Debate de “abuso de poder religioso” é antigo no Judiciário e retomá-lo é um equívoco do TSE, avalia o deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), integrante da bancada evangélica

O julgamento do “abuso de poder religioso” nem recomeçou e já encontra forte resistência. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o debate na quinta-feira da próxima semana, 13, sob críticas da população e de parlamentares. O deputado federal Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) é um dos contrários à discussão.
Receba nossas atualizações
Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Ribeiro é um dos integrantes mais influentes da Frente Parlamentar Evangélica, haja vista a interlocução da Universal com a bancada — assim como as demais denominações evangélicas. “O TSE está equivocado ao tentar incutir na população que há abuso religioso na manifestação política da igreja”, analisa.
O cristão, acrescenta Ribeiro, não deixa de ser cidadão por expressar sua religião. “Por isso, tem o direito de se manifestar e, como qualquer outra pessoa, de tentar convencer seus mais próximos daquilo que realmente acredita”, pondera a Oeste. “Qualquer irregularidade deve ser tratada de forma isolada”, acrescenta.
Além de evangélico, Ribeiro é advogado. Sob a ótica jurídica, ele também rebate a discussão, uma vez que já existem dispositivos legais para punir excessos. “Se alguém abusa do poder que tem para exigir o voto de quem quer que seja, deve ser punido com base no artigo 14, parágrafo 9º da Constituição Federal e no artigo 41-A da Lei 9.504/97“, avalia. “Mas isso, desde que haja prova cabal do abuso. E, como definido na Constituição, deve ser tratado de forma individual”, sustenta.
“Autoconvencimento”
O julgamento no TSE acaba, na prática, por ser uma forma do Judiciário legislar. E Ribeiro também é contrário a isso. “Não cabe ao TSE, ou a qualquer órgão do Poder Judiciário, legislar sobre qualquer assunto. Essa função é privativa do Poder Legislativo”, destaca. Por esse motivo, ele não acredita que a bancada evangélica vai se mobilizar para evitar qualquer tipo de iniciativa da Corte Eleitoral neste sentido.
A discussão do “abuso de poder religioso”, no fim das contas, acaba sendo uma “pura especulação” e tentativa de “autoconvencimento” da esquerda e de ateus, analisa Ribeiro. “Que tentam justificar a reprovação social de suas propostas políticas. Como não convenceram no governo e não convencem nas urnas, querem impedir a manifestação democrática dos religiosos”, critica.
Ativismo
Nas redes sociais, entre as diversas críticas de brasileiros, alguns enxergam a medida como uma forma de perseguição e ativismo do Judiciário. Mas Ribeiro atenua a leitura. “De verdade, não acredito num ativismo judicial contra cristãos. O tema do abuso religioso é antigo no Judiciário. Todavia, ganhou força com a vitória do presidente Jair Bolsonaro”, justifica.
O desarquivamento do debate é, para o parlamentar, uma forma de atrair a atenção da mídia. “Quanto à sugerida perseguição, seria um desatino, afinal, 83% da população brasileira se declara cristã. Estaríamos diante de uma autoperseguição. Não me parece fazer sentindo nenhum”, explica.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.