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Johnny Depp na entrada do tribunal de justiça durante o julgamento de difamação contra sua ex-mulher Amber Heard | Foto: Michael Reynolds/EPA-EFE/Shutterstock
Edição 115

Uma vitória contra os hipócritas

Nesta semana, a história de Amber Heard contra Johnny Depp desmoronou e expôs, mais uma vez, a perigosa espinha dorsal do movimento Me Too

Ana Paula Henkel
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Vários anos atrás, a atriz norte-americana Amber Heard escreveu sobre uma experiência angustiante em que, sem citar nomes, relatava ter sido abusada pelo ex-marido e ator Johnny Depp. Ela alegou graves abusos físicos e emocionais durante todo o casamento, incluindo alegações de que ele havia chutado e espancado seu rosto. Quando eles se divorciaram, após menos de dois anos de casamento, ela se tornou uma voz importante no movimento feminista Me Too, quando as mulheres das indústrias do entretenimento, música e mídia resolveram denunciar tratamentos abusivos, quase sempre de natureza sexual, que sofreram de homens poderosos. Amber protocolou um pedido de medida protetiva contra ele, e, em decorrência disso, Depp foi prontamente excluído de todas as produções das quais participava, assim como teve todos os contratos cancelados de produções pré-agendadas para o futuro. Seu milionário contrato em Piratas do Caribe foi cancelado, e o ator foi excluído da sociedade, da mídia e de eventos da indústria do entretenimento. A imprensa não poupou esforços para seguir alimentando a demonização de Depp acerca da suposta violência doméstica que havia cometido.

Nesta semana, a história de Amber contra Depp desmoronou e expôs, mais uma vez, a perigosa espinha dorsal do movimento. Ainda em 2018, Johnny Depp processou Heard, dizendo que ela o difamou ao acusá-lo de abuso doméstico e, com as falsas alegações, fez com que ele perdesse contratos importantes e, principalmente, seu nome. No julgamento, iniciado há seis semanas, ele precisou provar não apenas que nunca agrediu Heard, mas que o artigo que a atriz escreveu para o Washington Post o difamava. Também teve de comprovar que Heard escreveu o artigo com malícia real, e, para reivindicar danos, Depp afirmou que o texto causou severos prejuízos à sua reputação.

Johnny Depp e Amber Heard durante o julgamento | Foto: Law&Crime Network

A batalha judicial acalorada e televisionada entre Johnny Depp e Amber Heard finalmente acabou na última quarta-feira, e um júri de sete membros no veredito afirmou que Heard o difamou e que prevaleceu a vitória do ator nas três reivindicações do processo. A atriz terá de pagar ao ex-marido a quantia de US$ 10 milhões em danos compensatórios, além de danos punitivos de US$ 5 milhões. O caso, no entanto, vai além do que mais um mero show hollywoodiano comentado enfaticamente pelos fãs de ambos. O episódio mostra as vísceras do vil movimento atual feminista, que não está interessado em pautas pertinentes e justas para as mulheres, mas no ganho político e financeiro à custa das reais vítimas de abusos e da demonização de todos os homens.

Amber Heard durante o veredito final | Foto: Law&Crime Network

Como pessoas de diferentes esferas, experiências diversas e pontos de vista variados convivem pacificamente dentro de uma sociedade civil? Qual é o principal ingrediente necessário para a democracia prosperar? É claro que nada se resume a um ponto apenas, mas acredito que podemos resumir em uma palavra: confiança. Uma sociedade civil saudável é construída sobre relacionamentos, amizades e associações que promovem a confiança no próximo. A liberdade e uma comunidade forte florescem em uma cultura de confiança, e, infelizmente, estamos perdendo isso há algum tempo. Vemos esse cenário não apenas na paisagem norte-americana em vários graus, mas no mundo de forma geral.

O politicamente correto, instaurado no Ocidente pelos globalistas fãs de Marx, prega que os pobres não devem confiar nos ricos, os negros nos brancos, os filhos nos pais. Na vida real, atualmente os eleitores não confiam nos políticos e os cidadãos não confiam na mídia. Sentimos tanta desconfiança que ficamos insensíveis a ela. Por muitas vezes, alimentamos esse sentimento sem pensar. Afinal, não achamos que a desconfiança gerada “lá fora” na política e nas mídias sociais pode afetar nossa vida diária. Mas afeta e está se expandindo. Como uma doença, essa desconfiança está infectando nosso relacionamento mais fundamental, o alicerce de uma sociedade civil livre — o relacionamento entre homens e mulheres.

