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Foto: Revista Oeste/Gerado por IA
Edição 288

Cancelamento de direita

Reduzir o que temos visto após o assassinato de Charlie Kirk a esquerdistas que “simplesmente não compactuam com opiniões da extrema direita” é uma piada de mau gosto

Alguns esquerdistas apontam uma suposta contradição dos conservadores ao defenderem demissões de quem comemorou a morte de Charlie Kirk. Essa turma, afinal, não era contra a cultura do cancelamento? E agora “perseguem” pessoas nas redes sociais e pedem suas cabeças por “divergências políticas”?

Não vejo, porém, qualquer incoerência. No mundo ideal dos liberais clássicos, toda empresa deve ter liberdade de contratar e demitir pelo motivo que for. Claro que, na prática, ninguém quer viver numa sociedade em que empresas possam rejeitar funcionários pela cor da pele ou por serem de alguma minoria.

Esquerdistas apontam uma suposta contradição dos conservadores ao defenderem demissões de quem comemorou a morte de Charlie Kirk | Foto: Reuters/Cheney Orr

Mas o receio, compreensível, sempre foi conceder poder demais ao Estado para este impor uma visão ideológica de “justiça social” que usurpe a liberdade das empresas. As cotas, a política de DEI e a ideologia Woke mostram os riscos disso. Os empresários se viram muitas vezes reféns dos militantes de plantão.

Ainda que alguma regulamentação nas relações de trabalho pareça inevitável, mantê-la no mínimo necessário parece desejável. Não cabe ao estado definir quem será contratado ou demitido, ao menos não no capitalismo meritocrático. No socialismo funciona assim, ou melhor, não funciona, pois ele acaba produzindo apenas miséria e escravidão.

Já a lógica do cancelamento é um movimento fascista que pede cabeças por divergências políticas, tentando impor uma espiral de silêncio aos conservadores. Basta o sujeito defender Trump ou Bolsonaro publicamente para que movimentos façam campanha por sua demissão. Como são grupos organizados, como os Sleeping Giants, e com muita influência sobre os anunciantes, esse tipo de pressão surte efeito. Várias vidas foram destruídas por conta dessa perseguição ideológica.

A lógica do cancelamento é um movimento fascista que pede cabeças por divergências políticas | Foto: Shutterstock

Isso não é o mesmo que expor quem está festejando assassinato. Ao contrário: se o sujeito acha que é legítimo matar alguém por defender ideias diferentes, seria até incoerente ele mesmo achar que é injusto perder o emprego por defender “ideias” diferentes! Mas sequer se trata, aqui, de defender ideias diferentes.

Há um limite civilizatório para divergências. Ninguém deveria ser demitido por pregar uma visão mais progressista, se isso em nada impactasse em sua produtividade. Não cabe ao empresário exigir que todos pensem da mesma maneira, e isso nem mesmo parece desejável. Se o vendedor vende bem o produto, pouco importa se ele é de esquerda ou de direita. Só que celebrar a morte de alguém por divergência política não é uma simples divergência; é uma monstruosidade que revela uma alma podre e perigosa.

Nos últimos dias, uma campanha chamada “Demita Extremistas” ganhou força nas redes sociais, capitaneada pelo empresário Tallis Gomes, fundador do G4 Educação, e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). “O extremista ideológico não quer trabalhar. Ele quer ressignificar a empresa até ela deixar de existir”, disse Tallis Gomes.

Em vídeo publicado esta semana, o empresário diz que “a campanha não incentiva demissão por opinião, mas sim por comportamento criminoso, propagação de ódio e incentivo à destruição da vida, ao caos e à desordem”. Você deve ser livre para defender qualquer coisa, por mais nefasta que seja, mas não está livre das consequências de defendê-la em público. Não é razoável achar que alguém vai festejar a morte dos outros e seu chefe tenha de ficar indiferente a isso.

“Quando alguém manifesta desejo de matar alguém ou sugere que uma pessoa pública ‘deveria morrer’, isso pode configurar crime de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal, e até incitação ao crime (artigo 286). Um colaborador que comemora assassinatos e manifesta desejo de matar terceiros demonstra conduta gravíssima, que quebra, de forma irreparável, a fidúcia necessária para a manutenção do contrato”, diz o empresário Tallis Gomes.

