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Política

STF condena Carla Zambelli a 10 anos de prisão e decreta perda de mandato

Deputada do PL foi sentenciada por invasão do sistema do CNJ e falsidade ideológica; decisão também torna parlamentar inelegível por 8 anos

carla zambelli
A deputada federal Carla Zambelli, durante uma coletiva de imprensa | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Por decisão unânime, os ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal fixaram a pena da deputada Carla Zambelli (PL-SP) em dez anos de prisão, em regime fechado. Além disso, ela perderá o mandato parlamentar. A condenação tem como base crimes relacionados à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.

O ministro Alexandre de Moraes abriu a votação na última sexta-feira, 9, e defendeu a condenação. Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia seguiram o relator. O ministro Luiz Fux, que ainda não havia se manifestado, deu seu voto nesta quarta-feira, 14, e consolidou o placar de 5 votos a 0.

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Embora a maioria estivesse formada, o julgamento segue oficialmente em curso no plenário virtual do STF até esta sexta-feira, 16. O cumprimento da pena dependerá do encerramento definitivo do processo, quando não houver mais possibilidade de recursos.

Moraes argumentou que a perda do mandato deve ocorrer porque a pena em regime fechado afastaria a deputada de suas funções por mais de 120 dias. Pela Constituição, isso leva à suspensão automática dos direitos políticos.

No mesmo processo, os ministros também responsabilizaram o hacker Walter Delgatti Neto pelos crimes. Ele recebeu uma pena menor, de oito anos e três meses de prisão. Ambos foram sentenciados ao pagamento de R$ 2 milhões em indenização por danos morais e materiais coletivos. Também ficam inelegíveis por oito anos.

A defesa de Zambelli criticou a decisão. Alegou que o julgamento ignorou provas favoráveis e limitou a atuação dos advogados. O advogado Daniel Bialski afirmou que a deputada não participou da criação de alvarás falsos nem tinha conhecimento dos atos cometidos por Delgatti.

Carla Zambelli atribuiu o julgamento a uma tentativa de perseguição política

Zambelli atribuiu o julgamento a uma tentativa de perseguição política. Rejeitou a acusação e disse não haver provas que sustentem a condenação. “Não há qualquer prova que sustente essa condenação”, disse Carla Zambelli. “O que existe é uma tentativa clara de silenciar uma mulher de direita, deputada eleita pelo povo, que não se curva diante de abusos de poder.”

Esta não é a única condenação da parlamentar. Em março, o Supremo formou maioria para penalizá-la em outro processo. A pena estabelecida foi de cinco anos e três meses em regime semiaberto, também com perda de mandato. O caso envolve porte ilegal de arma e constrangimento com uso de arma de fogo. O ministro Kassio Nunes Marques pediu vista, e o julgamento foi interrompido.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo decidiu, em janeiro, cassar o mandato da deputada por disseminação de desinformação durante a campanha de 2022. No entanto, os efeitos dessa decisão aguardam o esgotamento dos recursos cabíveis.

Na Câmara, a condenação de Zambelli provocou debates em meio ao impasse com o STF sobre o processo contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ)

Nos bastidores da Câmara, a condenação de Zambelli provocou debates em meio ao impasse com o STF sobre o processo contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Alguns parlamentares sugeriram retaliar o Judiciário com medidas como a suspensão da ação penal contra Zambelli.

O recurso à suspensão de ações penais contra parlamentares está previsto desde a Constituição de 1988. O dispositivo foi criado para proteger a independência do Legislativo diante de eventuais abusos do Judiciário. Na semana passada, esse mecanismo foi usado no caso Ramagem, mas a 1ª Turma do STF derrubou parte da decisão da Câmara.

Durante o julgamento, Moraes declarou que Zambelli atuou de forma planejada, com plena consciência da ilegalidade dos atos. Afirmou que ela tentou enfraquecer instituições fundamentais da democracia. Disse ainda que a deputada, ao usar o cargo público, violou a confiança do eleitor e atentou contra o Poder Judiciário.