Guerra dos sexos

A quebra de confiança entre os sexos é o legado trágico do vazio movimento feminista moderno — ou pelo menos a tentativa avassaladora de silenciar dissidentes que não rezam a cartilha hipócrita das feministas. A campanha do movimento Me Too assumiu um novo fervor que se alimenta da crescente acusação de que a masculinidade é vil, tóxica e inerentemente predatória. O medo dos homens é legitimado, pois qualquer acusação é tratada como fato, e os homens são vistos como “o inimigo”, um desvio incorporado que deve ser remodelado na imagem de uma mulher. Sua sexualidade é assumida como naturalmente brutal, uma ameaça a ser controlada e reduzida para que o homem individual seja considerado “seguro”.

Embora a disposição das mulheres de responsabilizar os homens por qualquer comportamento sexual criminoso deva ser aplaudida, a abordagem de terra arrasada que estamos vendo é destrutiva, porque mina a confiança saudável e o mais grave: a própria segurança de todas nós. Quando qualquer coisa, desde um toque ingênuo durante uma sessão de fotos até uma tentativa inocente de beijo, é comparada a estupro e abuso sexual, não estamos curando a sociedade, mas infectando relacionamentos com o veneno da desconfiança. Seja no local de trabalho, em um restaurante, uma igreja ou em casa, a interação entre um homem e uma mulher é única e primordial para todos os outros relacionamentos. Quando uma quebra de confiança acontece, quando o medo do outro sexo se generaliza, a sociedade simplesmente não consegue prosperar.

Em tempos de totalitarismo social e político, o sexo era severamente regulamentado e relacionamentos amorosos entre homens e mulheres proibidos

Tudo o que envolve a dinâmica sexual saudável é essencial para o relacionamento entre homens e mulheres. Para que a confiança floresça, essa realidade não pode ser negada e deve ser tratada com respeito, cuidado e honestidade, e não simplesmente apagados da vida moderna. Não pode haver abuso nessa relação, e uma parte da polaridade — seja masculina seja feminina — não pode ser rotulada como tóxica, brutal ou maligna, inclusive como foi feito no passado por certas religiões totalitárias em relação à sexualidade feminina. Uma vez que esse rótulo é colado, a desconfiança é gerada em detrimento de todos. Se as mulheres acreditam que todos os homens são perigosos, não pode haver confiança entre os sexos. Os homens não vão se tornar eunucos, mudar e se tornar como as mulheres, abandonando sua masculinidade natural. Essa é a identidade e a natureza dos homens, e ela não pode ser expurgada sem destruir quem eles são como indivíduos livres, como homens e protetores.

A destruição da liberdade

O movimento feminista Me Too concedeu uma exceção perigosíssima ao princípio justo de qualquer devido processo legal de inocência até que provem o contrário. O problema, não apreciado pela gritaria das atuais feministas, é que, se todos os homens são vis, tóxicos e abusadores, ninguém é. Se toda masculinidade é apenas o compartimento de um estuprador em potencial, os reais abusadores conseguem se dissipar na multidão e seus crimes passam a não ter o peso que merecem. Quando nossos relacionamentos mais íntimos e fundamentais são governados pelo medo e pela desconfiança, a liberdade que constrói relações sólidas e saudáveis entra em colapso. Quando você não confia mais em outras pessoas e elas precisam ser monitoradas, controladas e incansavelmente investigadas ou observadas, como o atual feminismo prega com todos os homens, a própria liberdade é destruída. É por isso que o totalitarismo prospera na desconfiança.

A dicotomia “confiança versus medo” sempre prosperou em regimes totalitários. Como tem sido amplamente documentado em milhares de livros, a estratégia geral é induzir a desconfiança entre cidadãos comuns, vizinhos e até mesmo entre familiares. Além disso, os regimes totalitários instituem a perseguição e a punição arbitrária dos cidadãos, deixando-os em permanente estado de incerteza. Sob tais regimes, ninguém sabe se, quando e por que eles serão chamados a se apresentar no que pode ser tranquilamente chamado de “tribunal da injustiça”. Como isso se aplica a homens e mulheres em um ambiente de suspeita, eles nunca sabem quando serão apresentados nos tribunais da injustiça como “abusadores sexuais”. Os homens serão cautelosos com cada palavra, cada ação e viverão com medo da acusação de uma mulher. A comunicação limpa será interrompida ou restringida. Ninguém será real um com o outro. O flerte inofensivo já é sufocado e as sementes da intimidade esmagadas. O amor é erradicado e o medo toma seu lugar.

Bullying e egoísmo

A mulher ganhou espaços espetaculares na sociedade ocidental. Apesar de os atuais movimentos feministas fingirem cegueira, somos ouvidas no mundo livre. O que está faltando, no entanto, é a grande responsabilidade que vem com esse poder recém-descoberto. Seria excelente para encorajar e inspirar meninas a buscarem a excelência e a realização, mas as mensagens feministas modernas falham em combinar essa mensagem com apoio e compaixão pelos outros. É mesquinho e ressentido. Com demasiada frequência, o tal empoderamento feminino e a liberação tornam-se sinônimos de bullying e egoísmo.

