publicidade
Política

STF teria de romper precedente para barrar benefício a Bolsonaro

Para impedir que o ex-presidente se beneficie da nova regra, a Corte precisaria contrariar sua própria decisão anterior

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou postura de militantes no X | Foto: Carolina Antunes/PR
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou postura de militantes no X | Foto: Carolina Antunes/PR

Se o Congresso Nacional aprovar uma mudança na Lei da Ficha Limpa para reduzir o período de inelegibilidade de oito para dois anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentará um dilema. Para impedir que Jair Bolsonaro (PL) se beneficie da nova regra, a Corte precisaria contrariar sua própria decisão anterior.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Caso o projeto seja aprovado, surgirá um debate sobre a possibilidade de aplicação retroativa da nova norma a processos julgados sob a legislação anterior. O STF pode evitar essa discussão se, antes, declarar a inconstitucionalidade da eventual mudança na lei.

Em 2017, o tribunal considerou constitucional a aplicação retroativa da Ficha Limpa, mesmo para condenações ocorridas antes de sua vigência. Naquele julgamento, a decisão foi apertada: 6 votos foram a favor e 5, contra.

Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dois processos

Com a implementação da Lei da Ficha Limpa, a punição para políticos condenados por abuso de poder na esfera eleitoral aumentou de três para oito anos. O prazo passa a contar a partir da eleição em que ocorreu a irregularidade.

Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dois processos. Um está relacionado à reunião com embaixadores e outro aos atos do 7 de Setembro de 2022. A inelegibilidade vigora até outubro de 2030. Mesmo assim, ele continua a se posicionar como possível candidato da direita para 2026.

Além da tentativa de aprovar uma anistia para Bolsonaro, seus aliados buscam reverter sua inelegibilidade por meio de um projeto apresentado em 2023 pelo deputado federal Bibo Nunes (PL-RS). A proposta reduz o prazo de punição para dois anos. Em dezembro, o deputado Filipe Barros (PL-PR) assumiu a relatoria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Se a mudança for aprovada, a penalidade por abuso de poder se tornará mais branda que a regra vigente antes da Ficha Limpa. Dependendo do calendário eleitoral, candidatos condenados podem até concorrer sem cumprir nenhum período de inelegibilidade.

Hugo Motta (Republicanos-PB), novo presidente da Câmara dos Deputados, afirmou em entrevistas que considera o prazo atual de oito anos muito longo. Ele declarou que, se houver interesse de parlamentares ou partidos, o Congresso discutirá a questão.

Nesta quinta-feira, 6, Bibo Nunes publicou uma foto ao lado de Bolsonaro e mencionou o projeto. Em sua publicação, afirmou que oito anos permitem muitas injustiças.

Se a alteração for concretizada, mesmo que a inelegibilidade de Bolsonaro seja mantida até o trânsito em julgado da decisão, o que ainda não ocorreu, ele poderá ser beneficiado. O STF, no passado, já determinou a aplicação retroativa da norma. O mesmo entendimento pode prevalecer.

Se a redução do prazo for aprovada, o STF poderá ser acionado várias vezes para analisar o caso de Bolsonaro

Caso a redução do prazo seja aprovada, o STF poderá ser acionado em diferentes momentos para avaliar a situação de Bolsonaro. Uma possibilidade é ele registrar candidatura para 2026 e ter sua elegibilidade contestada no TSE, com eventual recurso ao Supremo. Outra hipótese envolve a defesa do ex-presidente recorrer ao STF e argumentar que a nova lei reduz sua punição e que o prazo já teria sido cumprido.

Leia mais sobre:

6 comentários
  1. Fabiano Vilas Boas
    Fabiano Vilas Boas

    Na boa, político ficha suja deveria ser expulso da possibilidade de se eleger e participar do meio político.
    Essa alteração de lei, nitidamente para beneficiar Bolsonaro, vai arrebanhar um monte de possibilidades. Um monte de safados estarão aptos novamente.
    Se alguém acha que político, depois de considerado culpado, fica “honesto” de novo, então o Lula é santo.
    Essa lei é um tiro no pé!

  2. Christian
    Christian

    O STF faz do povo as suas marionetres.
    Um dia, as marionetes irão se revoltar e começarão a andar sozinhas e com liberdade..

  3. Felipe Polido Fernandes
    Felipe Polido Fernandes

    Um dos maiores erros que cometemos nas últimas décadas foi essa Lei da ficha limpa. Ela transfere a responsabilidade de escolhermos bem nossos políticos de nós (povo) para juízes. Como tudo neste país, isso nunca pega para os políticos que têm amigos no poder judiciário e elimina os que não têm. Este país vai mudar só no momento em que passarmos a assumir nossas responsabilidades como cidadãos, ao invés de delega-las ao Estado

  4. Reginaldo Corteletti
    Reginaldo Corteletti

    Esta mudança é casuística, vai contra os interesses do Brasil. Quanto ao judiciário, fazem o que bem entendem e fica nisso mesmo. Ninguém limita esta casta de corsários do herbários e das leis.

  5. José Maria (Zema)
    José Maria (Zema)

    Isso não lhes causa o menor constrangimento: cancelaram a revisão para a vida toda menos de um ano depois de aprová-la.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.