Claro que o Psol iria na contramão disso. Nove deputados do partido apresentaram denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra Nikolas e Tallis Gomes. “O constrangimento, a coação, a intimidação e a ameaça de demissão por motivos de convicção filosófica ou política, sejam os empregados de esquerda ou que simplesmente não compactuem com opiniões de direita ou de extrema direita, configuram situações de evidente abuso de direito e assédio laboral, que não podem ser toleradas nem incentivadas, como ilicitamente vem fazendo o parlamentar”, dizem os autores da ação — entre eles Guilherme Boulos, Erika Hilton e Talíria Perone.

Mas reduzir o fenômeno que temos visto após o assassinato de Charlie Kirk a esquerdistas que “simplesmente não compactuam com opiniões da extrema direita” é uma piada de mau gosto. É óbvio que não se trata disso. Qualquer pessoa razoável, que não abandonou a decência, pode compreender que uma coisa é divergência política e outra, bem diferente, é aplaudir o assassinato de alguém por razões políticas. No último caso estamos diante de sociopatas, e nenhuma empresa deve ser obrigada a manter em seus quadros um sociopata.

Em suma, a esquerda quer demitir quem diz que homem é homem e mulher é mulher, enquanto a direita quer demitir quem comemora assassinatos de inocentes. Quem não enxerga a diferença perdeu completamente o juízo…

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6 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Eu conheço gente que é decente, cidadão, mas apoia a cultura woke, só pra afirmar que é moderno progressista. Eu sou progressista porque creio no progresso, no desenvolvimento. Essas pessoas é de uma mentalidade que dá pena, tem alguns que pratica homossexualismo mesmo sendo heterossexual, mas acha que isso é ser moderno é ser intelectual, é ser liberal. Isso está mais pra problemas psíquicos

  2. Urias Roberto da Silva
    Urias Roberto da Silva

    Fanáticos não escolhem. Comem a gororoba com a certeza de ser perfeita. Economizam pensar, economizam o trabalho de buscar e a angústia de decidir. Junk food.

  3. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    SE EXISTISSE PENA de MORTE no BOSTIL….
    Marcola TAVA executado e o Delegado Geral, promotores, diretores de presídios….VIVOS!
    Sem essa de deixar líderes do PCC brabinhos por proibir visitas íntimas, transferências ou outra perda qualquer de mordomias absurdas!
    O BRASIL PRECISA da PENA de MORTE para esses crimes JÁ!!
    Precisamos de uma nova assembleia constituinte…JÁ!
    Essa constituição de 88 já não vale mais por causa dos golpe do stf

  4. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Divergência política é saudável numa democracia. Perseguição política é coisa de ditadura. “Nós derrotamos o bolsonarismo”, dito por um “supremo” é prova de militância de quem deve ser isento, pois robustece o ódio contra a direita.

  5. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Tô no mato. Nâo sei se tu lembra que anos atrás, neste espaço democrático, já se falava que o STF estava organizando um gabinete tipo gestapo ou coisa parecida para perseguir maldosamente gente direita. A teoria conspiratória virou realidade neste estágio pró-polarização e o povo está vendo o bonde passar lotado. Estamos escolhendo a escolinha maternal que não tenha impulsos sanguinárias de extrema-esquerda doutrinária. Escolas de primeiro e segundo grau também estão sendo investigadas para ver a formação dos professores. Qual universidade tem sentido próprio de liberdade, democracia e senso cristão e a favor da paz universal? Olhar com cuidado o rótulo do produto comprado para ver se não é chinês. Qual canal de tv ou mídia no you tube pode ser acessado sem sustos? Quais os conhecidos, vizinho e até parentes estão em nossos corações, sabendo que nos olhos deles sentidos boa vontade e amizade profunda? Escolhemos lugares para visitar, palavras, gestos e até qual casa de criança abandonada ou de idosos poderemos contrubuir. As escolhas hoje devem acompanhar uma expertise que necessitamos: ongs de direita, sindicatos de direita, igrejas e padres confiáveis, grupos de oração, empregos bons, qual praia é afastada de esquedistas com ódio? Tudo bem examinado. Depois, começar a espalhar livros, folhetos e instruções para nos defender e, agora, até mesmo atacar os inimigos. Mudar, trabalhar e novas táticas, pois o outro lado está bem preparado.

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