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luís roberto barroso
Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Edição 274

Barroso: ‘No tema do enfrentamento à corrupção, minha posição não prevaleceu em diversas votações. Eu lamento’

Em entrevista exclusiva a Oeste, o presidente do STF falou sobre o 8 de janeiro, o 'Inquérito das Fake News' e o caso Cesare Battisti, entre outros assuntos

Durante uma entrevista concedida ao programa Roda Viva, em 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou o assalto a estatais e a outras entidades subordinadas ao Estado, nos governos Lula e Dilma, como “roubalheira”. Poucos anos depois, a Corte ajudou a desmontar a operação que por alguns anos fez os brasileiros acreditarem que todos eram iguais perante a lei. Confrontado pela Revista Oeste a respeito disso, o agora presidente do STF afirmou que sua “posição não prevaleceu em diversas votações”. “Eu lamento”, disse. Foi durante a gestão de Barroso que Dias Toffoli anulou todos os atos da Lava Jato contra poderosos, como o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci. “Fraude em licitações, superfaturamento de contratos, pagamentos de propinas e outros comportamentos desviantes são crimes, não importa em que governo tenham sido cometidos”, ponderou Barroso.

Interpelado sobre condenações coletivas de gente sem foro privilegiado no 8 de janeiro, Barroso disse que “a polarização existente no país, infelizmente, faz com que as pessoas repitam fatos inverídicos ou sobre os quais não têm a menor compreensão”. “Nós estamos falando de crimes muito graves, que incluem abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e depredação de patrimônio público”, disse, ao mencionar que muitas delas rejeitaram o Acordo de Não Persecução Penal por supostos motivos políticos. “É preciso ver os vídeos, a violência, a agressividade, a selvageria para deixar de lado a narrativa falsa de que eram velhinhas com a Bíblia na mão.” A frase é bastante parecida com o que volta e meia declara o relator dos casos no STF, Alexandre de Moraes, quando se refere ao protesto.

Prestes a deixar a presidência do STF, daqui a cerca de três meses, Barroso abordou diversos temas na entrevista que a Revista Oeste propôs em abril. Entre eles, o inquérito das fake news, o processo de Débora dos Santos e o caso Cesare Battisti, que foi cliente de Barroso antes de o ministro assumir uma cadeira no Tribunal.

Leia a seguir a íntegra da entrevista.

Em setembro, a presidência do senhor no STF acabará. O que foi possível fazer em dois anos? Quais foram os acertos e os erros de sua gestão?

