publicidade
Política

Sem propostas

Críticos do posicionamento do governo Bolsonaro sobre a invasão da Ucrânia não revelaram até agora o que o Brasil deveria ter feito

sem propostas
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e presidente do Brasil, Jair Bolsonaro | Foto: Foto: Alan Santos/PR

(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 6 de março de 2022)

Os partidos, chefes e possíveis candidatos da oposição às eleições presidenciais de outubro declararam-se insatisfeitos com as reações do Brasil à invasão da Ucrânia pela Rússia. Não apresentaram uma lista completa, nem parcial, do que o Brasil deveria ter feito até agora e não fez, nem revelaram alguma ideia coerente sobre o que se deveria fazer. O principal deles, o ex-presidente Lula, não se juntou ao resto; seu partido soltou primeiro uma nota a favor da invasão, depois uma outra mais neutra e, até agora, não ficou claro o que ele próprio, Lula, acha do assunto, a não ser que o “imperialismo americano” é muito ruim, etc., etc.

Receba nossas atualizações

O que está em falta, pelo que se viu até aqui, são explicações com um mínimo de realismo, objetividade e inteligência sobre o que o Brasil estaria devendo. O que o país fez até agora está errado? Há alguma coisa essencial que não foi feita? Está em desacordo com a reação média dos países que jogam na mesma divisão? Algum parceiro importante está achando que o Brasil deveria ter tomado outras providências? Quais, exatamente?

Pelo que veio a público até o momento, o representante brasileiro na Organização das Nações Unidas condenou, nas manifestações que fez em plenário até agora, a agressão militar contra a Ucrânia; não ficou dúvida sobre isso.

O Brasil, basicamente, pediu o pacote-padrão que se pede nesses casos: cessar-fogo imediato, manutenção da integridade territorial da Ucrânia, respeito aos direitos humanos e esforços para o início de negociações que levem à paz. O Brasil tem boas relações com a Rússia, sobretudo comerciais, mas nem por isso deixou de manifestar a sua posição. Apenas, dentro da tradição da política externa brasileira, não crê na correção, oportunidade e eficácia de boicotes e represálias internacionais.

O Brasil, por decreto já publicado no Diário Oficial, decidiu conceder visto de entrada de seis meses no país aos ucranianos que quiserem vir para cá — mais, caso desejem, residência temporária de dois anos. (Os países da Comunidade Europeia estão para aprovar residência de um ano, renovável em condições ainda não estabelecidas claramente.) A Força Aérea mandou um avião militar trazer de volta ao Brasil brasileiros que estavam na Ucrânia e querem voltar — uma operação complicada, levando-se em conta que o espaço aéreo ucraniano está fechado e há necessidade de autorização para aviões militares brasileiros operarem nos países vizinhos. Equipes de reforço do Itamaraty foram mandadas para a área do conflito.

Que mais? Suspender as nossas exportações de alta tecnologia para a Rússia? Quais? Cortar os embarques de alimentos — coisa que ninguém fez até agora? Romper relações? Aguardam-se propostas concretas.

Leia também: “Devagar, malfeito e complicado”, artigo publicado na Edição 102 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade