Infelizmente, apenas 31% da nossa soja alcança os nossos portos via ferrovia. A ironia é que, no mundo das mudanças climáticas, segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), uma ferrovia emite oito vezes menos gases de efeito estufa do que o transporte sobre pneus.
Estima-se que 1% de aumento por ano da participação ferroviária na matriz de transporte reduziria 2 milhões de toneladas de emissão. Se sabemos desses dados, o que fazemos? Praticamente nada, pois os nossos gastos com acidentes rodoviários no País superam os investimentos em ferrovias.
É isso mesmo. Em 2024, infelizmente, os acidentes rodoviários custaram R$ 16 bilhões (dados da Confederação Nacional do Transporte), com 6,1 mil mortes apenas nas rodovias federais. No mesmo período, os investimentos públicos totais em ferrovias foram de apenas R$ 280 milhões. Ou, deixando mais claro o nosso descalabro com a malha ferroviária, a fraude do INSS é um valor 22,5 vezes maior do que o montante que investimos no ano passado no setor ferroviário.
Como não poderia ser diferente, hoje os Estados Unidos têm uma malha ferroviária cerca de dez vezes maior do que o Brasil, embora o tamanho geográfico seja quase o mesmo. Uma nação que sabe gerenciar o seu tempo sabe como administrar o seu progresso. É aí que reside o nosso atraso, pois basta passar os olhos por essa cronologia abaixo:
EUA: construção da Ferrovia Transcontinental, em 1869, apenas quatro anos após o término da Guerra Civil.
Canadá: término da ferrovia que uniu as extremidades do país, de Montreal a Vancouver, em 1885.
Rússia: inauguração da Ferrovia Transiberiana em 1889.
Brasil: em 2025, completa 12 anos que estamos discutindo a EF 170, comumente chamada de Ferrogrão. Nesse intervalo de tempo, a China construiu mais de 100 mil quilômetros de ferrovias! A Ferrogrão talvez seja o único projeto ferroviário dos últimos 100 anos viável, pois nasce com carga e com 100% de recursos privados.

Para piorar ainda mais a situação, o Brasil tem mais de 10 mil quilômetros de trilhos de ferrovias listados como “sem tráfego”. A denominação dada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) significa que esses trechos não são utilizados pelas concessionárias por não terem viabilidade econômica. Esse montante representa um terço de toda a malha ferroviária brasileira.
É lamentável reconhecer que o Brasil não avançou no desenvolvimento de uma matriz de transporte mais eficiente. Um cronista anônimo do século 18 afirmava que os nossos “rudes caminhos” representavam o “espantalho dos tropeiros e o tormento das mulas”.
Ter um sistema de transporte moderno significa que os consumidores terão acesso a mercadorias de todo o mundo a um preço menor do que se pensava ser possível. Da mesma forma, os custos de transporte reduzidos ajudaram a elevar os padrões de vida de centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento voltados para a exportação nas últimas décadas. Todo país desenvolvido entendeu que transporte barato e eficiente é uma atividade econômica essencial para o progresso e a geração de riquezas. Menos o Brasil!
Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIin: Antonio Cabrera
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O artigo deixa a desejar.
A Ferrogrão nem chegou a ser iniciada.
O Ponto Central: A Decisão do STF
Em março de 2021, o Ministro Alexandre de Moraes concedeu uma liminar (decisão provisória) que suspendeu todos os efeitos da Lei nº 13.452/2017, que viabilizava o traçado da ferrovia. Essa decisão foi motivada por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6553), proposta pelo partido PSOL.
Não abordou isso por quê?
Quando será que nós livraremos desse ambientalismo extremista, doentio, que só atrapalha nosso país? Quando será, meu Deus?
Tá… Abordou o assunto (que, não é novidade pra ninguém minimamente informado), fez uma pequena introdução, mas não desenvolveu o tema.
Concordo. Tava lendo e o artigo acabou de repente