Eu vivo a minha vida com boa-fé, com boa vontade e só faço o que é certo. Isso é um pouco incomum no mundo em que a gente vive, mas essa é a minha fé mais profunda, a minha religião: só faço o que é certo, justo e legítimo. Além disso, eu acredito que há uma fagulha divina na verdade. Portanto, eu só falo o que é verdadeiro. É claro que, nas sociedades abertas e democráticas, a verdade não tem dono, porque existem múltiplos pontos de observação da vida. Mas diferentes pontos de vista é uma coisa completamente diferente da mentira deliberada, porque nesse tipo de comportamento a má-fé está embutida. É com esse espírito que eu aceitei ter essa conversa franca com vocês. Parto do pressuposto de que, em boa-fé, vocês tenham interesse de ouvir uma pessoa que criticam habitualmente, geralmente de maneira injusta. Sobre a minha gestão à frente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), exponho algumas realizações. Começo pelo CNJ. No plano da integridade e da qualidade do Judiciário, criamos o Exame Nacional de Magistratura. Os tribunais (estaduais, federais e trabalhistas) continuam podendo fazer os seus concursos para recrutar juízes, mas só pode se inscrever quem tiver passado no Exame Nacional. Com isso, cria-se um padrão nacional de qualidade para a magistratura e eliminam-se os rumores de coisas erradas que aconteciam em alguns concursos. Pela mesma lógica, criamos o Exame Nacional de Cartórios: tabeliães e registradores também têm que passar numa prova prévia, nacional, antes de prestarem os concursos nos estados. A médio prazo, vamos elevar nacionalmente a qualidade geral da magistratura e dos serviços auxiliares. Também estruturamos um amplo programa de bolsas para os candidatos negros aprovados no Exame Nacional de Magistratura. Eu viajo pelo Brasil, Bahia, Maranhão, Piauí, e a magistratura é quase que integralmente branca. Ela não reflete a demografia da sociedade brasileira. O Judiciário, idealmente, deve ser representativo da sociedade, na qual cerca de 50% das pessoas se consideram pardas ou pretas. Só que, para o acesso à magistratura, não dá para utilizarmos cotas, porque juízes decidem sobre a vida das pessoas e queremos recrutar os melhores. Por isso, o programa de bolsas investe em qualificação: damos 750 bolsas para cursarem gratuitamente cursos preparatórios e para os cem primeiros colocados damos uma ajuda de custo mensal de R$ 3 mil, por até dois anos. Fomos buscar o dinheiro na inciativa privada, que colaborou amplamente, e quem administra os recursos é a Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Nas últimas semanas, aprovamos a proibição de que os tribunais se concedam benefícios e “atrasados” por meio de decisões administrativas, com o que estamos eliminando, doravante, a possibilidade de “penduricalhos”. Também implementamos a resolução que assegura paridade de gênero nas promoções para os tribunais de segundo grau (tribunais de justiça, tribunais regionais federais e tribunais regionais do trabalho). No primeiro grau, onde o ingresso se dá por concurso, isto é, exclusivamente por mérito, as juízas mulheres correspondem a 40% do total. Nos tribunais mencionados acima, são apenas cerca de 20%. Vale dizer: onde dependem de política e de relações pessoais para serem promovidas, elas perdem competitividade. Por essa razão, o CNJ vem fazendo cumprir resolução pela qual, se um homem tiver sido promovido para o tribunal por merecimento, a vaga seguinte tem que ser necessariamente de uma mulher. Até chegar a 40%. Ainda no CNJ, conseguimos transferir R$ 207 milhões, que estavam em depósito nos diferentes juízos criminais — dinheiro proveniente de multas pecuniárias — para o Rio Grande do Sul, em razão da calamidade das enchentes. Foi o primeiro dinheiro que chegou lá. Temos um plano chamado “Judiciário Carbono Zero” pelo qual todos os tribunais têm que fazer um inventário das emissões, e um plano para sua redução e compensação. É a nossa contribuição para enfrentar a mudança climática, que ameaça o futuro da humanidade. Avançamos mais ainda na informatização da Justiça brasileira, que hoje é quase 100% digital. Criamos o Portal Único do Judiciário, pelo qual todos os advogados podem peticionar, para qualquer tribunal do país, online pelo site do CNJ, bem como todas as pessoas podem acompanhar o andamento dos processos não sigilosos. E tem muitas simplificações para a vida dos juízes. As comunicações processuais também são todas feitas pelo portal, eliminando a necessidade de oficiais de justiça irem até a porta da casa das pessoas para todas as comunicações. A última coisa que vou mencionar é a aprovação de uma resolução assegurando às famílias dos brasileiros mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar que pudessem ter este fato registrado na certidão de óbito. Tem muitas outras coisas, mas não dá para listar tudo aqui. Já no STF, o Tribunal homologou o Plano Pena Justa, elaborado pelo CNJ e pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública, para enfrentar a situação crítica de desumanidade na qual se encontra o sistema prisional brasileiro. Melhorar o sistema penitenciário é uma forma de enfrentar o crime organizado, que domina muitos presídios e os transforma em escolas do crime. Instituímos o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples para que as decisões judiciais e a comunicação do Judiciário adotem uma linguagem mais acessível, o que se traduz em cidadania e agilidade processual. Conseguimos finalizar a análise, no plenário do Supremo, de temas envolvendo porte de maconha para estabelecer critérios que diferenciem traficantes de usuários; plano do Estado do Rio de Janeiro para enfrentar a criminalidade e reduzir a letalidade policial; assédio judicial contra jornalistas; fornecimento, em situações excepcionais, via ordem judicial, de medicamentos que não estão nas listas do SUS; soberania do Tribunal do Júri para a imediata execução da pena após a condenação do réu por homicídio; entre diversos outros. Na área ambiental, celebramos o Pacto pela Transformação Ecológica, coordenando ações dos três Poderes, instalamos no Tribunal uma usina fotovoltaica, fizemos uma parceria com a Novacap e plantamos, próximo ao STF, 5,2 mil mudas de árvores, além de termos abolido as garrafas PET e adquirido veículos de serviço híbridos. Investimos em mais tecnologia, com a criação da primeira ferramenta de inteligência artificial generativa do STF, MarIA, que é capaz de fazer resumos e relatórios dos processos que chegam ao Tribunal, tudo sob supervisão humana. Também na minha gestão, o plenário tomou a primeira decisão per curiam, modelo de julgamento no qual se constrói um consenso para julgamento de um tema importante.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, durante a posse de Vital do Rêgo como presidente do Tribunal de Contas da União | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, em 2020, o senhor disse que o que tinha ocorrido na Petrobras, na Caixa Econômica e em outras entidades subordinadas ao governo federal, nas gestões Lula e Dilma, foi ‘roubo mesmo’. O STF anulou praticamente todas as decisões da Operação Lava Jato no que diz respeito aos atos de corrupção que, segundo o senhor, foram praticados naquelas circunstâncias. O senhor mantém o que disse na entrevista? Caso mantenha, qual é a explicação para a atual postura do STF, que sustenta o contrário daquilo que o senhor afirmou?

Fraude em licitações, superfaturamento de contratos, pagamentos de propinas e outros comportamentos desviantes são crimes, não importa em que governo tenham sido cometidos. Como já disse diversas vezes, não se deve criminalizar a política nem politizar o crime. No tema do enfrentamento à corrupção, minha posição não prevaleceu em diversas votações. Eu lamento. Porém, na vida de um colegiado, prevalece o entendimento da maioria. O fato de eu ou de qualquer pessoa discordar de decisões de um tribunal não significa que não se deva respeitá-lo. Mas a crítica e a divergência são próprias de uma democracia.

⁠Os ministros do STF criaram o flagrante perpétuo, a prisão preventiva por tempo indeterminado, a retirada de livros das livrarias, a sustentação oral dos advogados por vídeo, a exigência de que acusados provem sua inocência, e outras figuras não previstas em lei. O que o senhor diz sobre isso?

A pergunta reflete algumas compreensões equivocadas que circulam em grupos e sites extremistas, sem compromissos com o Estado de Direito e menos ainda com a verdade. Prisões preventivas são mantidas enquanto perdurem as ameaças à ordem pública ou à instrução processual. Discursos de ódio, racismo, antissemitismo não são admitidos em praticamente nenhuma democracia do mundo. Não sei de quais inocentes você está falando, mas certamente não há de ser dos que se auto-filmaram invadindo os prédios públicos pedindo a deposição do governo eleito ou dos que tiveram denúncia recebida em razão de áudios, textos e minutas de articulação de um golpe de Estado, inclusive com planos de homicídios e outros crimes. Já a sustentação oral é um capítulo importante no exercício da advocacia e é melhor que seja ao vivo, presencialmente. Só é feita por gravação quando é impraticável que seja no plenário físico. É uma inevitabilidade em tribunais que julgam milhares de casos. Embora eu considere importante e goste de assistir as sustentações, na maioria das Cortes Supremas do mundo nem sequer há sustentação oral ou só há quando o tribunal assim deseje.

