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Ilustração: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 274

Se Israel atacasse o Inferno, a velha mídia elogiaria Lúcifer

O jornalismo, no Brasil e no mundo, decidiu tomar partido do lado da República Islâmica e ignorar voluntariamente a violência do regime, a ausência de democracia, a violação de direitos humanos e o financiamento do terrorismo

“Operações da Guarda Revolucionária Islâmica resultaram na derrubada de dez aeronaves militares israelenses, no bombardeio de instalações de produção de combustível para aviões de caça e de linhas de fornecimento de energia, além do impedimento de deslocamento do destroyer britânico no Mar de Omã.” Essa foi a notícia divulgada pelo jornal O Globo no dia 15 de junho. Poucos dias depois do começo da ofensiva iraniana.

Era uma notícia falsa.

Nenhum avião israelense foi abatido no Irã desde o começo da guerra. As informações foram divulgadas pela mídia estatal do regime persa. Ninguém na redação do centenário jornal carioca se deu o trabalho de questionar.

Teria sido muito simples: caso os iranianos tivessem realmente abatido tantos caças israelenses, teriam acabado de vez com a aura de invencibilidade da Força Aérea de Israel. Portanto, correriam para televisionar as imagens dos destroços, prenderiam os pilotos, os submeteriam ao público ludíbrio e os usariam como mercadoria de troca. Nada disso aconteceu.

Dois dias após a publicação da balela, depois de passar um vexame perene nas redes sociais, O Globo não pediu perdão nem cancelou a notícia. Apenas acrescentou no título um “diz mídia persa”. Como se reproduzir as informações de um regime ditatorial fosse uma válida desculpa para a veiculação de falsidades.

Esse não foi o primeiro caso de propaganda pró-aiatolá e anti-israelense realizada pela velha mídia desde o começo da guerra entre Israel e o Irã. Não será o último e provavelmente nem o mais grotesco. Mas ajuda a mostrar como tanto o jornalismo brasileiro quanto o internacional decidiram tomar partido do lado da República Islâmica. E ignorar voluntariamente a violência do regime, a ausência de democracia, a opressão de homossexuais, a discriminação das mulheres, a violação de direitos humanos e o financiamento do terrorismo internacional.

Tudo em nome da retórica anti-israelense. Ou, em vários casos, até mesmo antissemita.

As equivalências perigosas da GloboNews

Na GloboNews, o comentarista Guga Chacra perdeu a calma durante uma entrevista com o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, e chegou a questionar “por que Israel tem a bomba atômica” e o Irã não pode ter.

Visivelmente perplexo, o embaixador explicou da forma mais pacata e didática possível os riscos existenciais para Israel de uma bomba atômica nas mãos do Irã. Um país que financia, arma e treina grupos terroristas como Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, e o próprio Hamas, em Gaza. Além de ser responsável por ataques como os de 1992 e 1994 na Embaixada de Israel e na sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires. E que todas as sextas-feiras em suas mesquitas eleva o grito “morte à entidade sionista”. Pois nem sequer aceita usar o nome próprio de Israel.

As negociações que envolvem um possível cessar-fogo entre Israel e Hamas avançam, enquanto diferentes atores internacionais e regionais se manifestam sobre as propostas em discussão | Foto: Reprodução/Redes sociais
Guerrilheiros do Hamas | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Pensar o que poderia ter acontecido caso um artefato nuclear estivesse à disposição do Irã seria um esforço imaginativo excessivo para os comentaristas da GloboNews.

Sem contar que Chacra acusou Israel de estar deliberadamente matando civis iranianos. Uma mentira. Os ataques da Força Aérea Israelense foram o mais cirúrgicos possível contra líderes militares, membros da Guarda Revolucionária Iraniana, a Pasdaran, e personalidades envolvidas no programa nuclear clandestino do Irã. Todas pessoas pagas para lutar, e eventualmente morrer, pelo seu país. Alvos legítimos segundo o Direito Internacional. Que foram liquidados até mesmo no quarto da casa onde dormiam, com mísseis que atingiram o lado certo da cama, sem provocar vítimas entre os vizinhos.

Ao contrário, o Irã respondeu bombardeando indiscriminadamente cidades israelenses, deixando centenas de mortos e feridos entre a população civil. Em Be’er Sheva, um ataque balístico iraniano acabou com um hospital. Crimes de guerra e contra a humanidade, que o Tribunal Penal Internacional (TPI) deveria investigar e possivelmente punir. Mas o Irã não reconhece a legitimidade dessa Corte. Que, portanto, não teria competência jurídica para atuar.

