O Brasil é uma potência exportadora de alimentos pelo enorme excedente que produz, fruto do inigualável talento local do agronegócio, e por suas enormes reservas minerais. Mas não só. É crescente a participação da indústria nacional nas cadeias de suprimentos de fábricas pelo mundo, como a norte-americana, razão de toda a reclamação do setor diante da barbeiragem diplomática e jurídica do consórcio Lula-STF, que colocou o país como um dos principais alvos das sanções tarifárias americanas. Na prateleira do supermercado do mundo, isso afeta a competitividade de nossos produtos e compromete empregos e geração de riqueza aqui. Diante das graves acusações de violação dos direitos humanos, do desvirtuamento de nossa democracia e de afrontas à Constituição, mais a estúpida aliança do governo Lula com ditaduras e a simpatia explícita a grupos terroristas, os EUA impuseram a alíquota de 50% de tarifa sobre as importações brasileiras. E a Lei Magnitsky, já aplicada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, paira ao lado de um possível aumento de outras sanções. Sob Lula, o país se distanciou da civilidade nas relações exteriores e expôs o país a uma situação única, atado em um nó diplomático como nunca antes visto, com previsíveis sinais de agravamento.
O risco que hoje o Brasil corre é exatamente o oposto do que vem sendo construído há décadas, desde o século passado. Recorro a um desses momentos. Nos anos 1990, uma revolução no Itamaraty pela gestão de Fernando Henrique Cardoso mudou o patamar do Brasil, elevando o país a jogador do primeiro time do comércio internacional. Ampliamos e diversificamos nossas exportações, ganhamos contendas na Organização Mundial do Comércio e deixamos claro nosso lugar no planeta. Não poderia ser diferente. Quem hoje garante alimentos a quase um bilhão de pessoas no mundo não poderia ser da série B. Exemplo de produção de energia limpa e, consequentemente, de transição energética — não sem antes ser dono de reservas de petróleo e minerais de alta demanda no mundo —, o Brasil é hoje imprescindível. E com um bônus que aguça o interesse internacional: um mercado potencial de 215 milhões de pessoas com demanda reprimida apenas pelo baixo poder aquisitivo. Um sinal de melhora e o consumo explode. E este era o nosso maior desafio até outro dia. Melhorar a ineficiência estatal, coalhada de burocracia, carga elevada de impostos e baixa produtividade, que voltou a piorar com Lula em 2023. Mesmo assim, o mundo dava de barato. O Brasil se tornou um garantidor da paz mundial no século, pela segurança alimentar que fornece, e sempre vendendo a esperança de se tornar um mercado comprador gigante. Do nosso jeito, estávamos no mundo, mesmo sendo um dos países mais protecionistas no planeta. As coisas iam acontecendo. Mas em economia, quando a ideologia entra, a oportunidade se perde.
Hoje, além do tarifaço de 50%, o Brasil passou a conviver com a possibilidade, ainda que remota, de ser banido do sistema Swift, o que representaria uma hecatombe para a economia brasileira. Da sigla em inglês, o Swift (“Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais”) é o organismo internacional que garante a operação de pagamentos e transferências do comércio global. Quem comprou consegue fazer o pagamento a quem recebeu de forma segura e padronizada. Sediado em Bruxelas, na Bélgica, foi fundado em 1973 por 239 bancos de 15 países. Supervisionado pelo Banco Nacional da Bélgica em parceria com bancos centrais de países do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, além do Banco Central Europeu. O Banco Central do Brasil também é um dos sócios e participa de um dos conselhos de supervisão. Hoje, o Swift reúne em torno de 11,5 mil bancos e outras instituições financeiras de mais de 200 países. Todos conectados neste que é o principal sistema por onde passa a maior parte do comércio internacional. Os números são gigantescos. Em apenas três dias de transações, o valor das operações é o equivalente ao PIB do mundo todo em um ano. E vale para tudo. Toneladas de soja vendidas pelo Brasil a um comprador da Ásia, a venda de aviões americanos à Europa, a compra de um livro por um simples leitor numa livraria virtual na internet, a remessa de dinheiro a um familiar, a reserva em um hotel ou companhia aérea, operações com cartão de crédito ou remessas diretas de um banco local para um correspondente em outro país, tudo passa pelo Swift. É praticamente inimaginável ficar de fora.

O tamanho do comércio exterior do Brasil com o mundo atingiu, em 2024, quase US$ 600 bilhões (exportações e importações). Cada dólar desse montante teria enorme dificuldade de circular se os bancos brasileiros fossem banidos do Swift. Como receber pelo que vendeu? Como pagar por insumos que comprou com a garantia de que a transação é segura e aceita pelos principais bancos centrais do mundo? Não há nada igual. O que, para nós, ainda parece uma possibilidade distante já é uma realidade na Rússia e no Irã. Os bancos russos foram sancionados em 2022 e perderam o acesso ao Swift depois da invasão criminosa de Moscou à Ucrânia. Os iranianos, pelo programa nuclear com fins militares. Em 2025, Lula ainda não consegue condenar a invasão russa, ao insistir com sua falsa equivalência entre invasor e invadido, e permitiu que dois navios iranianos, sancionados pelo governo americano por atividades terroristas, atracassem no porto do Rio de Janeiro em 2023. Recentemente, fez discurso de apoio ao Irã no conflito com Israel, onde ele, Lula, é persona non grata. Com o fato inegável de que Washington tem influência enorme — para não dizer decisiva — no Swift, dado o tamanho de sua economia e poder de seus bancos, os sinais não poderiam ser piores.
Em termos práticos, há quem argumente que uma eventual expulsão do sistema Swift não inviabilizaria totalmente o comércio externo do Brasil. É uma visão otimista, que não leva em conta o que exportamos, onde estamos no globo terrestre, quem somos, quais são os valores e a história do nosso país. Volto a esse ponto mais adiante.
É verdade que a Rússia, por exemplo, tem conseguido driblar parcialmente o banimento do Swift. Desde 2014, ao anexar a Crimeia, quando recebeu as primeiras sanções que limitavam a atuação de seus bancos no comércio internacional, criou um sistema próprio alternativo ao Swift. Desenvolvido pelo Banco Central Russo, o SPFS (“Sistema de Transferência de Mensagens Financeiras”) conecta o país a 70 bancos e instituições financeiras de apenas 12 países, a maioria de aliados diplomáticos. Menos eficiente, com horário de funcionamento limitado, abrangência muito menor e limite de operações, o sistema também foi sancionado. Neste ano, a União Europeia proibiu transações de entidades europeias com o SPFS. A lógica de uma sanção é a pressão econômica pelo isolamento diplomático ou asfixia financeira. Com a Rússia, há números de estrago em ambos. Na economia, o PIB russo caiu 2,1% logo em 2022, no primeiro ano da guerra e do banimento do Swift. O efeito dominó veio a seguir. As exportações de petróleo registraram quedas de receita de 26,9%, em janeiro, e de 41,7%, em fevereiro de 2023. Para se adaptar, a Rússia, que antes foi uma das duas superpotências da Guerra Fria e que dominava uma parte do planeta, hoje é obrigada a recorrer a intermediários para vender seus produtos, principalmente à China, que além de fazer parte do Swift tem um sistema de mensageria financeira para chamar de seu, o CIPS (“Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China”), mas também de menor alcance, que negocia apenas com a moeda chinesa e sob enorme risco de sanção secundária. No mais, o Kremlin tem recorrido até às criptomoedas, apesar de toda a insegurança desse mercado que carece de aceitação no comércio exterior.

Mas o caso russo tende a piorar. A Otan, grupo de ajuda militar mútua entre a maioria dos países europeus, EUA e Canadá, já não suporta mais a guerra na Ucrânia. Semanas atrás, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, apontou o dedo para quase todos os países do Brics, o que, claro, inclui o Brasil, citado nominalmente: “Se você é o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil e ainda negocia com os russos e compra seu petróleo e gás, saiba que se esse cara em Moscou (em referência a Vladimir Putin) não levar as negociações de paz a sério, eu lhes aplicarei sanções secundárias de 100%”.
O presidente Donald Trump já se adiantou em relação aos indianos nesta semana.
Sanções tarifárias cada vez maiores são o começo. Sanções a indivíduos, como a Lei Magnitsky aplicada a Moraes, um segundo passo. O Brasil já recebeu ambos. Em algum momento, como já feito antes, o banimento do sistema Swift, direta ou indiretamente, pode ser colocado como medida possível. O Brasil conseguiria lidar com isso? Não.
Fato é que o combo brasileiro é preocupante. Temos violações graves de direitos humanos, perseguições políticas a adversários do governo, desrespeito à Constituição e atropelo de garantias individuais como a liberdade de expressão, o devido processo legal e a ampla defesa. O descalabro jurídico e institucional no Brasil já ultrapassou todos os limites internos e as nossas fronteiras. O mundo sabe de tudo. Externamente, o cenário só piora. A diplomacia de Lula jogou o Brasil, que até 2022 era reverenciado pelo equilíbrio da sua respeitada diplomacia, ao lado de ditaduras, grupos terroristas e todo tipo de autocracia e seus regimes de exceção, onde nada é transparente e a perseguição política, uma regra.
Com a China, a nossa relação escalou de principal parceira compradora das commodities brasileiras — até aí, bom para ambos — para o nível de aliados diplomáticos, com um empoeirado discurso antiamericano do qual Lula, em sua megalomania, decidiu ser o porta-voz. Para quê? De outro lado, a dependência do diesel russo, provocada pela aproximação do governo Lula com Putin, faz do Brasil um alvo do mundo ocidental. O fim da guerra na Ucrânia é uma prioridade para a Europa e a Casa Branca. O Brasil não pode ser o empecilho porque decidiu ter a Rússia como fornecedora de 40% do diesel que consome. Só no segundo trimestre de 2025, as importações do combustível russo pelo Brasil aumentaram 229%, tornando-se nosso maior fornecedor. Sem poder usar o Swift especificamente com a Rússia, o país tem contornado as sanções para poder pagar pelo diesel. Além do risco de uma sanção secundária diante da tensão internacional em alta, concentrar sua demanda de diesel num fornecedor inseguro e sancionado pela comunidade internacional não é apenas um risco à economia. É um entreguismo ideológico do mandatário de plantão que expõe o país ao risco de desabastecimento e afronta a soberania nacional, coisa que o atual governo, na sua narrativa sem nexo, diz querer defender.

O Brasil é um país que tem o mérito de possuir excedentes para exportar. Sejam as commodities agrícolas ou minerais — gostamos de comércio exterior. Somos hoje um exemplo de transição energética. Nossa indústria tem aberto espaço nas cadeias produtivas globais. Temos oferta de produtos e demanda de investimento externo para o desenvolvimento da infraestrutura local — um universo de oportunidades ainda não explorado. O mundo precisa de nós. Nós precisamos e queremos o mundo aqui. Nós, brasileiros, somos ocidentais, estamos deste lado do planeta, temos uma cultura de amizade e queremos crescer fazendo mais e melhor o que já fazíamos. O modelo russo, chinês ou iraniano só cabe na cabeça de Lula. Não aqui, na vida de quem trabalha e produz neste país, que quer liberdade de expressão e econômica. É impensável continuar com um governo e seu parceiro de consórcio, o STF, que insistem em fazer do país um pária internacional, não um parceiro do crescimento econômico e da segurança mundial, como sempre fomos.
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Fantástico comentário!
Excelente artigo Piotto. Apenas um pequeno exemplo dos excelentes produtos brasileiros e da boa tecnologia. Há tempos a marca de legumes congelados D’aucy,conseguiu competir com a marca francesa Bonduelle e vencer a concorrência pela qualidade do produto e o preço. A capacidade do agronegócio brasileiro em inovar e apresentar produtos de qualidade ao consumidor é imensa.Uma marca brasileira que com facilidade derrubou a grande concorrente. Quem tem a capacidade de exportar carne como o Brasil?
Alguém cunhou a frase: Insanidade é repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes.
Lula3 está apresentando exatamente o que se poderia esperar de um executivo que deseja colocar o país à margem do mundo onde as relações de troca funcionam de acordo com as leis de mercado.
Os resultados desta equação do consórcio PT/STF serão catastróficos.
Excelente, Piotto… brilhante como sempre.
Verdadeira aula..
Parabéns!!
O Luladrão queria seguir os passos de seus ídolos(Maduro, Putin, Xiping… etc) e se eternizar no palácio do planalto mas se os bancos (que o adoravam até agora) perderem um centavo que seja nem o MST, nem o PT ou o 5TF vão conseguir portege-lo