⁠Os réus do 8 de janeiro estão sendo processados diretamente no STF, apesar de não terem foro especial, o que suprime o direito a qualquer recurso. Dispensou-se a acusação de individualizar as culpas. Os réus foram condenados em lotes. O senhor acha que deve ser assim mesmo?

A polarização existente no país, infelizmente, faz com que as pessoas repitam fatos inverídicos ou sobre os quais não têm a menor compreensão. Nós estamos falando de crimes muito graves, que incluem abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e depredação de patrimônio público. É preciso ver os vídeos, a violência, a agressividade, a selvageria para deixar de lado a narrativa falsa de que eram velhinhas com a Bíblia na mão. A competência do STF se estabelece porque muitos dos fatos foram praticados no tribunal ou contra o tribunal, além de haver réus que têm prerrogativa de foro. O foro especial tem previsão constitucional e se aplica a mais de uma centena de pessoas e nunca foi considerado como violador do devido processo legal. Todos os acusados são julgados individualmente, com devido processo legal, fotos, vídeos e confissões acerca dos crimes. Aos acusados pelos crimes menos graves — que permaneceram nos quartéis, não furaram o bloqueio da polícia e nem atacaram os prédios públicos — foi oferecido Acordo de Não Persecução Penal, com previsão de pequena multa, dois anos sem rede social e um breve curso sobre democracia. Se aceitassem, não iriam presos, podiam ir para casa e receber o passaporte de volta. Centenas preferiram não aceitar, o que apenas revela a motivação do radicalismo político antidemocrático, por considerarem legítimo o que fizeram: tentar impedir a posse de um governo democraticamente eleito.

8 de janeiro
Foto: Reprodução/EBC

O senhor acha que algum tribunal de uma democracia genuína aceitaria julgar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República com base no inquérito da Polícia Federal, nos termos em que ela está, sobre a suposta tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Bolsonaro? O senhor considera que a peça central da acusação, a delação do tenente-coronel Mauro Cid, tem realmente algum valor como prova?

Sua pergunta me lembra uma passagem atribuída a um renomado autor alemão: “Não creem nos fatos, creem em si próprios. Se os fatos não corresponderem àquilo em que acreditam, pior para os fatos”. Eu li a denúncia do Procurador-Geral da República e ela me pareceu muito bem fundamentada. Eu não participo do julgamento e, portanto, não cabe a mim julgar. Eu ouvi o recente depoimento do tenente-coronel que fez a colaboração premiada e ele me pareceu confirmar, de livre e espontânea vontade, tudo o que disse. E a denúncia do Procurador-Geral não se baseou exclusivamente na colaboração. Ele faz menção a uma impressionante quantidade de outras provas. Não sei se você sabe, mas fui eu que coloquei um representante das Forças Armadas dentro do TSE para acompanhar todo o processo e constatar, presencialmente, que não havia nada de errado. E, para minha imensa decepção, vi a deslealdade com que tentaram criar suspeição sobre um sistema que puderam ver de perto que era totalmente íntegro. Relutantemente, tiveram que concluir que não havia nada errado. E depois foram pressionados a dizer algo mais dúbio. A que tipo de interesse você acha que eles estavam servindo? Aqui, não tem nada a ver com ser conservador, liberal ou progressista. A integridade e a honestidade vêm antes da ideologia. E, se possível, a civilidade também. É isso que eu procuro convencer aos radicais, não importa se de direita ou de esquerda. Há valores que antecedem as escolhas políticas.

Eu havia sido convidado para debater com estudantes o tema complexo que é a necessidade de proteção da liberdade de expressão no âmbito das plataformas digitais. Um debate que está presente em todo o mundo. Na hora em que eu ia começar a falar, o palco foi cercado por radicais de esquerda, de um grupo que atendia pelo estranho nome de “Fagulha Revolucionária Trotskista”. Com cornetas, bumbos e xingamentos, não queriam permitir que os oradores falassem. Após tentar expor os argumentos com tranquilidade, e diante de uma atitude extremamente agressiva por parte deles, eu disse algo assim: “Para vocês poderem estar aqui, nós derrotamos a ditadura, nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura…”. O primeiro esclarecimento é que “nós” não se referia ao Supremo, que não foi quem derrotou a ditadura ou a tortura. Eu me referia ao povo brasileiro, à sociedade. E, depois, acrescentei a frase: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Eu me referia ao extremismo, ao golpismo, à incivilidade, à intolerância que aquele grupo demonstrava. Mas, evidentemente, foi uma frase infeliz, uma generalização injusta e errada. Por isso, no dia seguinte, em nota oficial, pedi desculpas e esclareci. Não foi minha intenção ofender os eleitores do ex-presidente nem criticar uma visão de mundo conservadora e democrática, que é tão legítima quanto qualquer outra. Na vida, quando a gente comete um erro, o melhor que pode fazer é pedir desculpas na primeira oportunidade. Foi o que fiz. O pedido de desculpas só vale como redenção se for sincero, o que era o meu caso. O que veio depois é só a exploração maldosa do episódio.

O procedimento de Bolsonaro durou cerca de 12 horas e teve como objetivo tratar uma obstrução intestinal causada em razão da tentativa de assassinato | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Em 2022, depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar Lula eleito, o senhor disse a um manifestante, em Nova York, ‘perdeu, mané’. O senhor se arrepende dessa fala?

Nem um pouco. Mas lamento o episódio. Aquilo que aconteceu em Nova York deve entrar em qualquer futura antologia de selvagerias. Um grupo de pessoas que receberam dinheiro para nos atacar — a informação me foi confirmada pelo ex-governador João Doria —, passaram dias seguindo os ministros que lá se encontravam, tentando agredir-nos fisicamente e nos xingando de todos os nomes que você possa imaginar. Alguns xingavam e falavam em Deus, uma espécie de religiosidade falsa e suja. Na van em que nós estávamos, em plena Quinta Avenida, alguns de nós com esposas e filhos, eles nos cercaram num sinal, tentaram quebrar os vidros e virar a van. Ou seja: não eram manifestantes protestando legitimamente, mas criminosos com fúria assassina. Minha filha estava fazendo mestrado na Universidade de Yale, ali perto, e viria jantar comigo em Nova York. Eu, evidentemente, liguei para ela e disse para não vir. Ocasião em que ela me narrou que haviam invadido o celular dela com grosserias e ameaças. Foi nesse contexto, depois de três dias sendo seguido e xingado, que eu disse ao cidadão — o vídeo não mostra os xingamentos que vinham do outro lado da rua — “perdeu, mané, não amola”. Não é a minha linguagem habitual. É a linguagem daquela gente. Para falar a verdade, nas circunstâncias, eu acho até que fui bem comedido.

A trajetória do senhor no STF é marcada pelo enfrentamento da corrupção. Desde o fim da Lava Jato, o ministro Dias Toffoli tem anulado delações e devolvido bilhões a réus confessos no âmbito da operação. O que o senhor tem a dizer sobre isso? A mensagem que fica para a sociedade não é ruim? Não há nenhum corrupto preso hoje no Brasil. Qual é a sua hipótese para explicar isso?

Não é verdade que não haja nenhum corrupto preso no Brasil. Mas talvez haja menos do que deveria haver. Os casos a que você se refere foram decididos na Segunda Turma. Eu não a integro e, portanto, não conheço os processos. As decisões do Ministro Toffoli foram fundamentadas em argumentos racionais e prevaleceram por 3 a 2, ou seja, foram confirmadas pela maioria. Com dois votos divergentes. Isso ilustra o que eu falei anteriormente: a vida comporta diferentes pontos de observação e diferentes visões de mundo. A divergência faz parte da democracia. Pensamento único só existe em ditaduras.

Em dezembro do ano passado, o senhor informou que, até meados de março de 2025, o ‘Inquérito das Fake News‘ teria terminado. Uma semana depois de sua declaração, o ministro Alexandre de Moraes renovou a investigação, por mais seis meses. O que houve? O procedimento já não deveria ter sido encerrado?

Essa era a intenção do relator, segundo me transmitiu. O problema é que novos fatos foram surgindo continuamente. O conjunto de desmandos que se revelavam a cada momento, do “gabinete do ódio” à “Abin paralela”, foram se multiplicando. A ideologia e o fanatismo obscurecem um pouco a visão de muitas pessoas sobre a gravidade do que se passou, os riscos que nós corremos, o ódio que foi insidiosamente disseminado. Em 2014, eu fui à final da Copa do Mundo no Maracanã com minha mulher e meus dois filhos. Só os quatro. Sem segurança ou qualquer tipo de preocupação. Em 2016, fui com Teori Zavascki e meu filho assistir à abertura das Olimpíadas. Só os três. Alguma coisa muito ruim aconteceu no país de lá para cá que despertou uma imensa agressividade, passando a extrair o pior das pessoas. Um pouco de espiritualidade verdadeira e sincera faria bem ao país.

Em uma entrevista, o senhor disse que o STF está se tornando um ‘poder político’. É papel de uma Corte exercer essa função?

Nas democracias, o poder político é repartido entre Três Poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Os dois primeiros são eleitos pelo voto popular e seguem uma lógica majoritária. Os membros do Judiciário não são eleitos. Todas as democracias reservam uma parcela de poder para ser exercido por agentes públicos cuja legitimação não é eleitoral. O que legitima o poder dos juízes é a capacidade técnica e a imparcialidade. Cabe aos juízes e tribunais aplicarem a Constituição e as leis, mesmo quando eventualmente desagradem a maioria. O Judiciário e, particularmente, o Supremo Tribunal Federal, é um poder político em sentido técnico: interpreta a Constituição, preserva a democracia e garante os direitos fundamentais. A Constituição, que cabe ao Judiciário interpretar, existe, precisamente, para limitar o poder político. Declarar uma lei inconstitucional ou anular um ato do Poder Executivo são, evidentemente, competências que têm natureza política. Não política no sentido partidário, no varejo dos interesses eleitorais. Político no sentido de que a Constituição e as leis ditam os valores e bens jurídicos a serem preservados. E, no arranjo institucional brasileiro, de constitucionalização abrangente e detalhada, o Supremo acaba sendo provocado a decidir as questões mais divisivas da sociedade brasileira. Essas questões vão desde pesquisas com células-tronco embrionárias até demarcação de terras indígenas, de uniões homoafetivas à queima da palha da cana. Inevitavelmente, nós estamos sempre desagradando algum setor poderoso da sociedade. É nesse sentido que o Judiciário exerce um poder político, e não no sentido de engajamento partidário.

No voto do relator dos processos do 8 de janeiro, Alexandre de Moraes, consta que Débora dos Santos, a cabeleireira de Paulínia (SP), usou ‘material inflamável’ em seus atos. Por que um batom se encaixaria nessa categoria?

Esse caso está sendo analisado pela Primeira Turma. Então, não me cabe aqui falar sobre o processo. O que posso dizer sobre esse caso é que a ré não foi acusada por pintar uma estátua de batom. Foi acusada pela Procuradoria-Geral da República por estar em frente ao quartel defendendo golpe de Estado, por ter caminhado com uma multidão em direção aos prédios públicos, ter furado o bloqueio da polícia e ter praticado um crime de multidão, com a finalidade de provocar um golpe de Estado.

