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Política

Vorcaro realizou festa com 'mulheres astronautas' em Nova York

Vestidas com roupas prateadas e adereços que remetiam a capacetes espaciais, elas foram contratadas para evento custou mais de R$ 3,7 milhões

Daniel Vorcaro festas Master
Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em março de 2026 | Foto: Reprodução/Wikipédia

Uma suíte presidencial em Nova York serviu de cenário, em maio de 2024, para uma festa, realizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e frequentada por políticos e autoridades brasileiras, relata o jornal O Globo. A diversão foi animada por mulheres caracterizadas como astronautas. Vestidas com roupas prateadas e adereços que remetiam a capacetes espaciais, elas foram contratadas para apresentações durante o evento, que custou mais de US$ 721 mil (cerca de R$ 3,7 milhões na cotação de então). As despesas ficaram a cargo do então controlador do Banco Master.

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As participantes, de nacionalidades russa e ucraniana, aparecem em registros analisados pela Polícia Federal (PF) como “artistas” responsáveis por performances realizadas na chamada “noite das astronautas”. A documentação foi encontrada em um dos celulares apreendidos do ex-banqueiro e passou a integrar a investigação da corporação.

Os dados constam da representação que fundamentou a oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 26 de maio. A ação incluiu mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e outros investigados.

A Operação Compliance Zero, realizada pela PF, é aquela que investiga o escândalo do Banco Master. O início das investigações ocorreu em 2024 a pedido do Ministério Público Federal. Em 18 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez. Retornou, depois de alguns meses solto, em março de 2026.

A festa foi apenas uma das despesas registradas pelos investigadores. Segundo a apuração, Vorcaro desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões, em valores da época, para custear eventos, recepções, hospedagem e entretenimento destinados a políticos e autoridades brasileiras que estiveram em Nova York naquele período.

Vorcaro financiou outros encontros

Entre os encontros financiados pelo banqueiro esteve uma degustação reservada de uísques e charutos no Carnegie Club, tradicional endereço de Manhattan localizado próximo ao Central Park e à Quinta Avenida. O evento consumiu pouco mais de US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,3 milhões. A conta dos uísques, sozinha, alcançou R$ 3,5 milhões. Ao final da noite, os convidados receberam uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em aproximadamente R$ 30 mil, além de uma caixa de charutos.

Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste

De acordo com reportagem, participaram da degustação, além de Vorcaro e Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). Naquele momento, parte dos parlamentares era vista como potencial candidata à presidência da Câmara dos Deputados. Hugo Motta acabaria eleito para o cargo no ano seguinte.

A representação encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), registra ainda cerca de US$ 545,2 mil em gastos relacionados à produção dos eventos, equipamentos de som e iluminação, festas e hospedagem de equipes. Convertido pela cotação da época, o montante supera R$ 2,8 milhões.

Os documentos analisados pela PF também revelam despesas de US$ 44,6 mil destinadas ao pacote de alimentação e bebidas das artistas, à estrutura reservada para elas e a gastos extras registrados no hotel utilizado pelos convidados entre 12 e 16 de maio. No mesmo período, mensagens recuperadas pelos investigadores mostram que Vorcaro organizou um jantar para Cláudio Castro no restaurante Nusr-Et, do chef turco Salt Bae, conhecido por servir cortes de carne com folhas de ouro.

Ao receber o convite pelo WhatsApp, o então governador do Rio respondeu: “Você não existe”. Em outra conversa, o ex-banqueiro orientou um auxiliar a providenciar uma refeição especial para o convidado. “Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir [à mesa]”, escreveu, em referência ao chef, que estava na unidade de Nova York naquele dia.

O custo desse encontro não foi detalhado na representação da PF. A investigação, porém, menciona outro jantar realizado anteriormente no mesmo restaurante e igualmente pago por Vorcaro. Embora não tenha participado da refeição, o empresário desembolsou US$ 13,3 mil, valor equivalente a cerca de R$ 66 mil.

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2 comentários
  1. ljorgedacunha@gmail.com
    [email protected]

    Alguém acredita que haverá delação premiada com altas figuras dos três poderes enroladas até o pescoço? Só idiotas acreditam. Este país é uma grande baderna com os idiotas pagadores de impostos ainda acreditando em algum tipo de seriedade.

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