José Dirceu é desde a juventude uma usina de ideias de jerico. Foi inaugurada em 1968, quando botou na cabeça que o congresso da União Nacional dos Estudantes, com mais de mil participantes, tinha de ser realizado — clandestinamente — num sítio em Ibiúna, lugarejo perto de São Paulo. Dirigentes menos amalucados propuseram que o encontro ocorresse no campus da USP e às claras, o que talvez inibisse ações policiais. Dirceu manteve a decisão e deu no que deu. No primeiro dia, a chuva impenitente e a falta de acomodações com telhado submeteram a uma madrugada medonha centenas de jovens enrolados em ponchos. No segundo, alertada por moradores intrigados com o que viam, a PM invadiu o lugar e prendeu todo mundo. Dirceu teria ficado muito mais tempo na gaiola se não tivesse sido incluído no grupo libertado por exigência dos sequestradores do embaixador americano.
A fábrica de imbecilidades seguiu funcionando. O mineiro de Passa Quatro diplomou-se com o codinome Daniel num cursinho de guerrilha em Cuba, providenciou sucessivas mudanças de identidade, redesenhou o rosto com bisturi para tornar o nariz adunco e depois para retificá-lo e ameaçou derrubar o governo militar chefiando um grupo de guerrilheiros rurais até optar por quatro anos de sossego em Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Disfarçado de dono de loja, casou-se com uma moça rica e gerou o filho que mais tarde viraria deputado com o codinome Zeca Dirceu. Só depois da anistia de 1979 retomou a vida que o transformaria, por decisão dos soldados rasos do PT, no guerreiro do povo brasileiro. Nos anos seguintes, mais de uma vez ele ameaçou enquadrar os reacionários “com uma ampla mobilização de movimentos sociais”. Uma tropa comandada por Dirceu só conseguiria matar de riso os atacados.

A mais recente performance mostrou que o trapalhão vocacional criou algum juízo, mas está longe da cura. Foi ele quem sugeriu que o PT promovesse neste Sete de Setembro uma manifestação na Praça da República. A escolha do local informa que o organizador anda menos imprudente. Atulhado de árvores, o local escolhido impossibilita fotos aéreas, com ou sem o uso de drones. Como os presentes são invisíveis, qualquer cálculo serve. O PT e o Psol, organizadores do comício mequetrefe que se apresentou com a alcunha “Grito dos Excluídos”, juram que a plateia reuniu 8 mil espectadores. O problema é que Dirceu, ao anunciar o objetivo do evento, reincidiu na soberba: “Vamos mostrar que a esquerda domina as ruas”, jactou-se. “Temos de juntar muito mais gente que a extrema-direita na Paulista”. Danou-se de novo: uma multidão de brasileiros decidiu reafirmar que a oposição é majoritária nas ruas (e em qualquer disputa que não tenha como árbitros ministros do Supremo). Muitíssimo mais numerosa, a manifestação na avenida demonstrou que, em 2026, a derrota do consórcio PT-STF será mais desmoralizante que a ocorrida nas mais recentes eleições municipais. Outro sinal de perigo para os donos do poder foi a assimilação pelos participantes da palavra de ordem essencial: “Anistia já”.
Ao longo da semana, dominado pelo julgamento do golpe de Estado imaginário, Dirceu festejou a confirmação do diagnóstico, feito depois de outra temporada na prisão, em que localizou dois erros que impediram o fortalecimento dos governos do PT. Primeiro: “Devíamos ter promovido oficiais das Forças Armadas que simpatizam conosco”. Segundo: “Devíamos ter indicado para o Supremo, desde 2003, gente afinada conosco e mais jovem”. A composição do STF avisa que a ideia vingou. Dias Toffoli, ex-assessor de Dirceu, ex-advogado do PT e ex-chefe da Advocacia Geral da União, tem 57 anos. É a mesma idade de Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, que se orgulha da primeira infiltração de um comunista na corte. Os dois ficarão por lá mais 18 anos. Só perdem para Cristiano Zanin, principal advogado de Lula. Com 49 anos, ficará mais 26 na cúpula do Judiciário.
Conversões surpreendentes e trapaças da sorte engordaram a bancada majoritária orientada por Gilmar Mendes. Carmen Lúcia vem fazendo há muito tempo o que ordena o decano com quem antes vivia duelando. Indicado por Michel Temer, Alexandre de Moraes virou líder da bancada governista. Luís Roberto Barroso, que até recentemente não disfarçava a antipatia por Gilmar Mendes, já não enxerga pitadas de psicopatia no mais antigo integrante da Corte. Os eminentes colegas trocaram o bate-boca por elogios recíprocos. Tais movimentos ajudam a explicar a solidão de Luiz Fux no julgamento do golpe que não houve. É uma solidão que engrandece. Único juiz de carreira a vestir a toga, só Fux agiu como um genuíno magistrado.

No momento, a maioria do STF dá piruetas à beira do penhasco — sem sequer verificar se existe alguma rede de proteção metros abaixo. A reiteração da arrogância só serve para consolidar, entre milhões de democratas inconformados, duas certezas. Primeira: é preciso eleger senadores dispostos a mostrar que o Supremo não existe para governar o país. Segunda: todos os caminhos que podem levar o país de volta à normalidade passam pela anistia. Já. No histórico voto, Fux fez mais que desmontar a indigente peça acusatória parida pelo procurador-geral da República. Também reduziu a escombros o monumento ao autoritarismo insano erguido por Moraes. Escancarou a nudez debochada do Rei Momo do Maranhão. Fotografou em alta resolução a cabeça baldia de Cristiano Zanin. E definiu o destino de três homens e uma mulher que, com a imposição de penas absurdas a réus septuagenários, garantiram uma vaga na História Nacional da Infâmia. Os quatro cabem num asterisco. Não merecem mais que isso os inventores da prisão perpétua à brasileira.
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Simplesmente o melhor. Texto leve e preciso. É uma beleza ler e reler os textos escritos pelo Mestre Augusto Nunes. O voto de Fux representa o que de fato falta em muitos lugares hoje em dia: sabedoria e sensatez. O único de fato Juiz fez jus à SUA FUNÇÃO; votou desprovido de emoções e particularidades ideológicas. O Brasil inteiro vibrou e FUX entrou pra História. Um homem correto e JUSTO.
Não tinha ideia de que essa figura sinistra, que age nas sombras, fosse um néscio, um pacóvio, um estulto. Sei que ele agiu (age??) às escondidas num hotel em Brasília vendendo influencia dentro desse desgoverno podre e fedorento. Tinha ele como nosso Richelieu maligno, o que atua à socapa nos bastidores da corrupção petista. O que me intriga é a longevidade dessa gente.
Mestre Augusto Nunes é uma enciclopédia viva do jornalismo brasileiro.
O magistral voto de Luiz Fux afronta a formação do atual STF que se transformou um bunker para proteger o sistema.
Na Roma antiga, sob a égide do Direito Romano é muito provável que os acusados do golpe que não houve seriam todos absolvidos.
Uma figura como José Dirceu, sendo o mentor desta gangue chamada PT, tem como dá certo?
É, apostos que se os jovens morressem no tal acampamento pela chuva ou desmoronamento como sempre fazem iam colocar a culpa na polícia e nos militares. Estamos falando de jovens que pais não sabiam onde estavam, porém sabiam era organizado pela universidade estava bom ou chique.
E pelo visto a cabeça jerico, expressão usada pela minha mãe a ideia propensas a não prosperar por falta de estrutura e a dimensão do BRASIL segue até ALEXANDRO. O psol que não crescia se juntou e ainda arremataram pessoas que queriam um terra pra plantar e com passar do tempo viram que a terra não era pra plantar e sim cultivar pra eles ou a terra pra construir mansões como ocorreu com o tal SATÉLITE/ Rainha membro desse grupo, sem recurso ou alunos com mais recursos ajudavam né BOULLOS, é os pais abartardos e filhos únicos eram focos ( a hoje Faria Lima) de cantor, artistas, dono de emissoras e de bancos. E OS SINDICALISTAS década 80 e deu no que deu . HOJE invadem terra por não saber reconhecer a invasão de terrenos arenoso ou de risco desabar e, aí fazem com fazendas existentes, produtivas. E atrelados a grupos maiores de polícias expulso ( milicias) do conhecimento e” cursos “cubanos. E assim contamina jovens pobres , mão de obra bruta da invasão à construção e os bastardos com mesma ideia jerico como BOULLOS o ” movimento” dos sem TETO. Isso não para em cada espaço tem um com sede de PODER ( sem carisma) , sede de EGO( sem dinheiro) e sociopatas que vem crescendo e chegamos ao maior os partidos como PSDB ( AECIO sem competência ( usuário DROGA do que nao ajudaria ),mais nome ALCKMIN AMBICIOSO quis derrubar SERRA( único do partido filho de imigrante que queria fazer algo pelo povo). E Alckmin acabou SEM CARISMA ,DERRUBANDO O BRASIL é na mão do ALEXANDRE criaram um monstro com ajuda TEMER outro ambicioso pelo poder e por mulheres, mas sem carisma e com verniz de CONSTITUCIONALIDADE .E AGORA MONSTRO PRESTE ACOME-LOS., pois não tem limite com filhos ou famílias de inimigos e a mão do PCC.
Agora é um congresso nas mãos do todo poderoso e sem saída!?!? Os filhos hoje adultos de famílias sujas, Só mesmo aceitar !?!?NÉ NÃO MOTTA. DEPOIS DO SERRA O UNICO COM MAIS FORÇA E CONHECIMENTO E FICHA LIMPA BOLSONARO ( ALCKMIN SUJOU A FICHA DO SERRA) , MAS BOLSONARO não aderiu ao grupo e não sujam a ficha tão fácil..
