publicidade
Política

Transparência Internacional acusa J&F de 'assédio judicial' e critica decisão do STF

Entidade repudiou acusações feitas pela J&F contra ela em petição na qual pede a suspensão da multa definida em acordo de leniência em 2017

STF
STF, por meio do ministro Toffoli, determinou suspensão do pagamento de multa da J&F | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Transparência Internacional criticou a J&F pelos argumentos usados pela empresa no recurso julgado esta semana pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Antonio Dias Toffoli. O ministro suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões do grupo J&F, fechada no acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) em 2017.

Leia mais: “Toffoli poupa J&F de pagar multa de mais de R$ 10 bilhões”

“A Transparência Internacional rejeita categoricamente e condena as acusações infundadas e o assédio judicial por parte da empresa brasileira J&F no seu recurso”, declarou a instituição, que, segundo afirma em seu portal, é um movimento global que trabalha em mais de cem países para acabar com a injustiça da corrupção.

A entidade, criada em 1993, repudiou acusações feitas pela J&F contra ela na petição em que a empresa pede a suspensão do pagamento da multa.

“Tendo como pano de fundo os golpes sistêmicos aos esforços anticorrupção ocorridos durante o governo Bolsonaro”, prosseguiu a Transparência, que completou com a afirmação de que “a J&F tem usado a lamentável tática de disseminar desinformação sobre o trabalho da Transparência Internacional e dos agentes responsáveis pela aplicação da lei, para escapar de sanções criminais e administrativas por grandes esquemas de corrupção que confessou tanto no Brasil quanto nos EUA.”

No início de novembro último, a J&F pediu ao STF a suspensão do pagamento do acordo de leniência definido com o MPF em 2017. Também solicitou o acesso a todo o acervo das conversas da chamada Operação Spoofing. Dias Toffoli, na decisão do último dia 20, acatou o pedido.

Receba nossas atualizações

Leia mais: “Decisão de Toffoli que favorece J&F é alvo de críticas”

Um dos argumentos da J&F teve relação com a venda da Eldorado Celulose, ainda sob o seu controle, para a Paper Excellence, por meio de contrato assinado em 2017, época em que a J&F buscava se capitalizar. Os proprietários do grupo, Joesley e Wesley Batista, estavam envolvidos em denúncias de corrupção.

A J&F se recusou a dar prosseguimento ao negócio. O argumento da J&F, que no fim de 2018, na Califórnia, solicitou um aumento no valor de R$ 15 bilhões pela venda, é o de que a Paper Excellence não cumpriu as condições previstas no contrato para o pagamento da segunda metade da compra.

O imbróglio foi parar na Justiça, depois de a J&F ser derrotada no tribunal arbitral internacional. Em duas instâncias, até o momento, pareceres do Tribunal de Justiça de São Paulo também foram favoráveis à Paper.

A Paper, no entanto, nega a afirmação e para tanto rebate com a informação de que já está depositado em juízo um valor ainda maior para garantir a conclusão do negócio.

A J&F afirma agora que a venda da Eldorado foi fruto de pressão do MPF, que teria sido, segundo o grupo, feita por um procurador do órgão, do qual participou um executivo que estaria ligado à Paper. Segundo a J&F, o executivo também era representante da Transparência Internacional no Brasil.

Suspensão da multa

leniência irmãos batista
Wesley e Joesley Batista são os atuais controladores do grupo J&F | Foto: Reprodução/site J&F

Em sua resposta, a Transparência Internacional acusou a J&F de prosseguir em um caminho de irregularidades, por meio de divulgação de informações falsas. E criticou a decisão do STF de suspender o pagamento da multa.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

“Apesar de se comprometer publicamente e perante as autoridades judiciais no Brasil e nos EUA a descontinuar suas atividades criminosas e a adotar elevados padrões éticos, a J&F continua a apresentar informações falsas ao Supremo Tribunal Federal do Brasil.”

Para a instituição internacional, a multa não deveria ser suspensa.

“É desconcertante que a decisão do Supremo, que suspendeu uma multa de US$ 2,01 bilhões à J&F, com base em tais informações, tenha sido emitida por um único juiz num processo sigiloso.” Procurada por Oeste, a J&F não retornou até a conclusão dessa reportagem.

10 comentários
  1. Aeduardo
    Aeduardo

    Concordando com o Mauro C F Balbino aí abaixo ( 22/12 às 13:48) totalmente em sua manifestação, acrescento o dado no valor do tal fundo que seria gerido independente e exclusivamente pelos procuradores da 13 Vara de Curitiba : “Só 2,5 bilhões de reais !”.
    Devemos observar também o recente comportamento do ex juiz/senador na apreciação do nome do Dino maranhense para o STF.
    Juntemos neste balaio de provocações aos que produzem honestamente neste Brasil infeliz, as atitudes do sr. Gilmar Português, Mané Barroso, Alex de Amorais, etc. etc e tome etc!
    Da forma que vai indo esta procissão do descalabro, não podemos esperar uma nação decente que surja até no meio século avante.

  2. Ed Camargo
    Ed Camargo

    A transparência Internacional parte da prémissa que os juizes brasileiros são honestos e estão acima de qualquer corrupção, podridão, perversão, quando na realidade é exatamente o contrário. O Antonio dias Toffoli é um vendedor de influências e o dinheiro sempre fala mais alto. A J&F sabe disso e fez uso do Quid Pro Quo.

  3. Mauro C F Balbino
    Mauro C F Balbino

    Vai dar em nada. A propósito e pra que se saliente, o responsável pela Transparência Internacional no Brasil é cúmplice do Deltan em arranjos para elogio, recomendação e sugestão da Força Tarefa como gestora do fundo.
    A verdade, triste e infelizmente, é que não há santos na república cleptocrata de Terra Brasilis. Apenas simples inocentes úteis mártires como nós contribuintes brasileiros.

    1. Rosely de Vasconcellos Meissner
      Rosely de Vasconcellos Meissner

      Advogada da J&S , esposa do Toffoki , receberá cerca de R$ 500 milhões e o Moro é que foi parcial.

  4. PCC
    PCC

    Tem que avisar pra Transparência Internacional que corrupção no Brasil é endêmica. Aqui é só fogo pra acabar com ela.

  5. CARLOS BRASILIANO DA SILVA
    CARLOS BRASILIANO DA SILVA

    Vocês acreditam que essa gigante mundial é mesmo desses dois patetas que até se auto gravam? No meu entendimento são testa de ferro de um sujeito muito conhecido que até ano passado era conhecido como o maior ladrão do mundo.

    1. R Fortes
      R Fortes

      Ouvi em 2016 que o”duende megalomaníaco” tinha suas 9 digitais na JBL. Não acreditei.
      A esperança é que o GamaGT do fígado liquide a fatura em muito breve.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade