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Cartaz do ativista conservador Charlie Kirk durante uma vigília em sua homenagem. Kirk foi assassinado a tiros enquanto discursava para uma audiência na Universidade do Vale de Utah, EUA, no dia 10 de setembro de 2025 | Foto: Montagem Revista Oeste/Reuters/Antranik Tavitian
Edição 288

Carta ao Leitor — Edição 288

A aprovação da urgência para votar a anistia dos acusados pelo 8/1 e o desempenho do Brasil na Assembleia Geral da ONU estão entre os destaques desta edição

O assassinato de Charlie Kirk escancarou uma assustadora realidade de um mundo polarizado: cresce o número de fanáticos incapazes de manter relações civilizadas com aqueles dos quais discordam. A intolerância tem produzido ataques cada vez mais violentos nas redes sociais, cancelamentos e surtos de violência física. O ódio decorrente de crenças ideológicas vai fazendo vítimas, sobretudo entre políticos e militantes de direita.

O ativista norte-americano não perdeu a vida por ser radical. Como mostra Anderson Scardoelli na reportagem de capa, o conservador Kirk defendia e praticava o diálogo. Acabou por transformá-lo num propósito de vida. Passou a percorrer o país para promover uma sincera e pacífica troca de ideias. Conversava sem rancor com quem dele divergia sobre qualquer tema. A bala que encerrou prematuramente sua trajetória revelou que a tribo dos que recusam o convívio dos contrários cresce em quase todo o planeta.

O contraditório foi abolido, por exemplo, num templo de debates nascido e criado para estimular o livre pensar: a universidade. A liberdade de expressão no ambiente acadêmico tornou-se um direito a ser exercido apenas por um dos lados.

Além das absurdas manifestações de gente eufórica com a morte de Kirk, ameaças a políticos de direita também têm sido rotineiras. Gustavo Segré constata que, nestes tempos sombrios, palavras se transformam em armas e revelam o lado escuro do ser humano: o desprezo pela vida. Quando o aplauso de extremistas substitui lamentações do bem mais precioso, sem qualquer empatia por quem amava o assassinado, o ar se torna pesado e parece anunciar algo muito pior.

A epidemia de intolerância vai se espalhando pelo território brasileiro. O empresário Clériston Pereira da Cunha não foi o único preso pelo 8 de janeiro a morrer por culpa do Supremo Tribunal Federal. Embora tenha sido — por enquanto — o único abatido no cárcere, outros manifestantes sucumbiram a restrições judiciais que lhes retiraram o sustento, a dignidade e a saúde. Como relata Cristyan Costa, tais casos foram ofuscados por sucessivas ocorrências igualmente perturbadoras.

“Em que momento da história recente do país uma parte da sociedade brasileira decidiu que o absurdo não é absurdo, o abuso não é abuso, o inconstitucional não é inconstitucional e o erro pode ser relativizado a depender de quem?”, pergunta Adalberto Piotto. Outros problemas deveriam atormentar todos os brasileiros, “não apenas a parte que continua defendendo o certo como certo e dizendo que o errado… bem, o errado é errado.”

Por falar em absurdo, Augusto Nunes lembra alguns dos piores-melhores momentos protagonizados por presidentes brasileiros na Assembleia Geral da ONU. Passaram por lá, por exemplo, figuras como José Sarney — inventor de um inglês pior que o português de Lula — e Dilma Rousseff, que informou uma plateia atônita que a pasta de dente não consegue voltar para dentro do “dentifrício”.

Por sua vez, o Congresso tratou de agir nos últimos dias. “Duas votações, ocorridas no meio da semana, deram fôlego a uma Casa Legislativa há anos colocada de joelhos ante os ministros de toga”, avalia Silvio Navarro. A primeira aprovou um projeto de emenda constitucional que protege parlamentares dos abusos do Supremo. A segunda foi a aprovação do regime de urgência para votar a concessão da anistia aos acusados pelo 8 de janeiro. “É pouco para quem segue encarcerado, à espera de voltar para casa, ou preso a uma tornozeleira, impedido de retomar a vida”, registra Navarro. O caminho ainda é longo. Mas o percurso já começou.

Boa leitura.

Branca Nunes,

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 288. Charlie Kirk, CEO da Turning Point USA, na Convenção Nacional Republicana, em Milwaukee, Wisconsin, no dia 15 de julho de 2024 | Foto: Montagem Revista Oeste/Maxim Elramsisy/Shutterstock

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8 comentários
  1. Sylvania Lúcia Alves e Silva
    Sylvania Lúcia Alves e Silva

    Quando o ódio que recebemos, começar a ser devolvido com a mesma intensidade, talvez ELES entendam o quanto é devastador prejudicar os outros, restringir, desrespeitar, ameaçar, agredir…

  2. Paulo Roberto Pazinatto
    Paulo Roberto Pazinatto

    Me assusta a revista apoiar a PEÇA da blindagem, pois esse movimento é um dos maiores escárnios dos últimos tempos da politica nacional. A revista está ao lado de quem faz do legislativo um balcão de negócios pois trata e defende a anistia a qualquer custo, mesmo que isso tornar o Congresso um antro de criminosos que serão cada vez mais bancados pelo crime organizado. Que decepação com vcs da Oeste e que arrependimento por ter dado um crédito a assinado este veículo. Com toda a certeza não renovarei a assinatura!!!. Estou indignado !

  3. Jonas Ferreira do Nascimento
    Jonas Ferreira do Nascimento

    Quero aproveitar este espaço para voltar a reclamar da maneira, que considero até desrespeitosa, que são as dificuldades impostas por essa Revista para acesso de nós assinantes aos seus textos. Não há necessidade de tantos procedimentos. Mirem-se de como age a “Gazeta do Povo”, por exemplo. Caso essas dificuldades permaneçam penso não renovar minha assinatura.

    1. Jonas Ferreira do Nascimento
      Jonas Ferreira do Nascimento

      Adito: por que não exigir apenas e-mail e senha?

    2. Manfred Trennepohl
      Manfred Trennepohl

      Concordo com o assinante acima. Estão dificultando.

    3. Assinaturas Oeste
      Assinaturas Oeste

      Sr. Jonas, agradecemos por compartilhar conosco suas impressões sobre a experiência de acesso ao site. Vamos contatá-lo para saber com detalhes o que ocorre e trabalhar nas soluções. Um abraço da equipe Oeste.

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O maior problema do brasileiro é a corrupção, não é nem a jumentalha que se formam nas universidades federais. Em todo ocidente não existe país pior que o Brasil em roubalheira e só se está enxergando isso agora porque a Internet não deixa escapar

  5. clarice Bocchese da Cunha Simm
    clarice Bocchese da Cunha Simm

    Sempre um alento a nossa inteligência e bom senso ler os editoriais da Oeste

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