Parque temático Puy du Fou | Foto: Reprodução/Redes sociais
Parque temático Puy du Fou | Foto: Reprodução/Redes sociais

Fuga da realidade

Parques temáticos se tornaram populares com a Disney, e hoje o conceito se expande pelo mundo

É difícil encontrar uma criança que não queira visitar a Disney World. Mesmo que seus pais façam sermões sobre os perigos do imperialismo cultural e proíbam os filhos de chegarem perto de Orlando, na Flórida, um dia provavelmente eles irão, mesmo que adultos. E vão chorar como crianças quando visitarem a casinha onde Mickey mora com Pluto.

Parques temáticos como a Disney World foram pensados não como lugares para serem visitados, mas experimentados. A ideia é que você se desligue do mundo exterior e mergulhe numa realidade paralela congelada, viva um personagem que você não é, sinta emoções inéditas. E volte outro dia.

A Disney World de Orlando atingiu, é claro, o estado de arte em matéria de fazer os visitantes escaparem do árido mundo da realidade cotidiana. Eles podem mergulhar na fantasia do Magic Kingdom, no conhecimento do Epcot Center, nos bastidores dos Hollywood Studios e na simulação de natureza do Animal Kingdom.

Até outro dia, parque temático era sinônimo de Disney, que abriu filiais em Paris, Tóquio, Hong Kong e Shanghai. Poucos outros exemplos se tornaram mundialmente conhecidos, como o Legoland, o parque feito de peças Lego, que começou na Dinamarca e hoje está presente nos EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e Malásia.

Empreendimentos em decadência podem se reerguer reciclados como um parque

A revista Newsweek publicou em julho uma reportagem sobre o mercado de parques temáticos, que está em crescimento e reformulação. Eles custam caro para ser criados, mas podem dar um grande retorno financeiro. E geram uma cadeia de empreendimentos locais e uma rede de empregos periféricos. Empreendimentos em decadência podem se reerguer reciclados como um parque. Alguns dos exemplos citados pela reportagem da Newsweek:

Salina Turda (Romênia)

Já foi uma grande mina de sal, que começou a ser explorada há 2 mil anos. Atualmente é um complexo de salões naturais e corredores a 120 metros de profundidade em plena Transilvânia, a terra do Conde Drácula. O visitante pode conhecer o Museu de Sal, passear de barco num lago subterrâneo ou nadar nos lagos salgados Durgau, que, segundo os médicos locais, ajudam a curar dores e inflamações nas juntas. No anfiteatro de pedra, concertos são realizados, aproveitando a acústica natural. A iluminação interna transformou a Salina Turda num cenário de ficção científica. Hoje poderia apenas ser uma mina de sal abandonada, mas transformou-se numa atração turística para milhares de turistas locais e do exterior. 

Hacienda Nápoles (Colômbia)

Acredite se quiser, este é um parque temático em homenagem ao magnata da cocaína Pablo Escobar (1949-1993), localizado na sua antiga propriedade perto da cidade de Medellín. Os temas são baseados no que o dinheiro sem fim de Escobar podia comprar — um zoológico particular, uma arena de tourada, uma coleção de carros antigos. Tudo marcado pela cafonice assumida do traficante. Seu símbolo é uma fêmea de hipopótamo roxa chamada Vanessa. Segundo a Newsweek, Vanessa é mansinha, mas as redondezas do parque foram tomadas por ferozes hipopótamos, que se multiplicaram sem controle a partir dos quatro espécimes originais contrabandeados por Pablo Escobar, ainda no auge de seu poder. 

Parque temático Hacienda Nápoles, de Pablo Escobar, com a piscina Cataratas Victoria | Foto: Shutterstock

Puy du Fou (França e Espanha)

Parques dedicados à História. O visitante pode vestir uma toga e assistir a uma luta entre gladiadores (de mentirinha, claro) e depois esticar assistindo a uma corrida de bigas no melhor estilo Ben-Hur. O visitante também pode frequentar um show simulando uma invasão viking, uma encenação de mosqueteiros do tempo de Richelieu, uma reunião dos cavaleiros da Távola Redonda e tomar um vinho numa taberna medieval. Tudo é meio falso, claro. Mas a diversão — e algumas lições de história — é garantida. 

