Em junho de 2019, o vazamento de conversas entre o juiz Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da Lava Jato ganhou o apelido de Vaza Jato. A maior parte da imprensa velha não deu importância ao fato de que as informações haviam sido obtidas de forma criminosa. Durante meses, jornais e revistas apresentaram o material como se configurasse a prova de um crime de lesa-pátria. Eram apenas diálogos entre juiz e promotor, prática comum em qualquer lugar do mundo. Políticos e ministros do STF aproveitaram a ocasião para jogar outra pá de terra sobre a maior operação anticorrupção da história do país.
Seis anos depois, uma nova rodada de conversas revelou que o ministro Alexandre de Moraes mantinha um gabinete clandestino destinado a fabricar indícios contra qualquer inimigo, real ou imaginário. Os diálogos foram divulgados por um perito incluído na equipe e o caso foi batizado de Vaza Toga. O escândalo ocupou um punhado de reportagens e foi esquecido. Nenhum ministro do STF se deu ao trabalho de comentar o episódio.
A diferença de tratamento entre os dois casos é o tema da reportagem de capa desta edição, assinada por Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha. O silêncio da imprensa não acalmou Alexandre de Moraes. Agora ele quer prender as manobras secretas ordenadas por ele próprio.
Nesta terça-feira, 30, o ministro Edson Fachin, ao assumir a presidência do STF, prometeu fazer o oposto do que fez o antecessor, Luís Roberto Barroso. “É hora de dar à política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça”, afirmou no discurso de posse. “Se Barroso se notabilizou como magistrado midiático e liberal-progressista, Fachin tenta projetar a imagem de um acadêmico conciliador”, observa Cristyan Costa. “O tom, no entanto, destoa de sua trajetória”. Foram decisões do ministro que pavimentaram o caminho para a transferência de Lula da cadeia para o Palácio do Planalto e estimularam outros condenados da Lava Jato a pedir a anulação de seus processos.
Caso realmente queira cumprir o que prometeu, Fachin precisará combinar com os demais ministros. “Como proceder para que Gilmar e os demais expoentes da politização do STF”, pondera Eugênio Esber, “retornem a seus estritos papéis de guardiões da Constituição depois de haverem experimentado desfrute de um poder tão absoluto que os fez pairar até mesmo acima do texto constitucional?”. Alexandre Garcia lembra que o Supremo sempre funcionou sem desgaste quando devolveu ao Congresso questões políticas com uma explicação em latim: interna corporis.
Alguns ministros acham pouco intrometer-se em assuntos de outro Poder. Agora resolveram interferir em outros países. Como mostra Silvio Navarro, Gilmar Mendes e colegas do Supremo “estão se debruçando sobre um debate de lei anti-embargos” para blindar-se das sanções previstas pela Lei Magnitsky.
No Brasil real, a economia avança em direção ao abismo. Adalberto Piotto observa que nada parece conter a obsessiva gastança do governo Lula 3. A receita do fracasso inclui a volta das estatais deficitárias, da explosão fiscal, do populismo barato amparado pelo dinheiro do pagador de impostos, da ineficiência administrativa e do avanço da insegurança pública e jurídica.
Já as fronteiras do contrabando e das falsificações seguem em expansão. Edilson Salgueiro revela detalhes dessa multinacional do crime organizado que, segundo estudo da Fiesp, causou à indústria paulista em 2023 um prejuízo de R$ 22,5 bilhões. Cerca de 160 mil empregos formais deixaram de ser criados e quase R$ 10 bilhões em impostos ficaram fora dos cofres públicos. Os maiores lucros vêm da venda de tabaco (R$ 7,5 bilhões) e de combustíveis (R$ 4 bilhões). Não por acaso, esses produtos estão entre os mais tributados.
Tudo somado, o prejuízo acaba atingindo o bolso dos brasileiros. Como sempre, nós pagamos a conta.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de redação

A MELHOR ESQUIPE DE JORNALISMO BRASILEIRO
Tá na hora, ou melhor já passou da hora de colocar no xadrez todos os bandidos ladrões terroristas torturadores narcotraficantes comunistas que estão no poder
Uma boa capa seria Têmis sem a balança, sem a espada e sem a venda, com os olhos arregalados de espanto, um batom numa das mãos e na outra uma faixa escrito Perdeu Mané.
Parabéns Branca Nunes,
O Editorial tá bom. Então, as matérias devem estar ótimas. Gostaria de repetir aqui um pedido: apresentem uma foto da Justiça como está na capa e outra, aquela em frente ao STF. E perguntem aos leitores, qual a diferença. Aliás, alguém deveria propor uma nova estátua contemplada com a balança. Uma justiça sem balança é o retrato do atual STF. É assim mesmo, Dona Branca?
No primeiro parágrafo sobre Sergio Moro, não deveria ser “Vaza Jato” ?
Tiago, você tem razão. Já foi corrigido. Obrigada