O advogado Hélio Júnior disse que não há comprovação de que Débora dos Santos tenha participado de atos violentos durante a manifestação de 8 de janeiro | Foto: Reprodução/Redes sociais
Débora dos Santos, durante a manifestação de 8 de janeiro de 2023 | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O senhor não vê uma contradição entre defender a libertação de Cesare Battisti, que lutava pela abolição do sistema democrático italiano, e ao mesmo tempo votar pela punição aos presos do 8 de janeiro?

Em relação a essa matéria, existe uma combinação de desinformação e incultura. Todas as pessoas, não importa se de direita, de centro ou de esquerda, se sofrerem uma acusação, têm o direito de defesa. É o que a Constituição exige. O advogado, em nenhuma hipótese, se confunde com o seu cliente ou muito menos endossa o crime que ele eventualmente haja cometido. Essa é uma premissa elementar, embora aparentemente desconhecida por muita gente. Em segundo lugar, o caso de Cesare Battisti, a despeito da mobilização ideológica que o cercou, era um caso simples. Antes de eu entrar na causa, o governo brasileiro concedeu a ele refúgio, uma espécie de asilo político, para dizer de uma forma simples. Primeiro fato relevante: pelo teor expresso da lei em vigor, a concessão de refúgio extingue o processo de extradição. Quais os fatos relevantes? Cesare Battisti participara da luta armada durante os anos de chumbo na Itália, na década de 70. O grupo que integrava atuou em operações que resultaram na morte de quatro pessoas. Desbaratado o grupo, foram levados a julgamento. Quatro dos seus integrantes foram condenados pelos homicídios. Battisti não foi sequer acusado pelas mortes, tendo sido condenado a uma pena menor, por integrar organização subversiva. Ele vai então para a França, onde o governo Miterrand concedia asilo aos militantes da esquerda italiana que haviam abandonado a luta armada. Quando ele já estava em segurança no exílio, os quatro condenados pelos homicídios se tornam “arrependidos” e colocam culpa em Battisti pelos quatro homicídios, dois deles cometidos no mesmo dia e em cidades distantes entre si. Ele é então levado a um segundo julgamento e condenado pelos quatro homicídios, à revelia. Diante disso, a Itália pede a sua extradição e a França nega. Anos depois, quando Jacques Chirac se torna presidente na França, a Itália pede a extradição novamente. Dessa vez seria concedido. É nessa ocasião que Battisti se refugia no Brasil e vive alguns anos sem ser sequer percebido, até que um dia foi identificado e preso. O governo brasileiro concedeu refúgio por inobservância do devido processo legal: o Brasil não admite o segundo julgamento pelos mesmos fatos e Battisti estava indefeso. Além disso — e essas eram as outras teses de defesas —, estávamos em 2010 e o pedido de extradição se referia a fatos da década de 70 do século passado, ou seja, mais de 30 anos haviam se passado. Havia evidente prescrição e Battisti havia se tornado um escritor pacato, sem qualquer envolvimento político ou criminal. E, além disso, o Brasil havia concedido anistia pelos mesmos fatos. A extradição exige que os fatos sejam puníveis no país de origem e, também, no país ao qual se requer a extradição. Enfim: a tese de defesa não era negativa de autoria (processos de extradição não comportam discussão do mérito da condenação no país de origem), e sim a extinção do processo pelo refúgio, a prescrição e a anistia brasileira. Um caso relativamente simples, que foi politizado porque Berlusconi, primeiro-ministro italiano, mobilizou a Itália em torno da extradição, contratou advogados e se empenhou muito para que ela se concretizasse. Nos julgamentos do 8 de janeiro não estavam presentes quaisquer dessas circunstâncias. Não havia um contexto de luta armada, ninguém foi julgado duas vezes e grande parte dos acusados recusou se livrar do processo mediante Acordo de Não Persecução Penal. Eu apenas dei penas mais baixas aos acusados, por não cumular golpe de Estado com abolição violenta do Estado de Direito. Entendi que um crime absorvia o outro. Minha posição não prevaleceu no tribunal. Pelo que tenho lido na imprensa, há uma discussão no Congresso Nacional no sentido de aprovar uma lei nessa linha, o que poderia reduzir significativamente as penas aplicadas, porque em matéria penal lei mais benéfica pode retroagir. Acima de tudo, há uma diferença bem óbvia: num caso eu era advogado; no outro caso eu era juiz. São missões distintas na vida. Nem é tão difícil assim de entender.

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71 comentários
  1. Silas
    Silas

    Sério que o ungido acha que alguém com a mínima honestidade intelectual é convencido com essas lorortas e subterfúgios que ele falou na entrevista?!

  2. Cosmo Ferreira da Silva
    Cosmo Ferreira da Silva

    Luís Roberto Barroso, um ministro com dois pesos e duas medidas.

  3. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Não tive paciência de ler a entrevista toda. Parei quando ele disse que juízes nao tem cota porque lidam com vidas e tem de ser os melhores. É muita soberba. Quer dizer que nas demais profissões não é necessário que tenham os melhores? Médicos não tem de ser os melhores? Pilotos de avião, engenheiros… ah vá … como eles se acham importantes e não são. Não passam de perdulários funcionários públicos que seque foram escolhidos por mérito

  4. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Não tive paciência de ler a entrevista toda. Parei quando ele disse que juízes nao tem cota porque lidam com vidas e tem de ser os melhores. É muita soberba. Quer dizer que nas demais profissões não é necessário que tenham os melhores? Médicos não tem de ser os melhores? Pilotos de avião, engenheiros… ah vá … como eles se acham importantes e não são. Não passam de perdulários funcionários públicos que seque foram escolhidos por mérito

  5. João Carlos Félix Souza
    João Carlos Félix Souza

    Com tudo isso e o STF não consegue cumprir a Constituição …

  6. Julio José Pinto Eira Velha
    Julio José Pinto Eira Velha

    Um verdadeiro Rolando Lero, jamais compraria um carro usado desse sujeito, representa muito bem o exrtemismo de esquerda, pois mente que nem sente.