Tudo isto me “cheira “ uma grande armação para não caracterizar unanimidade deste tribunal illegal
Obrigado, Augusto Nunes pelo texto bem esclaredor. Obrigado Revista Oeste.
Já dei de presente seu artigo, prezado Augusto Nunes: como sempre, brilhante. Aplausos. Obs não vou usar o ponto de exclamação porque sei que você não gosta dele.
Pra mim , parecem três pilantras e um vampiro trans… dava até pra fazer um filme…
Antes tarde do que nunca.
Ministro Luís Fux, derrubou, ponto a ponto, a narrativa farsesca do suposto golpe. Sendo o único juíz de carreira, julgou com equilíbrio, imparcialidade , respeitando, a tão maltratada CONSTITUIÇÃO! Dos demais, nada de melhor era esperado, nem justiça , honestidade e postura! Politiqueiros com motivos escusos .
Simplesmente analisando, as decisões da 1ª turma, como demonstrou Fux tem nulidades que contaminaram todo o processo, nulo no seu berço. No estágio da decisao e julgamento que chegou, não têm como os ministros contrários, voltarem atrás, de decisões, referendadas e aceitas por todos desde o início. O corporativismo foi total e pleno, recuar seria admitir culpabilidade. Fux detalha item a item, expõe erros e o absurdos invalidado toda a relatoria de Moraes.
Está na hora da oposição e a imprensa aprender e empreender novas formas de combate às narrativas de esquerda e revelar os bastidores de um estado aparelhado. Certamente, esse julgamento, diante das denúncias e provas de Tagliaferro, deveria ser imediatamente suspenso e todas as acusações investigadas.
Esse julgamento e suas mentiras não se sustentarão por muito tempo, mas todos os envolvidos tem muito a perder e não recuarão tomados por argumentos e consciência. Como combater tanta infâmia e prevaricação? Precisamos reinventar o jogo e sair das armadilhas dessa esquerda anacrônica.
Augusto como sempre brilhante. Voto do ministro Fux expôs vergonhosamente a farsa do golpe. Os quatro infames terão o que merecem. É uma questão de tempo, a justiça divina não falha.
É muito difícil excluir a palavra crueldade na tentativa de descrever o perfil dos verdadeiros golpistas, que rasgaram a Constituição e proclamaram a si poderes absolutos. Foi um julgamento implacável com a troca de sorrisos debochados e sórdidos entre os quatro ministros condenatórios do grupinho chamado de 1ª Turma. Aquelas faces não podiam conter-se nem esconderem sua íntima satisfação triunfal pelo êxito conquistado. Comportaram-se como “deuses” zombeteiros em seus ritos de crueldade sob o aplauso oculto dos demônios da noite, que cometem orgias todas as vezes quando a injustiça triunfa na terra. Apenas Fux estava cabisbaixo, concentrado, fazendo apontamentos. Talvez queria entender o tamanho do sadismo comemorativo de seus pares por terem conseguido levar ao calabouço — pelo resto da vida — o maior inimigo a quem perseguiram por mais de sete anos. Na postura de Fux, quem sabe, pairava a dor da agonia dos injustamente sentenciados, dor dos familiares, não entendendo, como tamanha mentira cheia de contradições, incoerências, por ele apontadas, continuariam sendo sustentas como base condenatória. Fux fez estorço titânico para convencê-los com provas claras, que todo o processo sobre o dito golpe é um processo apodrecido desde a base. Mas o pré-julgamento já começara a partir do ato de criação da narrativa. Não foi surpresa para ninguém, as cartas estavam marcadas. Conclusivamente, onde há cartas marcadas, os executores não têm escrúpulos para colocarem a verdade e a justiça para o sacrifício. Resta saber, o que o tempo está reservando.
FAKE NEWS DO UOL : no dia seguinte ao voto do Ministro Fux, essa empresa jornalística colocou em destaque, nas headlines da folha de rosto de seu Portal, que o Ministro FUX teria empregado 11 horas e 429 páginas para absolver Bolsonaro. Uma grande mentira, por 3 motivos: (1) Fux usou seu tempo para votar sobre outros 6 réus e não apenas Bolsonaro; (2) Vários intervalos foram solicitados durante o voto, inclusive para almoço; (3) Dividindo as 11 horas (ou 10,5 horas) por 7 réus, resulta 1h 30 min por cada um. Entretanto, cada réu foi julgado quanto a 5 crimes. Dividindo 1 hora e meia por 5, resulta 30 minutos. Isto pode estar longe do voto mais longo e perto dos mais curtos. Basta lembrar que o voto do famigerado ministro que propôs soltar o jogador de futebol estuprador, empregou 480 páginas para julgar apenas Bolsonaro e uma reunião com plateia de não votantes.
*|CORREÇÃO: Dividindo 1 hora e meia por 5, resulta 18 minutos. Pedrão!
Bolsonaro ficará preso por 4 anos (1/6 da pena – Lei de Execução Penal), se tanto.