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Aniversário de 31 anos do PT | Foto: Reprodução/Facebook
Edição 112

A corrupção esquecida

Jovens convocados pela esquerda a votar pela primeira vez nem sequer tinham nascido quando a corrupção institucionalizada do governo Lula dominou o país

Silvio Navarro
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Na manhã de 11 de agosto de 2005, o publicitário Duda Mendonça apareceu de surpresa no Congresso Nacional. Brasília vivia dias intensos, incendiada pela crise do mensalão. Duda se apresentou para falar espontaneamente à recém-instalada CPI dos Correios, a investigação precursora dos escândalos da era Lula. O depoimento durou dez horas.

Marqueteiro da vitoriosa campanha que levou o PT ao poder depois de três tentativas frustradas, Duda revelou que recebeu R$ 15,5 milhões do PT por meio de caixa dois — uma fatia da grana depositada em paraísos fiscais. O dinheiro fora repassado por Marcos Valério, cujo nome havia sido lançado no noticiário político-policial pelo deputado Roberto Jefferson. Era o “carequinha” que carregava as malas de dinheiro vivo para comprar os votos de parlamentares — o operador do mensalão. O que faltava era quitado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Quem coordenava o propinoduto era o ministro mais poderoso da República: José Dirceu.

“Esse dinheiro era claramente de caixa dois, a gente não é bobo. Nós sabíamos, mas não tínhamos outra opção, queríamos receber”

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Na tarde daquela quinta-feira, Duda implodiu a aura de honestidade do PT. Deixou deputados e senadores do partido atônitos. Os deputados Chico Alencar (RJ), Doutor Rosinha (PR), Walter Pinheiro (BA), entre outros, choraram no plenário. O mineiro Paulo Delgado foi um dos primeiros a pedir que os dirigentes da sigla pedissem perdão ao país. Horas antes, o presidente do PT, Tarso Genro, havia tentado tranquilizar a bancada sobre a existência do mensalão. “O que nós vamos dizer à militância? Esperamos que Lula diga à nação tudo o que sabe”, esbravejou Orlando Fantazzini (SP), um dos que abandonaram o partido nas semanas seguintes.

Os jornalistas que presenciaram a lamúria ainda viram a provocação do oposicionista Ney Lopes (PFL-RN) no plenário: “Estou assistindo ao velório do PT”.

Nos corredores do Congresso, os telefones celulares dos repórteres tocavam sem parar. Alvoroçadas, as direções de jornais, rádios e emissoras de TV tinham uma recomendação em comum: a oposição deveria ser questionada sobre um pedido de impeachment de Lula. Alguns líderes precisariam ser procurados: os senadores Jorge Bornhausen e Antônio Carlos Magalhães, do extinto PFL — que se metamorfoseou até virar hoje em dia algo chamado União Brasil —, os tucanos Tasso Jereissati e Arthur Virgílio, Roberto Freire (PPS) e o presidente do PMDB, Michel Temer. As redações em São Paulo ouviriam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Essa história aconteceu há 17 anos. Um ano a mais do que têm de idade os jovens convocados pela esquerda a votar em Lula nas eleições de outubro.

É nessa faixa do eleitorado que não conheceu a maior engrenagem de corrupção já engendrada na máquina estatal que a esquerda aposta suas fichas. Para isso, mobilizou influenciadores digitais, artistas e professores em sala de aula; infiltrou bandeiras vermelhas em festivais de música; convenceu Anitta a pedir que seus amigos internacionais, como Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo, aderissem à campanha pelo cadastramento de eleitores adolescentes — ainda que nenhum dos dois saiba onde ficam Carapicuíba, Rondonópolis ou o Vale do Jequitinhonha.

A aposta da campanha de Lula é no voto sem memória.

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Ovo da serpente

A crise do mensalão só terminou em 2012, depois de um julgamento que durou um ano e meio no Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 40 acusados pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, 26 foram punidos. Desses, 24 cumpriram penas efetivamente. O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira conseguiu reverter a sentença em trabalho voluntário e o deputado José Janene morreu.