  7. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Cristyan Costa, parabéns pelo trabalho.
    …”750 bolsas para cursarem gratuitamente cursos preparatórios…” Já começou mentindo porque o Estado não dá nada pra ninguém. Ele toma do pagador dos impostos e transfere para alguém.
    Sobre as urnas eletrônicas… “sistema totalmente íntegro…” Se não é possível auditar como comprovado por experientes profissionais da área de tecnologia, não é íntegro.
    Sobre o derrotamos o bolsonarismo… “no dia seguinte, em nota oficial, pedi desculpas e esclareci…” Pedir desculpas é ter licença para errar outras vezes.
    Sobre o …”perdeu mané…” Com a quantidade de possíveis crimes cometidos como discorre o ministro pela turba de apenas um manifestante, não lembro de ter visto matéria jornalísticas a respeito. Nenhum boletim de ocorrência foi registrado na Polícia de Nova Yorque?
    Se hoje este colegiado usa somente a FAB Tur para suas viagens, se estão aprovando a necessidade de segurança vitalícia é pelo seu comportamento à margem da Constituição Federal.
    Certamente não é o caso do ministro, mas um advogado que buscasse seu registro na OAB com os argumentos apresentados nesta entrevista, seria reprovado antes mesmo da correção do exame.

  8. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Luis Roberto Barroso, o juiz eleitoral que declarou atuar para derrotar um candidato.

  9. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Parabéns Cristyan. Imagino a impaciência de ver tanto cinismo em uma só criatura.
    A filhinha dele estudando em YALE, olha só…
    Caba de pêia esse Barroso!

  10. SUZANE SILVA MATOS
    SUZANE SILVA MATOS

    Perguntas incríveis feitas por um jornalista de verdade. Respostas dadas com a arrogância nata de alguém que se acha um ser superior, cuja moral a cada dia parece involuir sucessivamente

  11. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    mas não era nem pra dar entrevista, nem pra Oeste nem para qualquer outra midia…..deveria o congresso incluir essa proibição na constituição

  12. Valquiria Maria Pessoa Rocha
    Valquiria Maria Pessoa Rocha

    É um psicopata e mentiroso contumaz dá nojo suas arguições

  13. Valquiria Maria Pessoa Rocha
    Valquiria Maria Pessoa Rocha

    É um psicopata e mentiroso contumaz dá nojo suas arguições

  14. Danielle Tocantins Moura Costa
    Danielle Tocantins Moura Costa

    Gostaria de dar meus parabéns ao jornalista Cristyan Costa por essa excelente entrevista e deixar os meus parabéns, também, ao ministro, que aceitou o convite da Oeste, coisa que eu pensei que nenhum ministro do supremo jamais iria fazer na vida.
    Isso posto, acredito que as perguntas foram bem feitas e eu quase tive esperanças quando o ministro começou sua resposta dizendo que sempre fala a verdade e faz o que acha que é correto. Quase pensei que ele ia ser honesto nessa entrevista.
    Quase.
    Deve ter sido difícil para o Cristyan aguentar todas essas baboseiras mantendo a calma e a compostura. E deve ter sido bem complicado aguentar o ministro dizendo alegremente que tudo que o jornalista perguntava estava errado, ninguém sabe de nada, ninguém conhece os fatos e o ministro é o dono dos conhecimentos verdadeiros da humanidade, “aquele que crê em mim viverá”.
    Em algumas falas do ministro, eu pensei que talvez tivesse salvação. A maioria só meu deu ranço.
    Novamente, parabéns ao Cristyan. Que você a equipe da Oeste consigam fazer mais entrevistas com os outros ministros.

  15. Francisco das Chagas Alves Pinto
    Francisco das Chagas Alves Pinto

    Para mim esse cidadão vive em outra dimensão, ou, mente e engana compulsivamente!

  16. Marcelo Hial
    Marcelo Hial

    Praticamente a reencarnação do personagem “Rolando Lero” … falou, falou, falou, enrolou e não disse nada … E ainda tentou legitimar os absurdos praticados pelo STF …

  17. Rodrigo Coimbra Hengler
    Rodrigo Coimbra Hengler

    Parabenizo o Cristyan Costa pelo trabalho insalubre de entrevistar esse ser asqueroso. É assustador termos um rábula desses travestido de juiz no STF. O cinismo do sujeito beira a psicopatia.

  18. Antonia Marilda Ribeiro Alborgheti
    Antonia Marilda Ribeiro Alborgheti

    o Barroso exerce com perfeição a arte de dizer sem falar nada, só platitudes, nenhuma “mea culpa”, resumindo, mente que nem sente

  19. MNJM
    MNJM

    Não tive estômago para ler toda a entrevista. Muito cinismo.

  20. Valdoir Ramos Oliveira
    Valdoir Ramos Oliveira

    Ótimas perguntas, contudo, expôs, mais ainda, a hipocrisia deste senhor.

  21. Marcos Japiassu
    Marcos Japiassu

    Li atentamente as perguntas, mas não aguentei ler integralmente as respostas. Dói na alma ler tamanha desonestidade intelectual.

  22. Eduardo Pimentel Serra
    Eduardo Pimentel Serra

    Apesar das boas e relevantes perguntas feitas, ficaram faltando ao menos duas: (i) Por que não foram levadas a avaliação do plenário as decisões monocráticas de Toffolli que desmoralizam o STF (decisão inclusive de anular provas que incriminam aquele juiz)? e (ii) Por que ele determinou distribuição de ação da CBF por “sorteio” quando sabidamente o Ministro Mendonça era prevento? Se ele fosse um cidadão comum, acreditaria na idoneidade do “sorteio” que enviou a ação ao Ministro Gilmar Mendes sabidamente parte conflitada quando o assunto é CBF?