Nós, como sociedade, precisamos parar e dar uma olhada séria em nós mesmos. É preciso restaurar a confiança por meio da responsabilidade — criminalidade e abuso de qualquer forma, seja mentira, roubo, assassinato ou estupro, são ataques à sociedade civil, e indivíduos devem pagar por isso. Estamos indo além de meramente responsabilizar indivíduos por comportamento criminoso ou abusivo para policiar a masculinidade. O que estamos perdendo não é a liberdade sexual, mas a liberdade relacional e a confiança que a sustenta.

Em tempos estranhos de totalitarismo social e político — por isso temos citado tanto George Orwell, em 1984 —, o sexo era severamente regulamentado e relacionamentos amorosos entre homens e mulheres proibidos — um código que o protagonista Winston Smith violou quando se apaixonou por Julia. Para “reprogramar” Winston em conformidade com o Estado, um dos membros do partido interno do Big Brother quebra a confiança entre eles através da tortura: “Nunca mais você será capaz de amor, amizade, alegria de viver, riso, curiosidade, coragem ou integridade”, diz o torturador O’Brien. “Você será oco. Vamos espremê-lo e depois enchê-lo com nós mesmos.” Sim, é assustador.

Isso é o que estamos fazendo ao criar desconfiança a ponto de homens e mulheres não poderem viver autenticamente uns com os outros. Estamos nos esvaziando de nossa humanidade, tirando nossa confiança um no outro e roubando o afeto mútuo. Tenho medo de que um dia vamos acordar e sentir o vazio interior, descobrir que estamos sozinhos e sacudir a gaiola que construímos ao nosso redor porque escolhemos o medo e o silêncio.

A tensão sexual entre homens e mulheres sempre existirá, e se as mulheres assumem que a sexualidade de um homem é uma ameaça em vez de um poderoso complemento à sua própria sexualidade, elas sempre estarão em guarda. Nesse ambiente de suspeita, não pode haver privacidade entre um homem e uma mulher. Se houver qualquer interação, mesmo que não seja sexual, o homem vai desconfiar que a mulher se voltará contra ele — então a comunicação é silenciada. O medo é gerado em ambos os lados, e o medo é a morte da confiança e também a morte do amor.

Amber Heard e Johnny Depp quando ainda estavam juntos, em 2015 | Foto: Bakounine/Shutterstock

Leia também “Luz em tempos de escuridão”

16 comentários
  1. João Bosco De Barros Wanderley
    João Bosco De Barros Wanderley

    EXCELENTE ANÁLISE. ACREDITO QUE A RELAÇÃO ENTRE OS HOMENS E AS MULHERES TÊM SIDO MUITO PREJUDICADAS PELO DENUNCISMO EXAGERADO.

  2. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    É por isso…por esses MALDITOS WOKE CHOCADOS DOS OVOS DAS SERPENTES DAS ACADEMIAS NORTE AMERICANAS….
    Que , EU, um notório anti comunismo….APOIO A RUSSIA CHINA E ALCORÃO….
    Esse OCIDENTE EUROBAMBY e IANQUENAZZY mercantilista…me dá nojo e não me representa mais.
    FORA WOKE!!
    Já mandou um embora de sua VIDA e EMPRESA HOJE?!!
    TÁ ESPERANDO O QUÊ?!?

  3. Gilson Herz
    Gilson Herz

    Parabéns Ana. O comunismo é assim, divide pessoas para criar o caos. Por isso os comunistas tem que ser extirpados, de preferência da Terra.

  4. Robson dos Santos
    Robson dos Santos

    Realmente estamos vivendo tempos sinistros. Meses atrás fiz uma pergunta sem malícia e desprovido de qualquer interesse que não fosse profissional, dirigi a palavra de modo respeitos e cordial a uma das coladora da empresa que trabalho. Imediatamente fui bombardeado de olhares de ódio, repúdio e discriminação pelo fator de eu ser homem.
    Ela sentiu-se ofendida por ter-me dirigido a palavra a ela, fez uma reclamação e fui advertido verbalmente e documental, precisei assinar o documento sem poder me defender o questionar nada. Pois, ninguém estava preocupado com o que eu tinha para falar. E fui suspenso por 02 dias no trabalho como punição. Confesso que, evito contato ou proximidade com mulheres disso.