Israel também não é membro do TPI. Mas, nesse caso, o procurador Karim Khan expediu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu ex-ministro da Defesa por causa das operações militares contra o Hamas em Gaza. Dois pesos e duas medidas. Sempre contra Israel.

Detalhe: poucos dias depois, o procurador Khan foi obrigado a se afastar do seu cargo por um escândalo sexual. Ele é acusado de ter assediado uma de suas colaboradoras.

Advogado britânico Karim Khan | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Antissemitismo ao vivo e em cores — na CNN

No dia 13 de junho, a CNN Brasil decidiu dar uma cobertura especial ao militante Thiago Ávila durante sua tentativa de penetrar na Faixa de Gaza a bordo de navios da chamada “Flotilha da Liberdade”, junto com Greta Thunberg e outros radicais. Foram interceptados pela Marinha de Israel e enviados de volta para seus respectivos países.

Após uma série de matérias relatando os mínimos detalhes sobre o assunto, como se fosse de relevância extrema para a vida da nação brasileira, a CNN Brasil enviou uma equipe de reportagem ao Aeroporto de Guarulhos e transmitiu ao vivo a saída de Ávila do portão de desembarque.

Mesmo tratamento reservado a estrelas de Hollywood, astros do futebol ou líderes políticos conclamados.

Não contentes, abriram os microfones para um pronunciamento improvisado, no qual chamou Israel de Estado “racista, supremacista, que há oito décadas pratica genocídio e limpeza étnica, e que se estruturou no estado de colonização de apartheid”, e que seria fruto de “uma ideologia chamada sionismo. E essa ideologia precisa ser desafiada e precisa ser derrotada”.

A CNN transmitiu ao vivo 4 minutos e 14 segundos — duração imensa para os tempos de TV — de puro ódio anti-israelense, com pedido de erradicação do Estado de Israel de brinde. E nenhuma tentativa de contextualizar ou se distanciar dessas palavras por parte da âncora Carol Nogueira.

Ninguém na produção se deu o trabalho de checar o histórico desse brasiliense de 38 anos, cuja única menção no currículo é ter sido candidato a deputado federal pelo Psol, em 2018 e 2022. Sem conseguir superar os 6 mil votos.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. em outubro de 2023, Ávila teve a pachorra de afirmar que o Irã não é uma ditadura. Assim como Cuba, Venezuela, China, Síria ou Rússia. E no começo de 2025 ele participou no Líbano dos funerais de Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, e participou de uma manifestação pró-Hamas no Irã.

Viagens importantes (e caras) para um sujeito que, formalmente, nem sequer tem profissão estável.

Mídia internacional também passa vergonha

A vergonha alheia não é monopólio do jornalismo tupiniquim. Os veículos internacionais, tão admirados quanto copiados pelos brasileiros, também decidiram se juntar ao clube do vexame.

É o caso do Financial Times, tradicional jornal econômico de Londres, cujo correspondente em Teerã publicou uma matéria com um título que poderia ser confundido com um panfleto do Estado Islâmico ou do PCO: “Apresentador da TV estatal iraniana se torna símbolo de resistência”.

Insatisfeito, para tentar deixar ainda mais clara a mensagem, reiterou a dose na linha fina: “Sahar Emami é elogiada como ‘leoa’ e guerreira depois de continuar transmitindo em meio ao bombardeio israelense à emissora estatal”.

O episódio se refere ao ataque israelense contra a IRIB, emissora controlada pelos aiatolás para divulgar propaganda. Antes disso, Israel tinha emitido um alerta de evacuação para o distrito no norte de Teerã, onde a emissora está sediada.

Obviamente a mídia brasileira decidiu reproduzir assepticamente a matéria hagiográfica do Financial Times, traduzindo-a sem nenhum filtro crítico.

Inúmeros outros casos mostram a parcialidade da mídia estrangeira, que não perde ocasião para favorecer a retórica iraniana e condenar a israelense.

A rede de televisão pública francesa France 24, por exemplo, se recusa a usar a palavra “regime” para se referir à ditadura dos aiatolás. Na BBC, emissora pública britânica, o porta-voz do Irã teve direito a um monólogo ininterrupto de quase dois minutos. A mídia italiana insiste em atrelar a operação contra o Irã a um cálculo político interno de Netanyahu, que usaria o conflito para tentar se manter no cargo e superar a hostilidade da maioria da sociedade israelense. Já o líder da oposição e ex-primeiro-ministro Yair Lapid apoiou publicamente o atual chefe do governo israelense, declarando que “não é o momento para fazer política”.