  23. Reinaldo Terribelli
    Reinaldo Terribelli

    A mesma conversinha , os mesmos jargões ,o mesmo papo furado para justificar as decisões politiqueiras injustificaveis.
    Me desculpe Cristyan , mas todo o seu trabalho só mostrou mais do mesmo, apesar do seu esforço , por isso só tive paciencia de ler até a metade , e para ouvir o que ele disse não precisava de entrevista alguma , era só fazer uma coletânea de videos anteriores que não teria diferença ……. como por exemplo …..recivilização ou derrotamos o bolsonarismo como ele disse em publico ? fala sério carapálida.

    1. Cristyan Costa

      Caro Reinaldo, a entrevista demonstra que a Revista Oeste fala com qualquer um, desde que a pessoa aceite conversar. Um jornalista sério sempre deve confrontar autoridades (sobretudo aquelas que critica) com perguntas incômodas, ou seja, interpelações diferentes daquelas que estão acostumadas a responder na imprensa estatizada. E que bom que um ministro do STF decidiu se expor a essa experiência. Agora, as respostas (boas ou não) já são de responsabilidade do entrevistado. A função do repórter está cumprida. Abraços

  24. Antonio C. Lameira
    Antonio C. Lameira

    Sou assinante da OESTE desde sua fundação, pela primeira vez vejo uma autoridade em sintonia com a esquerda dá uma entrevista a Oeste que tem seu viés de direita( Direita= narrar os fatos como eles são). Parabéns Ministro de ter aceito essa dá essa entrevista. Quanto as respostas fica para analise de cada um.

    1. Cícero Ruggiero
      Cícero Ruggiero

      Racionalizou para justificar as besteiras que falou, mas o fato é que, como juíz, ele não deveria estar no tal congresso da UNE e muito menos discursar. E também, não deveria estar em NY sob o patrocínio de João Doria em hipótese nenhuma. Juíz deve ser imparcial, discreto, aparecer somente nos autos do processo, não aceitar favores ou presentes de terceiros, não deve se meter em assuntos que diz respeito ao poder legislativo. Ele se orgulha de ter legislado, isso é claramente ativismo político do judiciário.

  25. A-DDS
    A-DDS

    Vou comentar antes de ler a entrevista e depois adicionarei o que achar necessário.
    A opinião desse cretino vale tanto quanto uma nota de R$3.

  26. Pedro Luiz lopes
    Pedro Luiz lopes

    Não foi localizado pela imprensa a pessoa que sentou-se na cadeira do XANDÃO e a imprensa não consegue localizar.

  27. Jorge Santos Franz
    Jorge Santos Franz

    Em resumo o que o Barroso quer que acreditemos é que eles estão certos e milhões de brasileiros errados. É muita cara de pau dessa gente.
    que

  28. Antônio Caio Alcântara Botelho
    Antônio Caio Alcântara Botelho

    Depois de ler esta entrevista estou com vontade de vomitar. Quanta mentira e covardia juntas. Falar que o STF cumpre a constituição soa como deboche. Coitado do Brasil e do nosso povo,

  29. Olnei Pinto
    Olnei Pinto

    Como um sujeito desse pode ser membro de uma corte suprema. Talvez a sua prepotência seja a prerrogativa hoje para ser o ministro. O que mais se observou nesta entrevista foram mentiras tentando justificar as perguntas bem elaboradas do repórter.

  30. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    A melhor entrevista que li em Oeste. Você está de parabéns por tê-la conduzido, a revista por tê-la publicado. Dar voz a todos deve ser o papel do melhor jornalismo. Esta entrevista é prova disso.

  31. Júlio Cesar Peixoto Pimenta
    Júlio Cesar Peixoto Pimenta

    Está parecendo o ex presidente de Chico City, Raimundo Canavieira: “ palavras são palavras e mais algumas palavras “.

  32. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Qualquer ser humana com plena consciência consegue entender essas respostas cheias de acusações a um lado politico e compreensão aos atos de verdadeiros criminosos corruptos e assassinos?. Esquiva-se quando diz não estar na TURMA que decidiu, mas demonstra ter fundamentos a denuncia da PGR, portanto já sabemos seu voto.
    Tipo estranho e lamentavelmente com muito poder, não adequados a uma democracia.
    Crystian, faltou perguntar porque é contra o voto impresso que seguramente traria a pacificação dos eleitores que de antemão saberiam que seu voto esta presente em duas urnas, a eletrônica e a lacrada com o voto impresso, passível de uma auditoria e contagem pública dos votos. Não só foi sempre contra essa única forma de AUDITAR urnas eletrônicas, como, tudo fez para a não aprovação da PEC DO VOTO IMPRESSO, praticamente aprovada na CCJ da Câmara antes de sua interferência.
    Enfim, nessa entrevista ele reafirma o seu caráter, que cada um interprete como quiser.

    1. Antônio Caio Alcântara Botelho
      Antônio Caio Alcântara Botelho

      Ele chegou a insinuar que o Battisti seria inocente.

  33. JETRO NEVES ALMEIDA
    JETRO NEVES ALMEIDA

    Como o STF pode ser justo e ao mesmo tempo adotando uma posição político partidária? O ministro pode falar e escrever milhares de palavras que não conseguirá me convencer.

  34. FERNANDO A O PRIETO
    FERNANDO A O PRIETO

    Muito arrogante. E o caso “João de Deus”?
    Parabéns ao repórter, por ter conseguido suportar tudo isso…

  35. José Ervolino Neto
    José Ervolino Neto

    Arrogante, deturpador e mentiroso…. será que ainda não deu para entender o porquê não conseguem sair mais sem seguranças ARMADOS?

