O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) “precisa avançar” na apuração sobre a contratação de navios de cruzeiro para a COP30, realizada em Belém (PA). Em entrevista ao Jornal da Oeste Primeira Edição desta sexta-feira, 24, ele cobrou a abertura de investigação criminal sobre o caso.
Segundo o parlamentar, a representação protocolada na última quarta-feira, 22, busca esclarecer possíveis irregularidades no uso de recursos públicos. “Levamos à PGR para apurar tudo sobre essa questão da COP30”, disse. Ele classificou a condução do processo como “irresponsabilidade” do governo federal no uso do dinheiro do contribuinte.
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Sanderson também pressionou o procurador-geral Paulo Gonet a dar andamento ao caso. “Ele precisa avançar. […] Se não determinar a instauração tendo justa causa, como há, pode até ser responsabilizado”, afirmou, acrescentando que a fase atual exige investigação, não julgamento. “A investigação não quer dizer condenação.”

O deputado protocolou pedido de apuração sobre a contratação de navios utilizados como hospedagem para delegações durante a conferência. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o governo federal gastou cerca de R$ 350 milhões na operação, conduzida pela Embratur em articulação com a Casa Civil.
O processo envolveu um chamamento público que resultou na contratação de uma agência de viagens ligada ao grupo empresarial do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na representação, Sanderson aponta indícios de falhas na estrutura contratual e questiona a legalidade da intermediação privada na locação das embarcações. Ele pede que a PGR verifique a conformidade com a Lei de Licitações e com princípios constitucionais, como legalidade, moralidade e eficiência, além de solicitar documentos e estudos técnicos aos órgãos envolvidos.

Ligação com Vorcaro justifica inquérito sobre navios para a COP30
Durante a entrevista, o deputado afirmou que um “fato novo” — a ligação da empresa contratada com Vorcaro — justifica a abertura de investigação criminal, independentemente de o Tribunal de Contas da União (TCU) já ter aprovado o processo na esfera administrativa. “São esferas distintas. Eu quero uma esfera criminal”, disse.
Sanderson também quer que a Polícia Federal seja acionada para apurar eventuais crimes contra a administração pública e improbidade administrativa. “São milhares de empresas que podem prestar esse tipo de serviço, no Brasil e fora do Brasil. Justamente o Vorcaro está envolvido nisso. Não precisa ser analista e nem investigador para saber que aí precisa uma investigação, precisa uma apuração”, afirmou.



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