Àquela altura, as prisões de figuras graúdas do PT, como José Dirceu, José Genoino, ex-presidente da legenda, Delúbio Soares, tesoureiro da sigla, e João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, pareciam representar um divisor de águas no combate à corrupção institucionalizada. Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Pedro Corrêa, banqueiros e operadores foram condenados a penas severas pela caneta do relator na Corte, Joaquim Barbosa — ainda que, naquela época, o revisor, Ricardo Lewandowski, já trabalhasse para melar as punições.

Ficaria célebre naquelas sessões o voto da ministra Cármen Lúcia sobre a tentativa de camuflar a compra de apoio e assumir só o uso de caixa dois. A tese fora elaborada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos para disfarçar uma roubalheira maior em curso. A oposição topou.

“Acho estranho e grave que alguém diga: houve caixa dois. Ora! Caixa dois é crime, é uma agressão à sociedade brasileira e compromete, mesmo que tenha sido só isso! Fica parecendo que ilícito no Brasil pode ser praticado e tudo bem”

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Supremo entra em campo

O que o brasileiro jamais imaginava é que o mensalão era só a ponta de um esquema de corrupção como método de governança. A descoberta do sistema de compra de votos em dinheiro vivo — muitas vezes sacado na boca do caixa de agências bancárias — deu lugar a um consórcio sofisticado. O petrolão, maior assalto ao Erário já descoberto no Brasil, estava a todo vapor sangrando os cofres da Petrobras.

Em 2014, um grupo de investigadores de Curitiba perseguia o doleiro Alberto Yousseff, numa operação batizada de Lava Jato. O nome fazia referência a um estabelecimento de fachada para lavagem de carros num posto de gasolina em Brasília, onde também funcionava uma casa de câmbio. O fio dessa apuração levou a Polícia Federal até Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras.

Enrolado até o pescoço com evidências de desvio de dinheiro, Costa foi preso e decidiu falar. Na época, foi pressionado pela família, especialmente pelas filhas, a assinar um acordo de colaboração para não passar anos atrás das grades. Havia ainda o temor de que elas fossem presas também.

A delação de Costa foi um rastilho de pólvora que durou sete anos e levou a mais de 160 condenações de políticos, gigantes do meio empresarial, lobistas, empreiteiros, operadores e doleiros. A Lava Jato recuperou R$ 15 bilhões. Os próprios investigadores do esquema afirmam que esse valor não chega à metade do que foi surrupiado.

Nesse capítulo da novela policial, emergiu a figura do juiz Sergio Moro, responsável pelas condenações da Lava Jato e pela prisão de Lula em abril de 2018. No ano em que Jair Bolsonaro derrotaria o projeto de poder do PT nas urnas, Moro era uma estrela nas ruas. Tratado como herói, viu sua popularidade explodir e resolveu trocar a magistratura pela política — escolha que se tornaria a mais errada da carreira.

Em 2017, Moro havia condenado Lula no caso do tríplex no Guarujá (SP) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão não só foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, como os magistrados aumentaram a pena para 12 anos e um mês de cadeia. A condenação em primeira instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia aconteceu quando o ex-presidente já estava atrás das grades.

Lula passou 580 dias numa cela gourmet na sede da Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Nesse período, recebia visitas com frequência, manteve regalias, continuou fazendo política e até arrumou uma namorada. Foi solto pelo Supremo Tribunal Federal em novembro de 2019, quando a Corte determinou que criminosos só poderiam ser presos depois de o caso ter tramitado em julgado — e não mais depois da condenação em segunda instância —, contradizendo uma decisão de fevereiro de 2016 do próprio Tribunal.

Nos anos seguintes, os mesmos ministros togados — a maioria nomeada pelo PT — anulariam as condenações de Lula por supostas falhas processuais. Dos 11 processos, ele foi absolvido em apenas três. Os outros oito, contudo, foram malandramente encerrados, suspensos ou as acusações prescreveram. E o petista pôde voltar às urnas. A corrupção institucionalizada que tomou conta do Brasil durante os mais de 13 anos de governo do PT — um partido que sempre seguiu as ordens de Lula — jamais pode ser esquecida.

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Leia também “Lula versão 89”

40 comentários
  1. carlos roberto de moura
    carlos roberto de moura

    Parabéns, Sílvio Navarro! Temos visto discursos e atos tresloucados que acabam ocupando espaço na imprensa séria e diminuem a exposição do histórico do ex-presidiário. Felizmente a população está cada vez mais politizada e imune a essas inúteis tentativas!

