O assassinato de Charlie Kirk escancarou uma assustadora realidade de um mundo polarizado: cresce o número de fanáticos incapazes de manter relações civilizadas com aqueles dos quais discordam. A intolerância tem produzido ataques cada vez mais violentos nas redes sociais, cancelamentos e surtos de violência física. O ódio decorrente de crenças ideológicas vai fazendo vítimas, sobretudo entre políticos e militantes de direita.
O ativista norte-americano não perdeu a vida por ser radical. Como mostra Anderson Scardoelli na reportagem de capa, o conservador Kirk defendia e praticava o diálogo. Acabou por transformá-lo num propósito de vida. Passou a percorrer o país para promover uma sincera e pacífica troca de ideias. Conversava sem rancor com quem dele divergia sobre qualquer tema. A bala que encerrou prematuramente sua trajetória revelou que a tribo dos que recusam o convívio dos contrários cresce em quase todo o planeta.
O contraditório foi abolido, por exemplo, num templo de debates nascido e criado para estimular o livre pensar: a universidade. A liberdade de expressão no ambiente acadêmico tornou-se um direito a ser exercido apenas por um dos lados.
Além das absurdas manifestações de gente eufórica com a morte de Kirk, ameaças a políticos de direita também têm sido rotineiras. Gustavo Segré constata que, nestes tempos sombrios, palavras se transformam em armas e revelam o lado escuro do ser humano: o desprezo pela vida. Quando o aplauso de extremistas substitui lamentações do bem mais precioso, sem qualquer empatia por quem amava o assassinado, o ar se torna pesado e parece anunciar algo muito pior.
A epidemia de intolerância vai se espalhando pelo território brasileiro. O empresário Clériston Pereira da Cunha não foi o único preso pelo 8 de janeiro a morrer por culpa do Supremo Tribunal Federal. Embora tenha sido — por enquanto — o único abatido no cárcere, outros manifestantes sucumbiram a restrições judiciais que lhes retiraram o sustento, a dignidade e a saúde. Como relata Cristyan Costa, tais casos foram ofuscados por sucessivas ocorrências igualmente perturbadoras.
“Em que momento da história recente do país uma parte da sociedade brasileira decidiu que o absurdo não é absurdo, o abuso não é abuso, o inconstitucional não é inconstitucional e o erro pode ser relativizado a depender de quem?”, pergunta Adalberto Piotto. Outros problemas deveriam atormentar todos os brasileiros, “não apenas a parte que continua defendendo o certo como certo e dizendo que o errado… bem, o errado é errado.”
Por falar em absurdo, Augusto Nunes lembra alguns dos piores-melhores momentos protagonizados por presidentes brasileiros na Assembleia Geral da ONU. Passaram por lá, por exemplo, figuras como José Sarney — inventor de um inglês pior que o português de Lula — e Dilma Rousseff, que informou uma plateia atônita que a pasta de dente não consegue voltar para dentro do “dentifrício”.
Por sua vez, o Congresso tratou de agir nos últimos dias. “Duas votações, ocorridas no meio da semana, deram fôlego a uma Casa Legislativa há anos colocada de joelhos ante os ministros de toga”, avalia Silvio Navarro. A primeira aprovou um projeto de emenda constitucional que protege parlamentares dos abusos do Supremo. A segunda foi a aprovação do regime de urgência para votar a concessão da anistia aos acusados pelo 8 de janeiro. “É pouco para quem segue encarcerado, à espera de voltar para casa, ou preso a uma tornozeleira, impedido de retomar a vida”, registra Navarro. O caminho ainda é longo. Mas o percurso já começou.
Boa leitura.
Branca Nunes,
Diretora de Redação




Quando o ódio que recebemos, começar a ser devolvido com a mesma intensidade, talvez ELES entendam o quanto é devastador prejudicar os outros, restringir, desrespeitar, ameaçar, agredir…
Me assusta a revista apoiar a PEÇA da blindagem, pois esse movimento é um dos maiores escárnios dos últimos tempos da politica nacional. A revista está ao lado de quem faz do legislativo um balcão de negócios pois trata e defende a anistia a qualquer custo, mesmo que isso tornar o Congresso um antro de criminosos que serão cada vez mais bancados pelo crime organizado. Que decepação com vcs da Oeste e que arrependimento por ter dado um crédito a assinado este veículo. Com toda a certeza não renovarei a assinatura!!!. Estou indignado !
Quero aproveitar este espaço para voltar a reclamar da maneira, que considero até desrespeitosa, que são as dificuldades impostas por essa Revista para acesso de nós assinantes aos seus textos. Não há necessidade de tantos procedimentos. Mirem-se de como age a “Gazeta do Povo”, por exemplo. Caso essas dificuldades permaneçam penso não renovar minha assinatura.
Adito: por que não exigir apenas e-mail e senha?
Concordo com o assinante acima. Estão dificultando.
Sr. Jonas, agradecemos por compartilhar conosco suas impressões sobre a experiência de acesso ao site. Vamos contatá-lo para saber com detalhes o que ocorre e trabalhar nas soluções. Um abraço da equipe Oeste.
O maior problema do brasileiro é a corrupção, não é nem a jumentalha que se formam nas universidades federais. Em todo ocidente não existe país pior que o Brasil em roubalheira e só se está enxergando isso agora porque a Internet não deixa escapar
Sempre um alento a nossa inteligência e bom senso ler os editoriais da Oeste