  36. Eloisa Moreira Alvesee
    Eloisa Moreira Alvesee

    Parece escorregador de parque infantil. Tanta “verborreia” para esconder o óbvio.

  37. JORGE LUIS
    JORGE LUIS

    Falou o que quis, da maneira que quis, algumas perguntas parecem feitas para dar oportunidade para que ele se defendesse e discorresse sobre sua narrativa. Quem deveria fazer essas perguntas para ele, é o professor constitucionalista André Marsiglia.

  38. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Parabéns Cristryan por ter tido estômago para entrevistar esse urubu que se acha. Espero que você tenha tomado um bom antiácido depois. Agora em que mundo esse afetado vive? Volta para o esgoto de onde saiu.

  39. Sirlei oda sartori
    Sirlei oda sartori

    O “boca de veludo” continua em defesa de Batistti,que confessou sem arrependimento,seus quatro assassinatos,de extrema covardia. Calhorda pútrido e mal cheiroso,seu dia chegará aJustiça Divina não precisa de ” notável saber jurídico” .

  40. Tibério Vargas Ramos
    Tibério Vargas Ramos

    As respostas confirmam, Barroso é amoral, deturpa, mente, tergiversa.

  41. Marcial Ferreira da Silva
    Marcial Ferreira da Silva

    Quando o sujeito fala ou escreve muito, pode saber que está querendo enganar. Não me convenceu em nenhuma de suas respostas.

  42. Norma Lúcia Silva Machado
    Norma Lúcia Silva Machado

    Excelente entrevista, pena que as respostas não foram à altura.

  43. JOAO RICARDO SATORI
    JOAO RICARDO SATORI

    Li a reportagem apenas em partes, pois entrar aos detalhes da verborragia do entrevistado estava me causando náuseas! Todas as perguntas muito bem feitas do Christian só tinham respostas pífias, totalmente ideológicas e demonstrando o caráter nefasto do entrevistado! Pena, o Christiam perdeu muito seu tempo com alguém sem princípios morais!

  44. Eliane Nascimento Gonçalves
    Eliane Nascimento Gonçalves

    Parabéns ao Christian Costa por fazer perguntas óbvias, diretas e objetivas. Nota 0 ao entrevistado, arrogante, prepotente e mentiroso, o autoproclamado civilizador dos aborígenes brasileiros

  45. José Antonio Menegucci
    José Antonio Menegucci

    Foi ao Congresso pressionar contra o comprovante impresso e secreto das maquininhas…

  46. Renata Alonso
    Renata Alonso

    Tenho pouquíssima fé no futuro da civilização, enquanto pessoas como ele comandarem o mundo.

  47. Eduardo Augusto Locks
    Eduardo Augusto Locks

    segundo Barroso, tudo é ponto de vista questão de

  48. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    Detestei ler o amontoado de mentiras e deturpações do boca de veludo , parece que é quase tão mentiroso quanto o ladrão bêbado que dorme com a canja de galinha !

  49. Bianca Diamante Waisberg
    Bianca Diamante Waisberg

    Quando o Ministro afirma que “para a magistratura, não dá para utilizarmos cotas, porque juizes decidem sobre a vida das pessoas e queremos recrutar os melhores”, ele então afirma que há sim diferença entre cotistas e não cotistas? Na magistratura não pode, mas em outras profissões como a medicina está ok?

  50. Fernando Lopes
    Fernando Lopes

    As perguntas foram muito leves.
    Apesar que ele iria se esquiviar de qualquer uma, mas pelo o deixaria numa saia justa.

  51. Carlos
    Carlos

    É uma mistura de pavão com bagre ensaboado. Acha que enganou alguém com essa baboseira. Esquivou-se (acredita que com sucesso) da maioria das perguntas. É um narcisista, perdidamente apaixonado por si próprio.

  52. Edson procidonio da silva
    Edson procidonio da silva

    Falar bem esse senhor sabe fazer. Contudo, não vislumbrei respostas ás perguntas, a não ser evasivas. E outra coisa, se ´tem uma coisa esse cidadão não é, é ser honesto. E um grande mentirosos intelectual e não convence ninguém, a não ser a extrema esquerda. Acho que faltou ao Cristian perguntar por que o General G. Dias não foi incluído no rol de golpistas, sendo que, pelas imagens, o golpe estava preparado por eles mesmos. Triste Brasil, ter um homem como Barroso no STF, além dos outros criminosos que ali julgam. Mas Deus é grande e um dia todos pagarão.

  53. ANTONIO MARCOS MARTINS DE ANDRADE
    ANTONIO MARCOS MARTINS DE ANDRADE

    É um demagogo déspota que não entende nada de democracia. Nunca vai admitir que passou do ponto. Fraco e com viès forte pela esquerda, Isso o torna uma pessoa não neutra e bem longe do que um STF deveria ser. Não existem decisôes desse tribunal protegendo a direita que é hoje a única parcela da população que presta. A esquerda está cometendo velhos erros de forma tacanha e nenhum tribunal desse País mostra isso. Só corrobora com o absurdo. Esse senhor jamais poderia ser um juiz do STF como a maioria dos seus colegas. O STF do Brasil hoje ameaça o Congresso e não passa no crivo de nenhum jurista sério

  54. MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO
    MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO

    Com essa soberba (só faço o que é certo?!?!), que parece ser a regra no STF, o Brasil vai mesmo para o brejo. Salve-se quem puder.

  55. MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO
    MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO

    Com essa soberba (só faço o que é certo?!?!), que parece ser a regra no STF, o Brasil vai mesmo para o brejo. Salve-se quem puder.

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