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Um corte da fotografia Girls in The Windows, de Ormond Gigli | Foto: Wikimedia Commons
Edição 285

Imagem da Semana: as Garotas de Ormond Gigli

Uma das imagens mais vendidas do mundo, feita por capricho do fotógrafo, capturou um pedaço de uma extinta Nova York

Um dia antes da demolição de um edifício localizado no Upper East Side, em Manhattan, Nova York, o fotógrafo freelancer Ormond Gigli teve a ideia de reunir 43 modelos belamente vestidas para posarem na frente das janelas antes que virassem pó. O resultado foi um sucesso. A arte, batizada de Girls in the Windows (Garotas nas Janelas), virou uma das fotografias mais compradas em leilões de arte do mundo. Segundo o jornal americano The New York Times, estima-se que a venda de uma centena de cópias da foto tenha somado 12 milhões de dólares.

Em certa manhã do verão de 1960, Ormond Gigli, aos 35 anos, olhou pela janela de seu estúdio na East 58th Street, em Manhattan, e notou que o antigo e abandonado prédio de arenito (conhecido como brownstones), que frequentemente contemplava do outro lado da rua, Beaux Arts, estava sendo preparado para demolição. A fachada do edifício já não tinha vidros e isso lhe deu a ideia de colocar mulheres deslumbrantes com roupas coloridas em cada uma das aberturas e, assim, fazer um último registro e homenagem à bela arquitetura do prédio, símbolo de uma Nova York outrora gloriosa.

Quadro de Ormond Gigli, As Garotas nas Janelas, em Nova York (1960) | Foto: Sotheby’s/Reprodução

Em uma entrevista para a revista Time, Gigli disse: “Não, não era uma tarefa. Eu tinha um brownstone [estúdio] que ficava bem em frente a ele na East 58th Street, e eu olhei pela janela um dia e vi que eles estavam derrubando os brownstones em frente a mim — eles eram velhos e não havia ninguém neles. E eu estava olhando para eles e dizendo: “É uma pena, sabe, o que posso fazer com isso?” 

Retrato do fotógrafo Ormond Gigli | Foto: Reprodução

Gigli enviou alguém de sua equipe para conversar com o supervisor da demolição, que concordou em ceder a fachada do prédio para a foto, desde que a esposa aparecesse na fotografia. A foto teria que ser feita no dia seguinte. Depois disso, o prédio seria demolido. Então, restaram apenas 24 horas para realizar o projeto. A equipe de Gigli começou a correr contra o tempo para conseguir modelos e para localizar um Rolls-Royce — ele queria que o carro ficasse estacionado em frente ao prédio. Gigli tinha boa reputação. Fazia trabalhos para revistas como Time, Life e Paris Match, então não foi difícil convencer as pessoas do que precisava. “Houve muito pouco planejamento prévio”, disse Sue Ellen Gigli, sua esposa, anos mais tarde. “Mas sabíamos que esses edifícios estavam caindo, então ele pensou no que poderia fazer para lembrar deles como eram.”

No dia seguinte, modelos, socialites, a esposa de Gigli (segundo andar, extrema direita) e a esposa do supervisor (terceiro andar, terceira da esquerda para a direita) estavam a postos usando seus melhores vestidos e maquiadas por conta própria para diminuir o custo da produção. Havia também o Rolls-Royce, emprestado de uma concessionária próxima. Gigli — parado em uma escada de incêndio no segundo andar — passava as instruções através de um megafone. Com o seu olhar afiado, mudou algumas modelos de lugar para espalhar melhor as cores e as posicionou dentro do enquadramento da janela. Em uma hora foram feitas cerca de 15 fotos, com uma linda luz que brilhava entre as ruas enquanto o sol estava a pino. A imagem foi publicada pela primeira vez no Ladies’ Home Journal e depois em várias outras publicações. Só foi disponibilizada comercialmente em 1994.

Ormond Gigli durante os preparativos para a sua foto histórica | Foto: Reprodução
Gigli realizado depois de terminado o trabalho “Girls in the Windows” | Foto: Reprodução

Cerca de 600 cópias foram assinadas e numeradas em edição limitada nos últimos 30 anos. Segundo o New York Times, os valores da venda variam entre US$ 15 mil e US$ 30 mil. Mais de 160 impressões de Girls in the Windows foram vendidas em leilões da Phillips, Christie’s, Sotheby’s e de outras casas. Compradores que desejam eliminar o intermediário podem adquirir diretamente do espólio do artista.

Ormond Gigli não imaginava que uma imagem feita por iniciativa própria se tornaria uma das mais colecionáveis da história da fotografia.

A foto “Girls in the Windows” foi feita no verão de 1960, um dia antes da demolição do edifício | Foto: Ormond Gigli/Reprodução

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: Atlantic Charter”

5 comentários
  1. Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen
    Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen

    Muito linda, arte verdadeira, idéia genial que só uma mente extremamente criativa poderia ter!

  2. Alcindo De Azevedo Barbosa Junior
    Alcindo De Azevedo Barbosa Junior

    Ormond Gigli estaria completando 100 anos agora em 2025.

  3. Felipe Polido Fernandes
    Felipe Polido Fernandes

    Isso sim é arte! Não banana colada com fita adesiva (nunca vou entender isso)

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