“Como deputada federal, portanto representante do povo brasileiro e jurada a defender a Constituição, utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário”, declarou Moraes.

Delgatti, por sua vez, ganhou projeção nacional ao invadir contas no Telegram de autoridades da Lava Jato, incluindo o ex-juiz Sergio Moro. Ele entregou as mensagens ao site The Intercept Brasil, que deu origem à série de reportagens conhecida como Vaza Jato. O conteúdo expôs suposto conluio entre procuradores e o magistrado. Delgatti foi condenado em 2023 a 20 anos de prisão pelos ataques aos sistemas e cumpre pena desde então.

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12 comentários
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    A câmara vai permitir outro DANIEL SILVEIRA ?
    Vai baixar as calças novamente ?

    1. Renato Perim
      Renato Perim

      Baixar as calças novamente Flávio?? Quando foi que o congresso vestiu uma?

  2. R Fortes
    R Fortes

    Decreto Legislativo, instrumento constitucional, suspendendo o cumprimento dessa infame decisão.
    VOTAÇÃO do PL ANISTIA JÁ.
    COMPROVANTE IMPRESSO DO VOTO.

  3. Vicente Jose Fachina Deo
    Vicente Jose Fachina Deo

    Venezuela do Sul…Negociaram com célula$ cancerosa$…agora é metástase…

  4. Route 66
    Route 66

    Algo está profundamente errado nesse país, como pessoas que exercem um cargo sem nenhum voto popular tem o poder de contrariar milhões de votos de eleitores?

  5. O BELFORROXENSE
    O BELFORROXENSE

    Hj está assim para a “justiça suprema”: – Se for de Direita, já é culpado!

  6. Amaury G Feitosa
    Amaury G Feitosa

    AS URNAS ERAM INDEVASSÁVEIS ??? ……. esta a indagação que a nação mesmo dividida duvida da mesma forma que importantes órgãos internacionais que denunciam o fato jamais claro ao povo esta a verdade, assim Carla Zambelli é mais um instrumento de intimidação à nação já aterrorizada sistematicamente pela ditadura de parte dos três pôdres pdoieres em claro curso e que com certeza está jos extertores diante de tantas patifarias agora contra os mais pobres da nação desesperada e à deriva.

  7. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    O Brasil está indo para uma direção autoritária, sem leis, as perseguições já estão sendo gritantes , um país nas mãos de uma quadrilha…infelizmente estamos chegando a uma Venezuela …

  8. Denis R.
    Denis R.

    Vejam que situação preocupante nos encontramos atualmente no Brasil, sem entrar no mérito do julgamento (culpada ou não) como temos um Supremo parcial e com claro viés político ideológico qualquer julgamento que fizerem contra políticos de direita sempre será questionado. E com razão! Triste ver que a mais alta corte do país goza de baixíssima credibilidade entre a população, inclusive entre as pessoas de esquerda e de “centro”.

  9. Jocelio de Abreu e Silva
    Jocelio de Abreu e Silva

    A direita brasileira ainda acha q há alguém diferente entre os julgadores. Elogiaram o Fux por uma fração de segundo dele de justiça, mas ja voltou ao normal. Seguiu fielmente o relator. Os outros ja era esperado. A direita engatinha de novo em reagir as barbaridades da justiça brasileira.

  10. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    A perseguição incontida da toga abusiva continua seu périplo algoz. Dia após dia sinto o crescimento da revolta do povo contra o abuso de poder, prisões injustas montadas em cima de narrativas, multas e mandatos cassados como o de Zambelli. O alvo preferido são os principais líderes da direita. Cada vez mais se confirma a afirmação de Sebastião Coelho: “Vocês todos, aqui à minha frente são as pessoas mais odiadas no Brasil”. Se não bastasse, é o tribunal mais caro do mundo e um dos quais com a maior ausência dos ministros. BASTA!

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