“Se não fosse o Estado colocar o dinheiro, muitas vezes o agronegócio não estaria do tamanho que está para financiar máquinas, safra e garantir as exportações.” A declaração, feita por Lula em um evento na Bahia em 2023, mereceria figurar entre as fake news investigadas em um dos inúmeros inquéritos do ministro Alexandre de Moraes.
O fato é que, no Brasil, o agro não prosperou por causa do Estado — mas apesar dele. O verdadeiro motor da riqueza no campo é o mercado: uma engrenagem robusta e resiliente, movida pela força dos laços entre quem produz e quem consome.

Os produtos do agro brasileiro conquistaram o mundo séculos antes da existência do PT — e de Brasília. A fórmula do sucesso sempre foi clara: trabalho árduo e eficiente dos produtores, união entre empresários, cientistas e lavradores, e presença comedida do Estado. Quando um governante ignora essa equação, o resultado é desastroso.
Lula errou, por exemplo, em uma das iniciativas de Estado mais importantes para o agronegócio: o Plano Safra, política de crédito subsidiado para fomentar a produção agrícola.
A safra sem plano
Em março de 2025, os agricultores foram pegos de surpresa quando o Tesouro Nacional anunciou a paralisação de R$ 36 bilhões do Plano Safra. Na mesma época, muitos produtores rurais lutavam para sair da inadimplência e não sucumbir. Relatórios do Banco do Brasil, da Serasa e de outras instituições registraram números desastrosos. Os pedidos de recuperação judicial, por exemplo, mais do que dobraram em comparação a 2023. E as vendas de máquinas agrícolas caíram 60%.

Além disso, a falta de freio nos gastos governamentais ajuda a manter os juros nas alturas. Isso encarece e reduz os empréstimos feitos por todos os bancos, inclusive os privados. A escassez de crédito pode dizimar a produção.
Safras levam meses ou anos para acontecer. Enquanto plantas e bichos crescem, os custos ocorrem diariamente. As despesas vão de insumos, como sementes, ração e combustível, a salários e taxas dos prestadores de serviços.
Do governo para o agro
Outra atitude desastrosa do governo foi tomada depois das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz. Embora a maior parte dos grãos tenha sido colhida antes das chuvas, o PT agiu como se a safra não existisse.

Em vez de prestar auxílio aos produtores, que precisavam da restauração urgente das estradas para escoar o grão, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) separou R$ 1 bilhão para comprar arroz no mercado externo. A ideia era despejá-lo a preços subsidiados nas gôndolas do país para o governo federal aparecer em manchetes como provedor de comida barata. Deu tudo errado.
Logo na largada, enfureceu os agricultores de sul a norte, já que havia produto mais do que suficiente para alimentar a nação. No mercado internacional, a medida inflou as cotações antes mesmo de as compras estatais começarem.
Mesmo depois de muita briga e desinformação, a Conab — órgão vinculado ao Ministério da Agricultura — chegou a realizar um leilão para efetuar as aquisições. Foi uma enxurrada de contratos com empresas sem qualquer histórico de credibilidade no mercado. Uma delas vendia pão de queijo no meio do Amapá — bem longe dos arrozais. As redes sociais ajudaram a espalhar a história e a enterrar de vez a ideia.
Com tantas trapalhadas, ainda há quem diga que “nunca houve um governo tão bom para o agro”. Dois argumentos usados para tal afirmação se baseiam na abertura de mercados e na disponibilidade de dinheiro. A verdade, contudo, é que o crédito está caro — isso quando chega aonde precisa. Além disso, a aceitação dos produtos nacionais no exterior não é mérito de um ou de outro governante. Como tudo no campo, isso também é fruto de trabalho árduo, extenso, detalhado — e de longo prazo.
Negócios à parte
O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, tinha alinhamento declarado com os Estados Unidos. Durante o mandato dele, entretanto, o agronegócio nacional aumentou as exportações de soja e de carne para o maior rival dos norte-americanos: a China.
O motivo é simples: oferta, demanda e credibilidade. Os chineses precisam comer, os brasileiros conseguem produzir a um bom preço, e ambos têm o histórico de deixar a ideologia fora dos negócios. Os produtores rurais seguem o mesmo exemplo.
Comida e matéria-prima são assuntos vitais em qualquer parte do mundo. Governos e empresários não fazem negócios apenas por afinidades. Seja com Lula, Bolsonaro, Temer, seja com Dilma, o campo produz enquanto há demanda. O agro nacional alimenta gente no mundo inteiro.

Sem preconceitos à mesa
A lista de negócios inclui todo tipo de antagonismo: iranianos e israelenses, norte-americanos e chineses, russos e ucranianos. Empreendedores comuns transformaram oportunidades em riqueza enquanto os políticos polarizavam, e vão continuar — apesar das trapalhadas em Brasília.
Alguns presidentes trataram o setor com mais cuidado e estratégia. Isso ocorreu em momentos como a criação do Proálcool, em 1974, e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na mesma década.
Com o Proálcool, governo e empresários deram as mãos e transformaram o cultivo de cana-de-açúcar, vocação descoberta logo na chegada dos portugueses cinco séculos antes, em solução para a humanidade ter energia renovável.

A Embrapa, por sua vez, comprova algo praticamente impensável na terra do Petrolão: estatal nem sempre é sinônimo de problema. Quando a direção é técnica e o objetivo é assessorar os produtores, e não demonizá-los, os brasileiros produzem ciência e tecnologia de excelência.
Essa união adaptou todo tipo de planta e animal às condições locais e transformou áreas tidas como improdutivas em lugares fundamentais para a segurança alimentar da humanidade. Grande parte da soja, do milho, do trigo, do café e da cana produzidos hoje vem do Cerrado, sobre o qual, antes da Embrapa, pesava o ditado: “Nem dado e nem herdado”.
Lula chamou de “fascistas” os agricultores que construíram um legado internacional para o país. Quando um político se afasta dos produtores rurais que ajudam a manter em pé a economia brasileira para prestigiar invasores como os integrantes do MST, fica claro: muito ajuda quem não atrapalha.
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Fora governo comunista terrorista
Assino embaixo.
O motor do Brasil é o agro e a pecuária. O atoleiro é a esquerda.