de chapéu-panamá e camisa vermelho-sangue.

Lula, em evento com alunos da Rede de Cursinhos Populares (CPOP), em São Bernardo do Campo-SP - 18/10/2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula, em evento com alunos da Rede de Cursinhos Populares (CPOP), em São Bernardo do Campo-SP – 18/10/2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Ser rico é ruim, é desumano. Eu condeno todos os ricos” — disse certa vez Hugo Chávez, uma declaração que poderia perfeitamente ter sido repetida pelo marido da Janja. Mas sabemos que não são todos os ricos que eles condenam, mas apenas os ricos que ainda não se submeteram aos seus regimes.

Leia também: Governo Lula boicota prêmio Nobel da Paz de María Corina

2 comentários
  1. Maria Luiza Werneck
    Maria Luiza Werneck

    Obrigada, Flávio Gordon, pelos seus excelentes artigos, que nos revelam a cruel realidade escondida pela velha mídia.

  2. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    O descondenado sabe que Maduro caindo sua (?) influência na América do Sul estará abaixo de cu de cobra , está apavorado .

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade