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Lula, Janja e Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca, em Washington (EUA) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Edição 190

Carta ao Leitor — Edição 190

O perfil da primeira-dama Janja da Silva e a vida dos moradores de Mairi, uma das cidades reféns do Bolsa Família, estão entre os destaques desta edição

Redação Oeste
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Na cabeça de Janja da Silva, o cargo de primeira-dama é tão ou mais importante que o do próprio presidente. Embora não tenha recebido um único voto, ela invade fotos oficiais reservadas a chefes de Estado, participa de reuniões ministeriais, visita áreas atingidas por desastres naturais em nome do marido, promete socorrer flagelados, decide quem merece mais atenção ou quem deve levar cartão vermelho. Agora reivindica um “gabinete formal” no Palácio do Planalto, “como o da primeira-dama dos Estados Unidos”.

Quase sempre conhecida pela discrição, a mulher do presidente norte-americano não tem um cargo, mas um título simbólico e não remunerado. É assim também no Brasil. Mas, diferentemente do que ocorre aqui, lá as despesas em eventuais atividades só são custeadas quando são do interesse da Casa Branca.

No Brasil de Janja, a situação é bem diferente. É quase impossível ver o presidente num evento oficial sem a mulher a tiracolo. Em dez meses de governo, Lula e a primeira-dama visitaram 19 países. Mais de dois por mês. A comitiva que acompanha o casal — escolhida a dedo por Janja — já chegou a ocupar duas aeronaves. Só na viagem à China, os passageiros foram mais de 300. Como sempre, os pagadores de impostos bancaram hotéis de luxo e restaurantes cinco estrelas. 

Os mesmos patrocinadores custeiam os três chefs de cozinha que Janja faz questão de manter no Alvorada para “variar os sabores e pratos”, além dos vestidos exclusivos encomendados a estilistas nacionais, porque a primeira-dama acha muito importante “divulgar a moda brasileira no exterior”. Já no início do terceiro mandato de Lula, os trabalhadores extorquidos pela carga tributária receberam uma conta de quase R$ 110 mil. Foi esse o preço do sofá e da cama novos em folha que Janja instalou na residência presidencial. 

“No coração do poder, desde o primeiro dia Janja parece tão à vontade quanto deputado no sexto mandato”, mostra a reportagem de capa desta edição, assinada por Augusto Nunes e Cristyan Costa. “Entra sem pedir licença em reuniões ministeriais, dá pitos em quem piora o humor de Lula com más notícias, nomeia e demite. Com o marido retido em Brasília para comparecer à posse do novo presidente do STF, Janja visitou a região gaúcha afetada pela tragédia. Escoltada por ministros, prometeu socorro aos flagelados e ajuda aos desvalidos. Não é pouca coisa, certo? Pois é quase nada para a paranaense de 56 anos resolvida a ‘ressignificar o conceito de primeira-dama’. A expressão não mereceu uma única e escassa menção no texto constitucional. Mas, pelo que anda fazendo, Janja acredita que quem vota num candidato a presidente elege um casal.

Enquanto isso, a quase 2 mil quilômetros de distância, os moradores de Mairi, no interior da Bahia, sobrevivem sem emprego, sem água potável e sem direito ao sonho de melhorar de vida. Dos 18 mil habitantes, menos de mil têm algum tipo de trabalho. Desses, mais de 50% são funcionários públicos municipais. Cerca de 10 mil sobrevivem com a mesada do Bolsa Família.

Em alguns bairros, a água chega a cada oito dias com o caminhão-pipa. A gravidez na adolescência é uma espécie de drama hereditário: Sirlene Silva Coelho, de 54 anos, engravidou pela primeira vez aos 15. O mesmo aconteceu com a filha e a neta.

Depois de vários dias acompanhando o cotidiano da cidade, o repórter Artur Piva colheu uma série de histórias impressionantes, com cifras surpreendentes. Por exemplo: da receita de R$ 75 milhões estimada para Mairi neste ano, R$ 70 milhões vêm de transferências dos governos estadual e federal. “Sem elas o Executivo municipal ficaria completamente paralisado”, informa Piva.

Janja é a cara do governo. Mairi é o rosto do Brasil real.

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 190. Janja Lula da Silva, primeira-dama do Brasil, no Palácio da Alvorada, em Brasília (28/6/2023) | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
18 comentários
  1. zelma abdala galesi
    zelma abdala galesi

    O Brasil continua sendo refém de golpistas.O que vemos com Lula Janja e gang é a FARRA dos oportunistas.

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Uma malandra ostentando as nossas custas.

  3. Wagner José Corrêa Silveira
    Wagner José Corrêa Silveira

    Recebi o e-mail da revista esta semana mas só abre a reportagem de capa, o que está acontecendo?

    1. arcelino mendonça da cunha
      arcelino mendonça da cunha

      Eu também não consigo todo o conteúdo da revista

  4. Emilio Sani
    Emilio Sani

    Os políticos de hoje são uns frouxos, deveriam ao ter uma reunião com o presidente simplesmente ‘ordenar’ que ela se retire se entrasse na sala. Caberia então ver a reação do luladrao e se fosse diferente de mandar a janjita se retirar entrar imediatamente com pedido de impeachment por crime de responsabilidade, afinal, ela não tem nenhum direito de participar de qualquer reunião oficial

  5. CARLOS FLORESTA DE OLIVEIRA
    CARLOS FLORESTA DE OLIVEIRA

    Esta sela de Jumento é mais atravessada do pau de lata de construção. Se mete em tudo e como a lata de construção no fim da obra é esquecida e jogada fora.

  6. Pedro Hemrique
    Pedro Hemrique

    No país do faz de contas, anormalidades são aqueles que pensam, assim esta Senhora pode tudo, porque somos inúteis como diz a letra do Ultraje a Rigor “a gente somos inúteis” ….

  7. Ingon Knorr Weiler
    Ingon Knorr Weiler

    Eu, Ingon knorr Weiler , assinei a Revista Oeste faz 15 dias ainda não recebi nenhuma. Nem o aplicativo consegui abrir.
    Assino a Gazeta do Povo há dois anos
    Devo ter esquecido um item do cadastro
    Por. FAVOR ME INFORMEM
    GOSTARIA MUITO ESSA ACINATURA
    ANTECIPO AGRADECIMENTOS pela atenção

    1. Branca Nunes

      Igor, Entraremos em contato nesta segunda-feira para resolver o problema. Obrigada por avisar. Abraço

  8. Cesar Lovisaro Neto
    Cesar Lovisaro Neto

    Essa tb não sabe fazer o O com o copo igual o marido.mas se acha, é próprio dos inúteis

  9. Celeste Freitas
    Celeste Freitas

    Janja saiu da posição de acompanhante de ladrão e quer impor cargo para ela, isso é péssimo para o governo que está se quebrando por causa do deslumbrante deles.

  10. Perecles Antônio Gonçalves Pacheco
    Perecles Antônio Gonçalves Pacheco

    Tem-se notado que Janja da Silva gosta muito de aparecer, e quase sempre com o desconfiômetro desligado. Essas intrusões de Janja da Silva a ambientes e ocasiões inadequados, não raro privativos de chefes de Estado, revelam-lhe ausência de autocrítica e senso de conveniência, o que poderia ser obviado por Lula da Silva se tivesse personalidade e ascendência moral para adverti-la ou corrigi-la. Desconhecimento de normas de etiqueta pode ser sanado com aprendizado, bom senso e bom gosto. Com um certo esforço, tudo se aprende, mas se ensinar, claro.

  11. João Bosco dos Santos
    João Bosco dos Santos

    E com pesar que escrevo este desabafo, como brasileiro sinto profundamente estarmos passando por esta situação humilhante vendo esta senhora desfrutando as benesses do poder e estar pouco se ligando para o povo que passa por necessidades e que não podem ter acesso. ao mínimo para sobrevivência Fizeram o L agora aguenta

  12. João Bosco dos Santos
    João Bosco dos Santos

    É COM

  13. Elaine Sonehara
    Elaine Sonehara

    É uma oportunista!
    Aqui no Brasil jamais terá Evita Peron.

  14. joyce teixeira da silva francisco
    joyce teixeira da silva francisco

    Vocês deveriam investir e fazer uma reportagem a séria da primeira ..@ do Brasil. Colocar esta criatura como capa é realmente um escárnio com o povo brasileiro. Não bastasse termo um padrão amigos de terroristas e furadores, um supremo narcoditador e agora essa mulherzinha como primeira dama. É demais!

  15. Mariangela Rodrigues Fonseca Muniz
    Mariangela Rodrigues Fonseca Muniz

    Ela quer ser a Evita Peron dos brasileiros.
    Com direito a se candidatar à vaga do marido nas próximas eleições.
    Deus nos ajude!!

  16. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Querida Branca (minha neta é Bianca). Mais uma boa edição da revista. Mada um recadito para a Ana que o texto dela é para colocar num quadro emoldurado. Não tenho celular e só and opelas plataformas antigas como o Facebook. Sei que não dá para interagir, por regras e ética profissional. Tenho observado que a maioria da população realmente pouco conhece a história do Oriente Médio. Faltaria alguém colocar alguns pontos que andam escondidos. Por exemplo: quando a gente tem uma visão macro é importante dar uma olhada no mapa mundi ou um mapa do Irente médio e ver se descobre com uma lupa onde está localizado Israel. É um pontinho pequeno no meio do grande mundo árabe. Parar, olhar e refletir sobre esses mapas poderá atrair outras análises mais verdadeiras. AS redes sociais estão lotadas de postagens com mapas lá de Israel e Gaza, mas o pessoal perde a noção de tempo e espaço. O aparthaid que a esquerda hipocritamente enxerga é do mundo árabe. É só dar uma olhada no mapa. Realmente a situação poderia ser resolvida se a ONU não estivesse dominada pela esquerda mundia. Bem que poderiam fazer como em 1948 e convocar uma Assembléia Geral para resolver o litígio ouvir as partes e qual fronteiras deveriam ser discutidas. Mas, parece que eles não querem um Estado homologado pela ONU, eles querem um local para os terroristas ajudarem a expulsar ou matar todos os judeus daquela região e depois do mundo inteiro. Quem é o cara para mostrar os mapas que citei e mostrar como um país tão pequeno (7,9% do RS) pode conviver rodeados de inimigos cruéis?

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