Todos esses exemplos mostram como a velha mídia está constantemente pautada pela animosidade anti-israelense e sempre critica, em todos os casos, a única democracia do Oriente Médio. E se posiciona a favor de despotismos sanguinários. Parafraseando Churchill, se Israel decidisse atacar preventivamente o Inferno, a mídia redigiria elogios a Lúcifer.

A única coisa que supera a má-fé da imprensa internacional é a canalhice de alguns jornalistas brasileiros. “Trump faz com o aiatolá Khamenei como os EUA fizeram com Osama Bin Laden”, escreveu Hildegard Angel, no X. “Ameaça caçá-lo e mata-lo. Quais são as semelhanças de Osama e Khamenei? São muçulmanos e têm a pele mais escura. O Irã não ameaça, não provoca atentado, não ataca. Isso se chama racismo.” Patifaria pouca é bobagem.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Leia também “A herança maldita de Lula”

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16 comentários
  1. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Essa “imprensa” não pensa.
    Não acredito, mas é como se não conhecessem nada de história.
    O povo Hebreu foram escravizados no Egito, libertos por Moisés, vagaram pelo deserto durante 40 anos.
    Não será um Aiatolá que irá apagar as páginas da história.

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Essa imprensa que é a favor dos terroristas tem que sofrer na pele o que é o terrorismo pra sair dessa cegueira

  3. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Velha mídia, leia-se financiada pelo atual consórcio instalado em Brasília.

  4. RODRIGO DE SOUZA COSTA
    RODRIGO DE SOUZA COSTA

    Inacreditável a pseudo intelectualidade da mídia brasileira.

  5. carlos henrique abibe
    carlos henrique abibe

    Afinal quem é o dono da CNN Brasil. Ele é amigo de quem?

  6. Zulene Reis
    Zulene Reis

    Pena que esgotei minhas duas caixas de presente: seu artigo está impecável, prezado Carlo Cauti. Parabéns.

  7. Antonio C. Lameira
    Antonio C. Lameira

    Quanto mais batem no Irã, mais a Democracia se estabelece, avante Israel acabem com esses demônios que são os governantes do Irã. As bombas lançadas sobre a Teocracia Iraniana, garantirá a Paz durante décadas.

  8. Jaime Moreira Filho
    Jaime Moreira Filho

    Primeiramente estou chegando a conclusão de que muita gente quer o mal do mundo. Parece que falta de liberdade, dominância de tiranias que gostam da dominância forte e violenta são procedimentos bons . Valorizamos infelizmente as pessoas que estão fora do normal e veem o mundo de forma estranha, colocando sempre seus nomes em evidência. Não devemos falar nomes de pessoas tão estranhas e abjetas como neste artigo. Não fale de pessoas que apoiam e defendem coisas contra a humanidade ou contras grupos humanitários ou países que vivem sobre pressão de extermínio como Israel. Um lembrete: são seres humanos.

  9. Jurandir
    Jurandir

    Hildegard Angel como representante militante da extrema esquerda midiática pró-Irã é sintomático. Essa petista de carteirinha, eleitora do lula, é mais uma das que habitam a aparelhagem “progressista” na velha imprensa. Quem bom estarem dando a cara a tapa, onde revelam com entusiasmo de torcida suas ideologias e apoios a ditaduras, corrutpos, terroristas e autocracias extremistas. Por isso ajudam a emplacar a narrativa do golpe fake, acreditem que Dilma sofreu golpe, odeiam bolsonaro e a direita como um todo, endeusam lula. Claro, não iriam se calar para mostrar o seu lado a favor dos aiatolás e contra Israel.

  10. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Não sei como ainda tem idiota que dá audiência para essa velha imprensa nojenta. É quem é o estúpido, retardado mental que até agora em todos os artigos publicados nesta edição de Oeste em apoio a Israel e contra o Irã, se manifesta com um não gostei. Seja quem for, deveria se mudar de mala e cuia para a Faixa de Gaza, Irã, Cuba, Coreia do Norte, China ou Rússia. Pra ficar nesses países.

  11. Marcio Cruz
    Marcio Cruz

    Na CNNum comentarisma é claramente anti-Idrael e anti-Trump: Um tal de Lourival Santana

  12. FRANCISCO JOSE GONCALVES
    FRANCISCO JOSE GONCALVES

    A Globo News é uma decepção de jornalismo. Rema contra a realidade do Brasil.

  13. Sergio Mendes Casro
    Sergio Mendes Casro

    A midia tradicional relataria assim um episódio bíblico : gigante Davi massacra anão Golias em flagrante ato de covardia>

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