  2. Celso Eveling Caetano
    Celso Eveling Caetano

    parabens Silvio, contra fatos nao há argumentos, pena que meus sobrinhos não querem ver a verdade. Tenho esperança que ao ler este resumo maravilhoso, mudem de ideia.

  3. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Excelente artigo. Parabéns. Por isso Bolsonaro tem que ser reeleito já no primeiro turno em outubro deste ano.

  4. Luiz Antonio Fraga
    Luiz Antonio Fraga

    Ué!!! Cadê aqueles dois petistas-psolistas “infiltrados” aqui na Oeste p’ra dar os “deslikes”?!!!
    Kkkk!!

  5. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Pois é Silvio, mesmo sabendo do ativismo de Fachin com a militância do PT, nossa grande decepção foi Sergio Moro que após ter as condenações de Lula julgadas por ele e mais 2 instâncias, “descondenadas” por Fachin por incompetência do fórum de Curitiba para julgar os processos que condenaram Lula, assim se manifestou sobre Fachin: “repudio ofensas, ataques pessoais ao ministro Edson Fachin, do STF, MAGISTRADO TECNICO e com ATUAÇÃO DESTACADA na Lava Jato. Qualquer discordância quanto a decisão deve ser objeto de recurso não de perseguição.
    Quanta tolerância de Moro com Fachin e intolerância com Bolsonaro, o chefe do único poder que reconheceu seus méritos e o convidou para o importante Ministério da Justiça e Segurança”. Pior ainda foi entender que seriamos idiotas e aceitaríamos suas contundentes agressões a Bolsonaro, ao seu ministério e também a sua afilhada de casamento a deputada Carla Zambelli ao entregar para a Globo correspondências em whatshapp com esta elegância e irresponsabilidade: “Prezada, eu não estou a venda”. Simplesmente porque Carla desejava que permanecesse no governo e que procuraria incentivar o presidente a indica-lo para o STF. Qual o caráter dessa gente do Judiciário com essa soberba?

  6. Fernando Luiz Teixeira Dantas
    Fernando Luiz Teixeira Dantas

    Parabéns, Navarro! Vamos divulgar sua matéria maciçamente em todas as redes sociais.

    1. Silvio Navarro

      Obrigado Fernando! Abs

  7. Jose Carlos Saliba
    Jose Carlos Saliba

    Graças a jornalistas como você, o Brasil nunca esquecerá desses fatos!

    1. Silvio Navarro

      Obrigado Jose Carlos! Abraço

  8. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O que é que está faltando pra nós acreditarmos cegamente, hoje, nessa justiça e nesse PT ?

  9. Fernanda Spelta
    Fernanda Spelta

    Excelente resumo. Esse artigo deveria ser compartilhado a vontade por nos assinantes. Recordar os fatos como aqui narrados, e com a linha do tempo é extremamente educativo.

  10. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Lula, PTralhas e esquerda nunca mais!

  11. Dirceu Bertin
    Dirceu Bertin

    Luladrão continua ladráo

  12. Luiz Wargha
    Luiz Wargha

    Os jovens podem não ter vivenciado esta sujeira toda, mas bastaria se interessar mais na historia para constatar o que esta quadrilha fez para o país.

  13. Nuno Francisco De Almeida Pinhel
    Nuno Francisco De Almeida Pinhel

    Tomara que os mais jovens que não se informaram destes fatos na época, seja por serem muito jovens seja por “não se interessarem por política”, leiam e entendam o que a nação passou. Com isso talvez não façam bobagem que poderão pagar caro no futuro.

  14. Marilza Rodrigues
    Marilza Rodrigues

    Que belo texto Navarro .

    1. Silvio Navarro

      Obrigado Marilza!

      1. Josélia Franco Garcia
        Josélia Franco Garcia

        Excelente resumo! Obrigada!

    2. Erasmo Silvestre da Silva
      Erasmo Silvestre da Silva

      Só falta agora a Suprime Corte prender toda população brasileira

  15. Beatriz Moreira Loureiro
    Beatriz Moreira Loureiro

    Excelente e importantíssima matéria, que deveria ser incluída nos livros escolares. Parabéns Sílvio, Parabéns, Parabéns.