  5. marcos antonio rossi
    marcos antonio rossi

    enfrentamos uma separação entre raças, gênero entre outros construído pelo comunismo para somente o estado ser a célula de união entre os povos nos tornando escravos do estado dependentes deste e governado pela ditadura do judiciário que nos forçará a escravidão

  6. Paulo Ferreira Dos Santos Junior
    Paulo Ferreira Dos Santos Junior

    Há artigos que devem ser abertos a todo o público, por serem extremamente reveladores. Esse é um deles. Parabéns querida Ana.

  7. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Ótimo, excelente texto. Tempos estranhos esses em que estamos vivendo.

  8. Fernando De Vilhena Diniz
    Fernando De Vilhena Diniz

    Ana, foi o melhor texto seu que já li. Reitero minhas congratulações por sua coragem em expor a face oculta do feminismo, se continuarmos assim estaremos a beira da extinção da espécie.

  9. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Apenas um comentário:relacionamentos abusivos existem.Se você está vivendo dessa forma, existem leis que te ajudam a sair dessas situações, peça o divórcio ou se separe, ninguém é obrigado a viver com medo diariamente.Vale para pobres,ricos ou classe média.Sempre existe uma saída,seja para homens ou mulheres.A vitimização ou o desejo de lucrar com dinheiro do parceiro não é nem será a saída.

  10. Marcelo Martins
    Marcelo Martins

    O mais impressionante é que algumas pessoas andam dizendo que essa vitória do Johnny Deep poderá prejudicar o combate à violência contra as mulheres. Ou seja, para essas pessoas, para que a causa não perca força, é necessário que TODOS os homens acusados, mesmo aqueles que são inocentes, sejam condenados!
    Para eles, o mais importante é a causa em si, e não a inocência do acusado!
    Se a acusação não conseguiu juntar provas que corroboram a acusação, a pessoa tem que ser declarada inocente, e ponto final!
    Não é porque a vítima é uma mulher, que automaticamente qualquer acusação tem que ter como veredito, a condenação do homem.
    Mas hoje, o sistema está acusando e condenando homens antes mesmo de um julgamento! A mulher denuncia e, automaticamente, o homem é banido das redes sociais, seus contratos com patrocinadores são cancelados, não é mais convidado para eventos, etc., etc.
    E isso não está acontecendo somente com relação à violência contra a mulher mas também com relação à opiniões relacionas à gênero e raça.
    Quem se lembra do jogador Maurício, que foi demitido do clube em que jogava devido ele ter feito uma declaração sobre personagens gays nos quadrinhos?
    Ele disse o que pensava, ou seja, que não achava isso legal, mas o que aconteceu? Devido à pressões dos patrocinadores do time, que foram pressionados por ONGs ligadas ao movimento de combate à homofobia, o jogador foi demitido do clube!
    Ou seja, as pessoas não tem mais o direito de dizer em público que não aprovam a homossexualidade, que não acham isso certo, que acham que é pecado e coisa e tal.

    Ultimamente, criticam a “masculinidade toxica” presente num filme como Top Gun Maverick! É como se dissessem que todos os pilotos precisam ser gays para que o filme seja aceito por eles! É como se o homem, para ser homem, precisa beijar outro homem na boca, fazer sexo com outro homem, precisa ser culpado por ter dado um beijo numa mulher, etc.
    Estamos vivendo uma nova era de inquisição!

  11. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O que está prevalecendo atualmente é a ignorância e falta de Cultura para estes esquerdistas. Eu, num curso de reciclagem da polícia há uns dez anos e discuti com o professor sobre a lei do estupro que dizia que encostou, alisou, beijou sem a permissão era estupro, quando a lei fala em conjunção carnal

  12. Fernando Anthero
    Fernando Anthero

    Belo artigo Ana Paula

  13. Valesca Frois Nassif
    Valesca Frois Nassif

    Parabéns como sempre, Ana, pelo carinho, dedicação, zelo e detalhamento com que vc escreve seus textos. São um verdadeiro presente, que nos levam sempre a uma inevitável reflexão e revisão de conceitos e valores! Muito obrigada !

  14. Andreia Rodrigues Gomes
    Andreia Rodrigues Gomes

    “Tenho medo de que um dia vamos acordar e sentir o vazio interior, descobrir que estamos sozinhos e sacudir a gaiola que construímos ao nosso redor porque escolhemos o medo e o silêncio”. Na mosca. Parabéns!!

  15. Roberto Gomes
    Roberto Gomes

    Excelente Ana. Contundente. Marcante. Sobre a amizade mediando relações humanas e sociais lembrei de “Politiques de l’amitié” de Jaques Derrida (1984). Abraço

  16. LUIZ ALBERTO DUARTE NUNES
    LUIZ ALBERTO DUARTE NUNES

    Mais uma vez um comentário excelente e realista.

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