Atração do parque Puy du Fou | Foto: Divulgação

Imsil Cheese Theme Park (Coreia do Sul)

Sul-coreanos são fanáticos por queijo, e este parque, em Jeonbuk, é inteiramente dedicado ao laticínio. Tenta imitar uma aldeia suíça, e o resultado visual não é dos mais refinados. Mas serve como exemplo de um parque cujo tema é uma produção local, o que multiplica suas vendas. As pessoas não vão só comer queijo em Imsil, elas vão “viver” o queijo, comprar bonequinhos de personagens imitando queijo, gastar seu dinheiro com queijo, ajudar a produzir queijo artesanal e tirar selfies que irão trazer mais visitantes.

Parque Imsil Cheese | Foto: Reprodução/Redes sociais

Crocodile Cove (Austrália)

Todo mundo sabe que os crocodilos australianos são os maiores do mundo. Este parque de Darwin é dedicado aos gigantes da espécie Saltwater. Sua maior atração é um tubo transparente (conhecido como “A Gaiola da Morte”). Os visitantes ficam dentro desse tubo sob a água cercados durante 15 minutos por répteis de quase 6 metros de comprimento. Os turistas ainda podem alimentar os animais numa “experiência VIP” ou tirar fotos com os filhotes. Claro que ninguém perguntou aos crocodilos se eles gostam de fazer esse papel.

Atração do parque Crocodile Cove | Foto: Divulgação

O negócio dos parques temáticos está em expansão. A Arábia Saudita já anunciou que deve inaugurar, até 2025, um complexo “extremo” chamado The Rig. Ele será construído sobre uma plataforma marítima de petróleo. Vai reunir esportes radicais, veículos de mergulho, três hotéis, 11 restaurantes, tobogãs, rodas-gigantes, bares, pistas de kart, tudo isso flutuando no meio do Golfo da Arábia. Como a mina de sal romena, a plataforma de exploração de petróleo poderia ser desmontada como sucata. Mas está se reciclando com potencial para gerar muito dinheiro. 

E o Brasil?

Por aqui, já tivemos um projeto que virou folclore, a Vasconcelândia, imaginada pelo grande humorista José Vasconcelos, que faleceu em 2011 sem ter concretizado seu sonho. Temos os Parques da Mônica, baseados na obra de Mauricio de Souza, mas eles nunca foram além das limitações de um shopping. E o Hopi Hari, um parque de atrações entre São Paulo e Campinas que enfrenta sérias dificuldades financeiras.

Parque de diversões Hopi Hari, em São Paulo | Foto: Shutterstock

Uma iniciativa que deu certo foi o Beto Carrero World, localizado em Penha (SC). Inaugurado em 1991, virou uma atração real dentro do turismo brasileiro. Já foi focado no mundo rural, inspirado pelo caubói fictício vivido pelo seu fundador, João Batista Sergio Murad, que morreu em 2008. As atrações são muitas: um show subaquático, um castelo com shows licenciados pela produtora DreamWorks, um passeio de barcos para crianças, um minizoo, um espetáculo de cavaleiros “medievais”, montanha-russa, uma vila de faroeste, uma ilha dos piratas, parque de diversões, atrações radicais, o Portal da Escuridão, baseado em filmes de terror — e a lista continua.

João Batista Sergio Murad, fundador do Beto Carreiro World | Foto: Reprodução

O Beto Carrero World é o parque temático intencional mais bem-sucedido do país. Mas existem outros movidos por princípios ideológicos. Um exemplo disso são as muitas reservas indígenas que funcionam como parques temáticos da pré-história graças à ação de antropólogos de esquerda e ONGs chefiadas por brancos. Mudanças e soluções para esses povos são vetadas, para manter os indígenas nus fazendo miçangas pelo resto da eternidade. Como num Jurassic Park de humanos sem direito à evolução.

O parque Beto Carrero World, em Penha (SC) | Foto: Shutterstock

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