publicidade
Política

Tornozeleira em ex-presidente é 'inimaginável', diz Marco Aurélio Mello

O ex-ministro do STF criticou as sanções impostas por Alexandre de Moraes a Bolsonaro

Marco Aurélio Mello
Marco Aurélio Mello, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil | Foto: Nelson Jr/ STF

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello classificou as medidas cautelares impostas contra Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes como excessivas. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 25, o jurista questionou a proporcionalidade das ordens.

Ao portal UOL, Marco Aurélio Mello afirmou que considera inadequado aplicar tornozeleira eletrônica a um ex-presidente. “É inimaginável ter-se um ex-presidente da República portando tornozeleira. Ele não é um delinquente de periculosidade maior e nem sequer há um risco quanto à locomoção, porque o passaporte dele foi depositado no Supremo.”

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O ex-ministro considera que a imposição da tornozeleira eletrônica a Bolsonaro “não se coaduna com os ares democráticos vivenciados”. Trata-se de uma “medida de força”, prossegue, “e passa a ser até uma pena, porque alcança a dignidade do cidadão”.

Marco Aurélio Mello ressaltou que os julgamentos estão sendo procedidos e até mesmo a competência do STF para conduzir o processo deve ser questionada. “Onde foi julgado o atual presidente [Lula] quando foi alvo da persecução criminal? Foi julgado na 13ª Vara Criminal de Curitiba. Não houve modificação da legislação para se chegar ao julgamento no Supremo.”

Ele explicou que o STF tem o pronunciamento final quanto ao alcance da Constituição Federal, mas isso incorre em maior responsabilidade sobre os ministros. “A História cobrará do Supremo esse extravasamento da competência. O exemplo é péssimo, considerando-se os demais órgãos que integram o Judiciário.”

Bolsonaro fala a imprensa após colocar tornozeleira na Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, em Brasília, DF (18/7/2025) | Foto Antônio Cruz/Agência Brasil

STF sofre hostilidade porque caminha em rumos errados

O ex-ministro também afirmou que a postura do Supremo Tribunal Federal diante desses casos traz consequências diretas para seus integrantes. De acordo com Mello, os ministros enfrentam hostilidade nas ruas e sofrem restrições em sua vida cotidiana.

“Há essa concentração na relatoria. Eu não queria estar hoje na pele do ministro Moraes. Digo o mesmo em relação aos demais integrantes do Supremo, que perderam a cidadania. Eles não conseguem mais sair na rua sem serem hostilizados”, afirmou ao UOL.

Marco Aurélio Mello avalia que tamanha repulsa da sociedade pelos ministros da Suprema Corte revela que a instituição caminha de modo errado. “É preciso parar para ver onde se está claudicando e partir para a correção de rumo. A concentração de relatorias desgasta a própria imagem de Moraes. Quando ele sai para qualquer solenidade, tem um batalhão de seguranças.”

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.