publicidade
Política

Tributação progressiva, uma velha receita marxista

O governo petista parece ter encontrado a fórmula da alquimia tributária: transformar até o investimento mais tímido em alvo da sanha arrecadatória

Gleisi Hoffmann; Dólar; Lula
Gleisi Hoffmann é a favor do aumento dos impostos | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Disfarçada de pergunta retórica, a frase de Gleisi Hoffmann sobre a taxação das LCIs e LCAs — “Não pode pagar um pouco de imposto?” — talvez seja a mais sincera confissão ideológica já proferida por um petista desde a célebre declaração de que “a revolução não se faz sem derramar sangue”. A diferença é que, agora, o sangue vem em boletos, extraído por agulhas tecnocráticas e seringas legislativas.

+ Leia notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

O governo do descondenado-em-chefe, em seu terceiro ciclo reencarnatório, parece ter finalmente encontrado a fórmula da alquimia tributária: transformar até o investimento mais tímido, mais conservador, mais proletário — como a aplicaçãozinha isenta na LCI — em alvo da sanha arrecadatória. É a velha arte revolucionária de vestir o esbulho com a túnica da “justiça social”. O que a ministra realmente quis dizer, com seu tom indignado de professora primária reprovando uma criança rica por não dividir o lanche, foi: “Você ainda tem algo seu? Pois saiba que isso é ofensivo”.

Trata-se de uma velha receita marxista. Engels já advertia, em 1848, que uma das medidas essenciais para a implantação do comunismo era uma “forte tributação progressiva”. Traduzindo do jargão revolucionário: comece com um “pouquinho”, vá aumentando, e quando perceberem, a propriedade privada terá evaporado — não por decreto, mas por IPTU, IR, IOF, IPVA, ITCMD, e, agora, LCI e LCA. Para que destruir a burguesia com tanques se é mais barato e eficaz destruí-la com tabelas da Receita Federal?

A tributação excessiva e o novo socialismo

A genialidade do novo velho socialismo está em seu disfarce: não mais o soviete, mas o servidor; não mais a foice, mas a alíquota. Sob o pretexto de “corrigir distorções”, cria-se uma distorção universal: a de que tudo o que é seu é seu por enquanto, até que a Nomenklatura do Partido decida o contrário. Determinar o tamanho e a velocidade da mordida no patrimônio alheio consiste no poder fundamental do Estado socialista.

Mas voltemos à “coxa” ou “amante” (de acordo com a famosa lista de apelidos da Odebrecht). Sua frase, de uma candura stalinista, parte do pressuposto de que todo cidadão é um sonegador em potencial, um burguês à espreita, um rentista de classe média (que horror!) escondido sob o disfarce de trabalhador. Porque, sejamos francos, aplicar em LCI é, para a esquerda, sinal de delinquência ideológica: é confiar no mercado, é querer retorno sem intermediação do Estado — heresia capitalista! Para o lulopetismo, a única poupança moralmente aceitável é aquela feita nas urnas, para garantir o retorno do partido ao poder.

A velha receita marxista

Em resposta à ministra, a pergunta que deveríamos fazer é outra: até quando fingiremos que essa progressividade não é, no fundo, regressão? Que o imposto “só um pouquinho” não é a antessala da expropriação total? Que a tal “justiça social” não é, na prática, um eufemismo para pilhagem moralizada? Até quando fingiremos que o Brasil não foi vítima de um golpe de Estado socialista fantasiado de “defesa da democracia”?

Não se trata apenas de pagar impostos. Trata-se de sustentar um projeto de engenharia social que mira, no fim, aquilo que há de mais odioso à mentalidade revolucionária: a propriedade e a liberdade. Pois o verdadeiro inimigo do regime não é o crime de sonegação, mas o quarto de hóspedes na praia, o carro quitado, o investimento isento — em suma, todo e qualquer vestígio de autonomia. Como costumava dizer o professor Olavo de Carvalho, “o socialismo não é ruim porque se desviou do seu ideal, mas porque o realizou”. E o que realiza, invariavelmente, é a destruição sistemática da liberdade individual – não por acidente, mas por vocação.

Leia mais sobre:

1 comentário
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.