    1. Alexandre Tavares Cerqueira
      Alexandre Tavares Cerqueira

      Sensacional reportagem!! Excelente!! Bem didática. Expõe a podridão dessa quadrilha chamada PT
      Deixem liberada e fixada!

      1. Silvio Navarro

        Obrigado Alexandre!

    2. Silvio Navarro

      Obrigado Beatriz!

  16. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    A Grande Imprensa, em diversas ocasiões, esconde e distorce os fatos.

  17. Fabio R
    Fabio R

    Sensacional a matéria! Parabéns!
    Os jovens “Nem-Nem” jamais viram isso.

    1. Silvio Navarro

      Valeu Fábio!

  18. Gustavo H R Costa
    Gustavo H R Costa

    PQP!!!

  19. ELIAS FELD
    ELIAS FELD

    Os jovens, convocados a votar na eleição desse ano, além de serem recém nascidos na época da explosão dos maiores escândalos de corrupção da história, não recebem qualquer informação dessa triste quadra da vida nacional nos bancos da escola, onde docentes alinhados bovinamente com a esquerda se ocupam de incutir as doutrinas comunistas e ensinam a garotada a não pensar nem questionar os seus dogmas mofados.

  20. JOSE FERNANDO CHAIM
    JOSE FERNANDO CHAIM

    ÓTIMA LEMBRANÇA, SILVIO!!! A MOLECADA PRECISARIA VER ISSO E MAIS UMA COISA, A FALTA DE UMA PUNIÇÃO SEVERA, COM O DINHEIRO PÚBLICO, DEU NO QUE DÁ!!!

  21. José Carlos Falcão De Andrade
    José Carlos Falcão De Andrade

    O fato de o stf ter libertado o mafioso-mor do país através de decisões totalmente imorais só fez AUMENTAR a rejeição do povo honesto do Brasil a esse câncer terminal de nossa política. Diariamente a mera presença desse mau elemento na midia, ameaçando o povo com sua vingança, é um tapa na cara de todos nós que sustentamos esses inimigos da Pátria.

  22. Decorozo Ortiz De Lima
    Decorozo Ortiz De Lima

    COM A GRAÇA DE DEUS, FAREI 72 ANOS EM 20/12 PRÓXIMO. NUNCA, EM TODO ESSE TEMPO, VI O BRASILEIRO TÃO DESINFORMADO, IGNORANTE E ALIENADO COMO AGORA. OS JOVENS, PRINCIPALMENTE ELES. DESCONHECEM POR COMPLETO A REALIDADE ATUAL, A HONESTIDADE E OS VALORES MORAIS COMO VIRTUDES, PARÂMETROS. COM ESSE PERFIL, COMO SABERÃO DISCERNIR O QUE É CORRETO E O QUE É ERRADO, NA HORA DO VOTO ??? POBRE BRASIL …

    1. TEREZINHA NIZETE GUIMARAES DE ALBUQUERQUE
      TEREZINHA NIZETE GUIMARAES DE ALBUQUERQUE

      Correto!Mas por isso precisamos dos votos dos informados, dos conscientes. Essa é uma das razões pela quais vc não deve abrir mão de seu voto, mesmo não sendo obrigado a votar por sua idade.

  23. Paulo Sergio Tosi
    Paulo Sergio Tosi

    Liberem a divulgação massiva desse artigo!!!

  24. Nilton Correa Lampert
    Nilton Correa Lampert

    Muito bom artigo! Como seria salutar se as gerações mais novas, fossem informadas quer pelos seus familiares quer por educadores honestos, quer por imprensa independente desses fatos verídicos, que foram levados ao conhecimento da nossa sociedade em passado recente, não superior a 30 anos !!!!!!

    1. Silvio Navarro

      Obrigado Nilton!

  25. Edson Carlos de Almeida
    Edson Carlos de Almeida

    Excelente artigo ! cabe aos pais orientar seus filhos (as) , o que representa a esquerda nesse país, na figura do Lula ladrão .

    1. Silvio Navarro

      Obrigado! Abraço

  26. L. C. Baldu
    L. C. Baldu

    Parabéns pela reportagem, esse é um dos motivos pelo qual foi feita propaganda maciça para que jovens acima de 16 anos tirassem o título. Com os lacradores à frente.

    1. Silvio Navarro

      Obrigado! Abraço

    2. Silvio Navarro

      Obrigado Baldu! Abraço

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