O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), informou que, nesta segunda-feira, 6, protocolou o pedido por mais 60 dias de funcionamento do colegiado. O requerimento angariou assinaturas de 28 senadores.
“Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais”, justificou Vieira. “Que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder.”
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No Senado Federal, o pedido para prorrogar uma CPI exige a assinatura de um terço dos membros da Casa, totalizando, no mínimo, 27 senadores. Assim, Vieira conseguiu uma assinatura a mais do que o total necessário.
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A CPI do Crime Organizado foi instalada em 4 de novembro de 2025 e pode funcionar até o dia 14 de abril, quando o relator precisa ler o relatório final.
No pedido de prorrogação, Alessandro Vieira reforça a insuficiência de tempo para concluir o diagnóstico sobre a atuação das facções criminosas e das milícias nos diferentes Estados da Federação. Segundo o senador, ainda é necessário ouvir governadores e secretários de Segurança Pública das unidades federativas mais e menos seguras do país.

A decisão de prorrogar ou não os trabalhos do colegiado cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No entanto, ele, há poucas semanas, não prorrogou o funcionamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A CPMI do INSS terminou sem relatório final aprovado.
CPI quer ouvir ex-governadores e autoridades ligadas ao BC
A CPI do Crime Organizado marcou os depoimentos dos ex-governadores do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), do ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto e do atual chefe da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
Com exceção do atual presidente do BC, que foi convidado, todas as demais autoridades foram convocadas pelo colegiado, ou seja, todos devem comparecer à CPI. Diferentemente de um convite, a convocação obriga o depoente a testemunhar. No entanto, o Supremo Tribunal Federal já tornou facultativa a presença de Ibaneis e de Campos Neto, em virtude de concessão de habeas corpus.
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Apesar de confirmar a participação, o ex-governador fluminense solicitou que a CPI remarcasse o depoimento para 14 de abril, último dia oficial do colegiado. Os senadores esperavam ouvir Castro nesta terça-feira, 7.
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