publicidade
Política

STF está ‘esticando a corda’, diz jurista

André Marsiglia questiona base legal da medida e afirma que manifestações públicas não podem ser criminalizadas

O jurista André Marsiglia: 'É muito perigoso esse lugar em que estamos colocando o direito' | Foto: Reprodução/YouTube
O jurista André Marsiglia: 'É muito perigoso esse lugar em que estamos colocando o direito' | Foto: Reprodução/YouTube

O jurista e professor de Direito Constitucional André Marsiglia classificou como “injusta” e “inadequada” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs nova medida cautelar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, não há crime configurado na conduta do político liberal.

Em entrevista à CNN Brasil, Marsiglia perguntou: “Qual é o crime? Qual é o descumprimento? Do que a gente está falando? Ele se manifestou durante as manifestações de rua de domingo. As manifestações eram ilícitas? As pessoas que estavam nas ruas são criminosas?”

Receba nossas atualizações

“Então vamos prender todos”, sugere professor, ao STF

Marsiglia destacou principalmente que milhares de pessoas participaram dos atos e ironizou a lógica da decisão: “Se todos são criminosos, vamos prender todo mundo. Se não são, qual é o crime?”. Para ele, a simples manifestação política, mesmo sendo de Bolsonaro, não configura desse modo ato ilegal.

O professor apontou que a participação do ex-presidente se deu por meio de vídeo, publicado por terceiros em redes sociais. E lembrou que, conforme o próprio Moraes, Bolsonaro teria autorização sobretudo para dar entrevistas, pronunciamentos públicos e até participar fisicamente das manifestações.

“Não consigo entender o ilícito”

“Qual foi o ilícito? O que ele disse que atentou contra a democracia?”, questionou. “Na própria decisão, Moraes não menciona nenhum conteúdo específico como criminoso. Ele foi punido por algo dito e republicado por terceiros?”.

Leia também: “O tirano do Brasil”, reportagem de Cristyan Costa e Silvio Navarro publicada na Edição 280 da Revista Oeste

O constitucionalista chamou atenção, dessa forma, para o precedente jurídico perigoso: “Se amanhã eu disser algo, e um terceiro publicar, e isso for considerado ruim por alguém, eu posso ser preso por um ato de outra pessoa?”.

“Se a ordem é ilegal, devemos criticar o juiz”

Marsiglia inverteu a crítica comum de que Bolsonaro estaria “esticando a corda” institucional e devolveu a acusação ao Supremo: “Acho que é o STF que está esticando a corda da democracia”. Para ele, a Corte caminha para criminalizar a simples expressão de ideias por motivação política.

“É muito perigoso esse lugar em que estamos colocando o direito. A democracia não precisa ser salva de pessoas que se manifestam criticamente. Precisa ser preservada justamente para que elas possam fazê-lo”. Por fim, o professor disse que “não podemos simplesmente ter um juiz que dê uma ordem e a gente se satisfaz com isso. Se essa ordem é ilegal ou não dialoga com a Constituição, nós devemos criticar o juiz”.

+ Leia mais notícias de Política na Oeste

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade